Segunda-feira, 7 de dezembro de 2020 - 20h00

Pouco importa a 4ª maior
territorialidade entre as 27 unidades federativas do Brasil, pouco importa ser o
segundo estado em quantidade de habitantes, ser o primeiro em número de
municípios; pouco importa se já foi o centro das atenções coloniais, pouco
importa se conseguiu sua autonomia político/administrativa há 300 anos; importa
o jeito mineiro de ser. Como
pode o peixe vivo
Viver fora da água fria? Como
poderei viver sem a tua companhia?
Pouco importa a guerra dos Emboabas, a Inconfidência Mineira, Tiradentes e o traíra Silvério dos Reis, pouco importa o brilho, o valor do ouro e das pedras preciosas, oriundas das minas gerais; importa o sentimento iluminista de liberdade a qualquer custo, estendendo suas pernas às outras unidades coloniais, importa o culto ao pelourinho, como símbolo de reflexão sobre o suplício da escravidão no Brasil. Libertas Quae Sera Tamen.
Pouco importa a comida sofisticada do Palácio das Mangabeiras, pouco importa a gramática, as expressões metidas à besta dos salões da burguesia, misturadas a palavras francesas e inglesas; importa um tutu à mineira, galinha com quiabo, arroz com pequi, um pãozinho de queijo com café torrado em casa, importam panelas de barro, de ferro e uma prosa na cozinha, à beira do fogão à lenha. Esse Trem é Bão demais da conta, sô!
Pouco importa a contestação ao
mineirês, ao sotaque caipira, ao jeito mineiro de falar, pouco importa a atemporalidade das expressões populares;
importa saber que eles falam assim porque gostam, não se limitam aos falares,
advindos dos bancos escolares, é opção pela simplicidade, pelo jeito gostoso e
puro de se expressar: istudo nóis temo, nós
fala errado pruque querêmo. Cê segue reto a vida
toda… Vou cumê um trem. Cara dum, fucim d’outro. Num quidito nocê mais.
Pouco importa a inexistência
do oceano, do barulho das ondas; importam o aconchego, o silêncio e as atraentes
curvas das montanhas, dos vales, dos inúmeros rios, importam as andanças do
vento, o eco da própria voz, a chuva na cara e o cheiro de terra molhada,
importa a cor da esperança, no verde do infinito, importa estar mais próximo de
Deus, do Espírito Santo e de suas belas praias, importa não esquecer o Encontro
Marcado de Fernando Sabino, pra ler na sombra do guarda-sol, frente ao mar, nem a canequinha esmaltada, quando
descer a serra pra experimentar o sabor da água salgada. Em arte não há nada mais velho do que o futurismo (FS).
Pouco
importa se no meio do caminho tinha uma pedra, importa saber que lendo Carlos
Drummond de Andrade, acompanhando Guimarães Rosa pelo Grande Sertão: Veredas e
ouvindo Travessia com Milton Nascimento, você chuta as pedras com mais vigor e
vive e goza.
Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedra, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar
Pouco
importa o tempo dos 300 de Minas; importa um sem número de escritores e
artistas mineiros, que enriqueceram/enriquecem a caminhada nacional, importa o
jeito mineiro de fazer amizades. Importa o aplauso espiritual de minha mãe,
mineira de Montes Claros, pelas mal traçadas linhas deste velho baiano,
importam dois grandes escritores, confrades da ARL, Júlio Olivar e Délcio
Pereira, amigos do peito, que não permitem, com competência e companheirismo, o
esquecimento em mim, de que viver e escrever exigem mais do que um léxico.
Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam
"não"
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração
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