Quarta-feira, 4 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Crônica

A triste sina de família; que sobrevive com um salário


A triste sina de família; que sobrevive com um salário - Gente de Opinião

Subia os Clérigos, quando deparo antigo condiscípulo, companheiro de muitas horas de lazer.

- Há séculos que não te vejo? O que é feito de ti?

- Vivo no interior – respondeu-me o Júlio

- Fizeste bem, há por lá ar mais puro, isento de poluição...

- Não o fiz por prazer – lamentou-se, mostrando fisionomia tristonha.

- Gostava de viver na cidade, onde tenho velhos amigos. O campo não é bom para mim. Gosto de movimento. Sou citadino por natureza, mas...

Explicou-me, então, a triste sina. Reformou-se no início do século. Não era muito, mas ia chegando...

 Com o correr dos anos a reforma degradou-se.

Aumentou a renda da casa, substancialmente; aumentaram os géneros alimentícios.... Tudo vai aumentando, menos o que se recebe mensalmente.

Acrescentou, ainda com mágoa: as reformas mínimas têm subido, embora menos do que seria necessário; mas as outras?

O Júlio, desanimado, comentou de voz apagada, estar arrependidíssimo de não ter tentado lá fora, quando era novo:

- Se tivesse emigrado, quem sabe, se não teria reforma mais confortável, para passar a velhice melhor? Quem sabe? Ainda quem recebe duas reformas, vai aguentando, mas eu, que nunca quis que minha mulher trabalhasse.... Sabes? No nosso tempo os homens não queriam viver à custa das mulheres. Era ponto de honra. O marido devia sustentar a família. A esposa era dona de casa: cuidava dos filhos e levava a termo o governo da casa.

Tive pena do Júlio. Embora a minha situação não seja muito melhor.

Bem sei que na aldeia, como disse o Júlio, a vida é mais simples. Sempre há lavradores que oferecem punhado de batatas, mão cheia de feijões, e pinga de azeite.

Mas é triste chegar a velho e não ter fim de vida sossegado e feliz.

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 4 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Onde moram as borboletas brancas?

Onde moram as borboletas brancas?

Há casas que nos esperam em silêncio. Não como construções de tijolo, mas como espaços de reencontro. Mudei-me para uma residência que já era minha

Nova corte na aldeia

Nova corte na aldeia

Quando era rapazote ia com meus pais, veranear a pequena povoação do Vale da Vilariça.Depois da janta, familiares e amigos, abancavam-se na escaleir

A morte começa, quando nascemos

A morte começa, quando nascemos

        Tudo passa açodado: passam as horas, passam os dias, passam os anos, e sem percebemos, chega a caduquice, a decadência, a velhice…; e tudo p

Mudam-se os tempos; mudam-se os conceitos

Mudam-se os tempos; mudam-se os conceitos

No mês de dezembro, mês húmido e sombrio, aproveitei os raros dias de céu lavado e, de amena temperatura, para almoçar num centro comercial.Após suc

Gente de Opinião Quarta-feira, 4 de março de 2026 | Porto Velho (RO)