Segunda-feira, 8 de agosto de 2022 - 12h55

Faltou energia elétrica, acendi uma vela e
coloquei na janela, perdido em metáforas, fiquei meditando com os olhos fixos
no tremular das chamas, aí me veio uma frase: as chamas do poder.
Naquele instante de chamas incertas, sujeitas às tremulações da vida, lembrei
que uma vela brilha porque morre a cada instante de lucidez, a cada instante
de indicar o caminho, a cada instante de doação, a cada instante de
competência.
Muitos incompetentes, por não terem brilho
próprio, procuram a luz alheia para iluminar seu caminho, mas tropeçam na
própria sombra. A cera da competência, do amor incondicional ao outro, não é
feita de vaidade, nem da energia dos desvalidos, tampouco do sebo da
humilhação, por isso dura mais, brilha mais. As mariposas da vida ou as da política
partidária de má qualidade acabam queimando as asas no clarão da vela dos
competentes.
A mestra História está recheada de exemplos,
quem não se lembra de Cleópatra, de Maria Antonieta, dos césares, dos luíses,
dos czares, de Jânio, Collor, Lula e tantos outros déspotas e políticos
malucos que se esqueceram da efemeridade do poder, que acharam que a luz da
vela duraria para sempre, independente das tempestades sociais e da corrupção
galopante.
O poder, escurecido pelo mais grave dos pecados
capitais – a vaidade − embriaga os sentidos, confunde a mente, embaralha as
decisões, consequentemente, empobrece a cera da vela, queima mais rápido.
Para gente e políticos deste naipe, existem
velas dos mais variados formatos, de cores vivas ou mortas, mas a grande
maioria pertence ao rol das velas brancas e indecisas, comuns aos funerais,
aquelas acendidas em torno do próprio caixão, sabendo que o vento do dia a dia
logo mais as apagará.
Um
vento forte passou pela minha janela, apagando a chama que alimentava minhas
metáforas e comparações, o horizonte escureceu, como breu. Estou à deriva, na expectativa
de novas, fortes e duradouras chamas da vida. Que a espera não seja longa.
Estou
cansado dos amigos traíras, dos políticos demagogos, dos ladrões de textos, dos
pseudoautores, mudos, desprovidos de luz, nem os vagalumes suportam a
comparação.
A escuridão
da madrugada foi cedendo vistas a minha janela, no oriente apareceu um bico de
luz, clareando aos poucos, como uma vela divina, cuja cera se renova e se
eterniza, banalizando a luz das velas comuns, reescrevendo o perdão, reiterando
a metáfora da esperança.
Domingo, 11 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)
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