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Crônica

Janela artificial


William Haverly Martins - Gente de Opinião
William Haverly Martins

A janela da inteligência artificial vem multiplicando as vistas na galopante proporção das pesquisas, patrocinadas por empresas e governos de países mais evoluídos. O capital envolvido vem dobrando ano a ano, em função dos resultados satisfatórios. Cada software desenvolvido é como uma janela com as suas respectivas vistas. Há software com mais de uma vista, ademais ele é o cérebro da inteligência artificial. Cada robô tem o seu software próprio.

O termo inglês "software" foi usado pela primeira vez em 1958 em um artigo escrito pelo cientista americano John Wilder Tukey. Foi também ele o responsável por introduzir o termo "bit" para designar "dígito binário".

        

Segundo minhas breves e limitadas lições, o software é classificado como a parte lógica de um computador, cuja função é fornecer instruções para hardware. O hardware é toda a parte física que constitui a máquina, por exemplo, a CPU, a memória e os dispositivos de entrada e saída. Logo logo o físico e o lógico serão unificados.

        

Num futuro não muito distante, seremos atendidos em escritórios de advocacia, de contabilidade, em consultórios médicos, em gabinetes especializados, por uma secretária robô que fará a nossa ficha detalhada e encaminhará a um outro software mais especializado, que cuidará do resultado final, até o dia em que já não seremos: o ser ou não ser hamletiano, talvez ainda perdure numa velha prateleira da consciência humana, como cortina a uma janela cósmica da nova inteligência, cujas vistas são respostas aos questionamentos existenciais inexistentes.

 

Se estivermos num consultório médico saberemos o diagnóstico da doença e o tratamento adequado. Em caso de necessidade de cirurgia, uma outra máquina fará o procedimento. Ao ser humano, enquanto existir, caberá apenas conferir os resultados e checar a manutenção da inteligência artificial. 

Num futuro ainda mais distante a morte será vencida por chips implantados no cérebro e no resto dos órgãos, que cuidarão da substituição de células velhas por células novas. Hoje já se faz esta substituição, usando células tronco. As doenças e a velhice vão desaparecer! A imortalidade e a eterna juventude já são vistas possíveis, na janela da vida artificial. As vistas das viagens interplanetárias não terão mais os frágeis corpos humanos como obstáculos.

O porvir da artificialidade nos aponta para um algoritmo programando outro: do jeito como estão sendo desenvolvidos, os softwares acabarão adquirindo vida própria, ou seja, a inteligência artificial pensará a sua própria existência, vencendo as modificações do nosso sistema planetário, superando até mesmo a extinção do reino vegetal e o fim da água potável, no planeta. Novas energias ressurgirão da mente artificial e das viagens intergaláticas.

É a ciência da informática dando as cartas e abrindo janelas, com suas vistas intrigantes, a um novo mundo, um novo ser, uma nova vista, um novo deus: a vida sem sangue, sem carne, sem neurônios, sem dor, sem lágrimas, sem sentimentos, sem alimentos, sem ..., sem limites. Seremos totalmente artificiais, imunes inclusive ao inevitável esfriamento do sol. Enfim imortais.

Isso se não nos destruirmos antes, vítimas de uma hecatombe total aniquilante, oriunda das várias formas de poder; talvez sejamos extintos devido a um novo choque com um gigantesco asteroide, como o que atingiu a Terra, há 66 milhões de anos, em um ponto do Oceano Atlântico, perto da atual Península de Iucatã, na costa do México;  quem sabe, sejamos tirados de cena pela mística figura apocalíptica, postada atrás da cortina da morte, reconhecendo a hora de recolher os cordéis do livre arbítrio, privando-nos a vista da janela do futuro. O que será?

As vistas evolutivas da janela da 4ª revolução industrial, em curso, não parecem ter freios ou limites, independem de nós. A sucessão de épocas e de saberes é como o mero ato de passar o bastão, até chegarmos ao desvendamento e à inutilidade da filosofia, especialmente das filosofias ocultistas manipuladoras, até chegarmos à unificação dos hemisférios cerebrais humanos, até chegarmos ao formato “cérebro único”, artificial, um fim que é o começo de uma nova cabala existencial materialista.

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