Domingo, 22 de fevereiro de 2026 - 08h05

Quando era rapazote ia
com meus pais, veranear a pequena povoação do Vale da Vilariça.
Depois da janta,
familiares e amigos, abancavam-se na escaleira de velho e delapidado solar,
cujas salas serviam de arrecadação a alfaias agrícolas, e as portas
desvidraçadas, abriam-se a largas varandas, que permitiam entrada a andorinhas,
em voos certeiros para os ninhos
Nessa nova " Corte
na Aldeia", havia letrados e “analfabetos”, que aprenderam a ler e
escrever, à custa de dolorosas reguadas.
Obtido o diploma, deram”
às de Vila Diogo”, abandonando a escola e os livros.
Nessa época não havia TV;
e o único aparelho de TSF, movido a bateria, pertencia a lavrador abastado, que
era colocado, em dia de festa, à janela, para quem quisesse bailar ao som de
música da Emissora Nacional.
Como disse, à noitinha,
pela fresca, depois de uma tarde cálida, acomodávamos nas escadas do velho
casarão brasonado.
Conversava-se, contávamos
tradicionais historietas, e advinhas... até que aproveitando pausa de silêncio,
saltou de súbito, a pergunta:
- Qual é o ato mais
importante da vida?
Ouve-se murmúrios, e
uma voz se ergueu: É o casamento!...
Risinhos... e prosseguiu.:
Quem pode, e sabe, realizar matrimónio por amor, com companheira, que o ajude
nos abrolhos da vida, acha um tesouro. Não é verdade, que por trás de um grande
homem, há sempre uma grande mulher… que o acompanha, quase sempre, na sombra?
Sacerdote, presente no
serão, ergueu-se, discordando:
- Isso é uma verdade de
La Palice..., Mas Jesus não pensa assim. O que deseja - é que leiam o Evangelho
e O cumpram.
Então recordou,
rapidamente, a curiosa passagem evangélica, que fala de Marta e Maria. Esta,
vendo Marta aninhada ao pé de Jesus, escutando-O, pede a Jesus: " Diz a
Marta que me venha ajudar...” Responde-lhe Jesus: " Marta, Marta,
inquietas-te com muitas coisas; mas uma só é necessária! Maria escolheu a
melhor – Lc.10:42.
Rematando: o ato mais importante
da vida, é portanto: - Amar a Deus, e
cuidar da Salvação. É o Caminho, que nos
deve preocupar. O único para que nascemos. O resto é: vaidade, orgulho, conhecimento…
tudo é efémero, já que tudo acaba, após a morte...
Levantou-se profundo
silêncio. Como já fora tarde, cada qual se recolheu a casa, dando as habituais
boas-noites; e, sonolentos todos diziam: Vá com Deus; Bom descanso...Deus o
guarde…
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