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Crônica

Who am i?


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Os gregos diziam que a base de toda a filosofia está na reflexão, no olhar para dentro de si, e só a partir daí estender a compreensão ao mundo. Aparentemente fácil, é incrível como as pessoas não sabem dizer quem são, pensam que sabem, mas quando se defrontam consigo mesmas, se quedam ante interrogações silenciosas. Se são políticos e estão em dívida com a sociedade, sequer suportam a própria imagem num espelho caseiro. É o complexo de culpa! Perdeu senador, perdeu, é a Polícia Federal!!!

É consenso que o bem e o mal nascem juntos. O que faz um político abandonar a opção interior do bem?  A verba pública entra tão fácil, que as pessoas perdem a própria identidade e esquecem a finalidade social do dinheiro público. Esse dinheiro é meu, é meu, vou provar que é meu.

As surpresas se multiplicam, nessa pandemia: além da reedição do capítulo da velha novela do dinheiro na cueca, o noticiário da TV deu informações sobre uma pastora/deputada que induziu os filhos de criação a matarem um pastor, seu marido e pai de criação dos assassinos.  − Mandei matar para recuperar meu poder dentro da igreja e da família, mas sou inocente. Espelho, eu tenho imunidade parlamentar e divina! Sou deputada e pastora.

“É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Ou pelo menos o que me faz agir não é o que eu sinto, mas o que eu digo” (Clarice Lispector): − eu sou um pilantra, mas sou inocente, eu vou provar na justiça a minha inocência, o que não apaga o que sinto – eu sou um pilantra.

Lembram do filme, A Corrente do Bem (Pay it Forward)? Este movimento começou na Austrália, em 2007: você devia fazer três ações de grande magnitude e pedir a cada um dos beneficiados, que reproduzissem as ações com mais três pessoas, de tal forma que as boas ações se estendessem, em progressão geométrica, ao longo do planeta. Se ninguém quebrasse a corrente ela tomaria proporções inimagináveis. A questão da autorresponsabilidade, demonstrada no filme, é importante para entendermos nossa própria responsabilidade, diante dos fatos, no dia-a-dia. Não adianta se esquivar, de alguma forma você também é responsável. A corrente do bem está esperando por você, goze.

São tantos ladrões na vida pública, que a gente chega a desanimar ou a ter vergonha de ser honesto, como disse Rui Barbosa, em célebre frase, no entanto não devemos esquecer da nossa missão de vida, mostrando às pessoas que esse mundo tem jeito, mesmo sabendo que o poder, o dinheiro e a vaidade corrompem. A sua excelência não pode desmerecer a minha excelência. Atire a primeira pedra…

Imaginem se nossos políticos legisladores, os mais influentes, entrassem na corrente do bem e resolvessem lutar por três reformas que interferissem diretamente no Custo Brasil, contribuindo com o fim dos excluídos e invisíveis. Buscar onde sobra pra levar onde falta. Imposto solidário obrigatório.

Imaginem se tivéssemos a diminuição dos membros da Câmara dos Deputados em 30%, repercutindo nas Assembleias e nas Câmaras de Vereadores! O Senado seria reduzido a dois senadores por Estado. Seria apenas o começo de outras reformas administrativas e tributárias, que atingiriam o país como um todo. Difícil, mas não impossível, a Semântica teria que mudar o significado da palavra querer e o ser humano disposto a enxergar o mundo por outro prisma.

Não gostaria de me envergonhar como Rui, nem de me extremar como Nietsche, em relação à esperança, mas o que sobra de humano no egoísmo inerente é tão pouco, que simples atos de gentileza, no dia-a-dia, se somam ao rol das ações necessárias e importantes ao convívio, porém cada vez mais distantes e inatingíveis, verdadeiramente utópicas. Até parece que ainda estamos reverberando ações primitivas em relação ao próximo, absorvendo pouco ou nada do Segundo Mandamento Cristão (Mat. 22:39). Primeiro o meu bolso!

Não custa alimentarmos sonhos! Como regra constitucional, os interessados em ingressar na Universidade gratuita e na vida política,  deveriam apresentar, obrigatoriamente, Certificado de práticas altruístas, relatando boas ações e um TIS (Trabalho de Inclusão Social), demonstrando conhecimentos antropológicos, psicológicos e filosóficos da palavra alteridade, além de explicar qual a sua Missão de Vida, respondendo à pergunta: Quem sou eu? 

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