Quarta-feira, 29 de maio de 2024 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Crônica

A janela do destino


A janela do destino - Gente de Opinião

      De todas as janelas abstratas da vida, a do destino é a que se apresenta com o maior número de vistas enigmáticas, que vão sendo desvendadas, paulatinamente, ao longo da viagem da vida, como se fossem vários destinos dentro de um só. Contudo, o sucesso só fará parte do destino se for construído com atitudes, caráter e uma boa pitada de sorte, mesmo o oriundo de vias tortuosas.

Há quem acredite que nada acontece por acaso, como que sugerindo que, no fundo, todos os acontecimentos tem um plano secreto, com entendimento inalcançável ao ser humano. Imaginem o destino de milhares de gaúchos, atingidos por mais de uma enchente, em pouco mais de um ano?! Um destino tão cruel só seria compreensível por uma irracional ordem cósmica. Cabe ao homem entender sua insignificância, diante das forças do universo e dos efeitos dos fenômenos naturais capazes de interferir no destino de milhares, milhões de pessoas.

Acreditar que, ao nascer, o destino já vem determinado não é uma boa alternativa, como não é sensato colocar nosso destino nas mãos de Deus. Segundo a doutrina, Deus nos deu o livre arbítrio, a livre escolha, mas a onisciência é prerrogativa dele e da fé. O futuro coletivo não só a Deus pertence, pertence à evolução humana.  

A materialização do destino é pessoal, o será depende de nossas escolhas, de nossa coragem em identificar, passo a passo, a estrada certa, diante das encruzilhadas. Aos crentes de todos os naipes, vale lembrar que Deus só ajuda a quem se autoajuda. Claro que uns sofrerão mais do que outros, porque vieram ao mundo em regiões diferentes, com DNA diferentes: o sertanejo, nordestino, morre por falta d’água, o sulista morre por excesso do líquido precioso. O branco já vem ao mundo com vantagens sobre o preto, daí que o destino dos dinamarqueses é bem diferente do dos congoleses. Não nos resta outra opção a não ser aceitar e esperar que os mais sofredores recebam uma recompensa, pela fé! ainda que seja após a lida.

Melhor é avançar, desconsiderando os percalços e as pedras no caminho. A literatura e a filosofia nos ensinam que é doloroso viver pelo amanhã, assim, a alternativa é viver pelo hoje, tomando como base o passado e ignorando o porvir, mas com otimismo. Se um acidente, uma tragédia, uma pandemia interferem no seu destino, paciência!!!

A janela do destino, que pretende desvendar vistas longe demais, é míope, experimente lentes para mais perto, como a educação, o esforço pelo sucesso em uma profissão, assim você poderá produzir vistas de qualidade, como uma boa família, filhos saudáveis, bons amigos.

Por outro lado, quando o destino se confunde com a esperança, lembre-se que as vistas da janela da espera podem ser dolorosas, um verdadeiro martírio… Segundo Nietsche a esperança é uma tremenda sacanagem da existência, mas é inerente, ninguém consegue viver sem ela.

O conceito de Destino é antiquíssimo e bastante difundido, porque compartilhado por todas as filosofias. Impossível ser assimilado em breve crônica, entretanto, vale lembrar que, às vezes, a jornada é mais importante do que o destino. As vistas calmantes e vaidosas das janelas da esperança/destino, enquanto transcendentes e paradisíacas, pairam absolutas, prioritárias, regidas pelas crenças e pela fé, confortando nosso dia a dia. Fodam-se as vistas da janela da razão!!!   

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 29 de maio de 2024 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Meu tipo inesquecível

Meu tipo inesquecível

Chamava-se Anselmo. Anselmo Tavares. Era católico e nascera em Macieira de Cambra.Frequentara, na adolescência, o Seminário; não no intento de singr

A oportunidade da catástrofe

A oportunidade da catástrofe

“A peste do Governo é a irresolução [...] muitas ocasiões há tido o Brasil de se restaurar, muitas vezes tivemos o remédio quase entre as mãos, mas

Sapatos novos

Sapatos novos

Saí de casa levando o par de sapatos para reformar. Por muito tempo deixei aqueles sapatos no armário como uma relíquia, um troféu. Minha mulher che

O menino e o rato

O menino e o rato

Vivia naquela mansão desde o nascimento. A casa, cujo caseiro era seu pai, tinha um terreno que ocupava toda uma quadra e que era, para ele, um eter

Gente de Opinião Quarta-feira, 29 de maio de 2024 | Porto Velho (RO)