Quarta-feira, 15 de maio de 2024 - 12h00

De todas as janelas abstratas
da vida, a do destino é a que se apresenta com o maior número de vistas
enigmáticas, que vão sendo desvendadas, paulatinamente, ao longo da viagem da
vida, como se fossem vários destinos dentro de um só. Contudo, o sucesso só
fará parte do destino se for construído com atitudes, caráter e uma boa pitada
de sorte, mesmo o oriundo de vias tortuosas.
Há
quem acredite que nada acontece por acaso, como que sugerindo que, no fundo,
todos os acontecimentos tem um plano secreto, com entendimento inalcançável ao
ser humano. Imaginem o destino de milhares de gaúchos, atingidos por mais de
uma enchente, em pouco mais de um ano?! Um destino tão cruel só seria
compreensível por uma irracional ordem cósmica. Cabe ao homem entender sua
insignificância, diante das forças do universo e dos efeitos dos fenômenos
naturais capazes de interferir no destino de milhares, milhões de pessoas.
Acreditar
que, ao nascer, o destino já vem determinado não é uma boa alternativa, como
não é sensato colocar nosso destino nas mãos de Deus. Segundo a doutrina, Deus
nos deu o livre arbítrio, a livre escolha, mas a onisciência é prerrogativa
dele e da fé. O futuro coletivo não só a Deus pertence, pertence à
evolução humana.
A
materialização do destino é pessoal, o será depende de nossas
escolhas, de nossa coragem em identificar, passo a passo, a estrada certa,
diante das encruzilhadas. Aos crentes de todos os naipes, vale lembrar que Deus
só ajuda a quem se autoajuda. Claro que uns sofrerão mais do que outros, porque
vieram ao mundo em regiões diferentes, com DNA diferentes: o sertanejo,
nordestino, morre por falta d’água, o sulista morre por excesso do líquido
precioso. O branco já vem ao mundo com vantagens sobre o preto, daí que o
destino dos dinamarqueses é bem diferente do dos congoleses. Não nos resta
outra opção a não ser aceitar e esperar que os mais sofredores recebam uma
recompensa, pela fé! ainda que seja após a lida.
Melhor
é avançar, desconsiderando os percalços e as pedras no caminho. A literatura e
a filosofia nos ensinam que é doloroso viver pelo amanhã, assim, a alternativa
é viver pelo hoje, tomando como base o passado e ignorando o porvir, mas com
otimismo. Se um acidente, uma tragédia, uma pandemia interferem no seu destino,
paciência!!!
A
janela do destino, que pretende desvendar vistas longe demais, é míope,
experimente lentes para mais perto, como a educação, o esforço pelo sucesso em
uma profissão, assim você poderá produzir vistas de qualidade, como uma boa
família, filhos saudáveis, bons amigos.
Por
outro lado, quando o destino se confunde com a esperança, lembre-se que as
vistas da janela da espera podem ser dolorosas, um verdadeiro martírio… Segundo
Nietsche a esperança é uma tremenda sacanagem da existência, mas é inerente,
ninguém consegue viver sem ela.
O conceito de Destino é antiquíssimo e bastante
difundido, porque compartilhado por todas as filosofias. Impossível ser assimilado
em breve crônica, entretanto, vale lembrar que, às vezes, a jornada é
mais importante do que o destino. As vistas calmantes e vaidosas das janelas da
esperança/destino, enquanto transcendentes e paradisíacas, pairam absolutas,
prioritárias, regidas pelas crenças e pela fé, confortando nosso dia a dia.
Fodam-se as vistas da janela da razão!!!
Quarta-feira, 3 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)
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