Quarta-feira, 4 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Crônica

A Janela dos objetivos


William Haverly Martins - Gente de Opinião
William Haverly Martins

Desde cedo que o nordestino pobre aprende a abrir a janela dos seus objetivos, esperando boas vistas, o que significa dizer boa colheita, sempre dependente de chuvas continuadas, ali ainda não se aprendeu a agricultar sem a água que vem do céu, atendendo a uma mistura de fé e precisão: − Mesmo que seus objetivos estejam lá prá baixa da égua, vale a pena correr atrás deles. Não se agonie e nem esmoreça. Peleje.

No Nordeste poucos acreditam que o homem já pisou na lua e mandou um robô a marte, muito menos que em Israel se planta no deserto. Lua é um brinquedinho de Deus pra enfeitar a Terra, não foi feito pra ser pisada, e deserto é castigo pra ensinar ao homem quem manda no mundo. Mas se a chuva não vier, o jeito é apelar para a ladainha, a procissão e os cânticos pedindo a intercessão de S. José:

Meu divino São José

Aqui estou em vossos pés

Nos dê chuva com abundância

Meu Jesus de Nazaré

Porém se ainda assim a estiagem continua, é coisa do capeta: − mió murchá as orêia, respirá fundo e gritá bem alto aos quatro cantos do descampado: SAAAI! Se ocê merecê, Deus expulsa o diabo e manda chuva. Se ele não mandá, reflita sobre as besteiras do ano passado e jogue no mato os maus pensamentos.

A transposição do São Francisco demorou tanto que o nordestino já está duvidando do custo benefício, mesmo sendo o povo campeão de paciência, não é à toa que eles costumam dizer: − Num se avexe, num se aperreie e nem se agonie. Num é nas carreiras que se esfola um preá.

Pois é, em matéria de fé, paciência, coragem e vontade de vencer, ninguém supera o sofrido povo nordestino, apesar das amarguras, sobrevivem pela esperança de um lugar divino para descansar, após a lida! E assim vivendo eles vão tocando os aperreios, até o fim que é um começo, o local onde estão as vistas finais da janela dos objetivos terrenos.

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 4 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Onde moram as borboletas brancas?

Onde moram as borboletas brancas?

Há casas que nos esperam em silêncio. Não como construções de tijolo, mas como espaços de reencontro. Mudei-me para uma residência que já era minha

Nova corte na aldeia

Nova corte na aldeia

Quando era rapazote ia com meus pais, veranear a pequena povoação do Vale da Vilariça.Depois da janta, familiares e amigos, abancavam-se na escaleir

A morte começa, quando nascemos

A morte começa, quando nascemos

        Tudo passa açodado: passam as horas, passam os dias, passam os anos, e sem percebemos, chega a caduquice, a decadência, a velhice…; e tudo p

Mudam-se os tempos; mudam-se os conceitos

Mudam-se os tempos; mudam-se os conceitos

No mês de dezembro, mês húmido e sombrio, aproveitei os raros dias de céu lavado e, de amena temperatura, para almoçar num centro comercial.Após suc

Gente de Opinião Quarta-feira, 4 de março de 2026 | Porto Velho (RO)