Quarta-feira, 4 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Crônica

Uma declaração ao vento


Uma declaração ao vento  - Gente de Opinião

Abri as janelas do meu coração e deixei o vento entrar. É inverno em solo cearense e, vez ou outra, tem-se um vento frio ao amanhecer. E o vento? Eu amo o vento, fechar os olhos e sentir seu toque, às vezes fortes, outras ameno. E me inspiro em minhas  gatas que fecham seus olhinhos e farejam o vento passando com cheiros que só elas percebem. Me encanto. E encantada com elas e com o vento eu me despi das roupas   aparentes para também me despir de mim. Abri os braços e expandi o tórax e chamei o vento para me visitar. Faxina meu ser vento forte!!! Passa pelo meu coração, arranca dele as dores da alma que só eu sei quais são, retira as raízes da mágoa e do rancor, abre espaço para cultivar um jardim de AMOR. E o vento foi indo atravessando minhas artérias até chegar aos pés. E vi sair deles um feixe de luz dourada que penetrou a terra mãe e brotou uma flor!! Que encantamento é esse? Eu vi a terra sorrir para mim! Vi a mãe Gaia com braços verdes como as folhas das árvores e vi os rios, as matas e cachoeiras e sorri vendo macacos pulando nos galhos das árvores e passarinhos encantando o tempo. E o vento? Ah!!! O vento é meu querer!!! Voltei para mim. E pensei que meu corpo era a própria terra. Que minha porção espiritual era o vento, o sol, a lua, as estrelas do firmamento, a chuva que cai, o mar, o infinito em mim em tantas andanças pelo tempo. Me vi abrindo o peito e pegando o meu coração. Eu o beijei, fiz a ele uma reverência de gratidão por pulsar e me permitir à vida. Um vento forte arrebatou o coração das minhas mãos e o vi flutuar no espaço e se transformar em uma imensa luz esmeralda que retornou à mim. Meu corpo estremeceu e uma infinita serenidade me invadiu a mente e a alma. Eu sou o vento!! Eu vivo nele e com ele e ele habita em mim.

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 4 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Onde moram as borboletas brancas?

Onde moram as borboletas brancas?

Há casas que nos esperam em silêncio. Não como construções de tijolo, mas como espaços de reencontro. Mudei-me para uma residência que já era minha

Nova corte na aldeia

Nova corte na aldeia

Quando era rapazote ia com meus pais, veranear a pequena povoação do Vale da Vilariça.Depois da janta, familiares e amigos, abancavam-se na escaleir

A morte começa, quando nascemos

A morte começa, quando nascemos

        Tudo passa açodado: passam as horas, passam os dias, passam os anos, e sem percebemos, chega a caduquice, a decadência, a velhice…; e tudo p

Mudam-se os tempos; mudam-se os conceitos

Mudam-se os tempos; mudam-se os conceitos

No mês de dezembro, mês húmido e sombrio, aproveitei os raros dias de céu lavado e, de amena temperatura, para almoçar num centro comercial.Após suc

Gente de Opinião Quarta-feira, 4 de março de 2026 | Porto Velho (RO)