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Crônica

Contra a maré


Contra a maré - Gente de Opinião

A evolução científica, tecnológica, computacional, não admite retrocessos, o novo é a meta, está sempre à frente e vai sendo perseguido, ora a passos lentos ora a passos largos, mas ininterruptamente, como ondas quebrando na praia, fracas ou fortes, conforme a região do planeta. Não adianta remarmos contra, os avanços continuarão, sem limites. Adapte-se à correnteza do rio, o que tiver de ser será. O inconformismo é um tiro no pé.

O futuro e a ficção científica estão tão próximos, que a imaginação se deitou no divã do psicanalista, em busca do tempo presente, já que somos pretéritos imperfeitos. Um milionésimo de segundo à frente e já é futuro. Cadê o presente? Não sou! Serei?… Interesso-me muito pelo futuro: é lá que passarei o resto da minha vida.

Resta aos mais velhos se adaptarem a essa corrida visionária e desenfreada pelo novo, para não serem humilhados pelos jovens. De que adianta, por exemplo, irmos contra a Inteligência Artificial, o Youtube, o Instagram, o Face, o Twitter, o WhatsApp, os inúmeros aplicativos, se nessa concorrência entre o velho e o novo, a juventude menosprezou/a o espelho retrovisor. O melhor profeta do futuro, segundo Lord Byron, é o passado. Telex, fax, orelhão, máquina de escrever, fita cassete, Cd, cebolão, Atari, Nintendo, quem se preocupa? 

As conquistas das ciências são mais valorizadas daqui pra frente do que daqui pra trás, a história só é lembrada, quando é para comparações aparentemente absurdas: Elon Musk é uma combinação moderna de Thomas Edison, Henry Ford, Howard Hughes e Steve Jobs. Ele é o homem por trás do PayPal, da Tesla Motors, da SpaceX e da Solar City que estão operando uma verdadeira revolução na indústria e no meio corporativo (Elon Musk − Como o CEO bilionário da SpaceX e da Tesla está moldando nosso futuro) – Ashlee Vance − Intrínseca – 2015).

Precisamos aceitar e usar o progresso a nosso favor, nadando impulsionado pela maré e não contra. Errado é a forma como usamos os novos recursos da informática. Outro dia assisti uma conferência, no Youtube, em que a professora/palestrante dizia dos ganhos, nas regras de convivência e no crescimento intelectual, se em vez de usarmos as mídias para fofocas, fakenews, etc., nelas inseríssemos textos filosóficos, científicos, literários ou até mesmo de auto ajuda. Viver é ter, sobreviver é pretexto.

Difícil é fazer a juventude se interessar por uma leitura, com mais de 300 caracteres, ou por uma palestra em vídeo com mais de 10 minutos. O rótulo encarcerante da moda atende pelo nome de Podcast, substituindo a visão pela audição. Mais um cárcere à espera de nova tecnologia libertadora: a comunicação holística do futuro virá pelo canal da percepção extrassensorial, o império do sexto sentido. Somos todos tripulantes do ponto azul, perdidos no espaço, remando a favor da maré, em busca da perfeição.

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