Quarta-feira, 4 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Crônica

A Chuva que cai lá fora


Fátima Ferreira Santos  - Gente de Opinião
Fátima Ferreira Santos

A chuva cai torrencialmente dos céus. Há muito tempo não ouvia o cantar dos insetos que felizes entoam seus cantares depois das chuvas. São sinfonias de vários tons. Lembrei-me da infância.  Do quanto era bom o banho de chuva sem medo de resfriar; correr à procura das biqueiras mais fortes; chutar as poças de água; andar pela rua de braços abertos olhando os pingos da chuva cair e formar bolhas e escorrer pelas calçadas. Essa é uma boa e terna lembrança da minha infância. Talvez a melhor delas. Ouço os gatos miando nos telhados molhados. Será o gato de botas? Indago. Ele já não chora o lamento dos abandonados e fico pensado que é por causa das pequenas porções de amor e comida que dou para ele; do carinho que faço em sua cabeça peluda. Eu amo o gato de botas e ele já reconhece minha voz e vem ao meu encontro ainda com receio de ser maltratado. Os grilos cantam e os sapos respondem nas lagoas a festança da chuva. Já é quase sábado e as águas de março encontraram o outono. Tem carnaval na Páscoa. Tem copa do mundo e eleição para Presidente nesse nosso país gigante. Tem guerra do outro lado do mundo! Tem gente com fome bem aqui perto. Panela sem comida e fogão sem gás. Tem carro parado sem gasolina; cenoura fora das mesas; casais se desapaixonando e sonho com direito a nave espacial. E a vida segue sem parar e daqui da minha rede escrevo para não deixar de pensar que ali na esquina com cantos de grilos e sapos a noite acontece com chuvas e lembranças e vontade de amar.

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 4 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Onde moram as borboletas brancas?

Onde moram as borboletas brancas?

Há casas que nos esperam em silêncio. Não como construções de tijolo, mas como espaços de reencontro. Mudei-me para uma residência que já era minha

Nova corte na aldeia

Nova corte na aldeia

Quando era rapazote ia com meus pais, veranear a pequena povoação do Vale da Vilariça.Depois da janta, familiares e amigos, abancavam-se na escaleir

A morte começa, quando nascemos

A morte começa, quando nascemos

        Tudo passa açodado: passam as horas, passam os dias, passam os anos, e sem percebemos, chega a caduquice, a decadência, a velhice…; e tudo p

Mudam-se os tempos; mudam-se os conceitos

Mudam-se os tempos; mudam-se os conceitos

No mês de dezembro, mês húmido e sombrio, aproveitei os raros dias de céu lavado e, de amena temperatura, para almoçar num centro comercial.Após suc

Gente de Opinião Quarta-feira, 4 de março de 2026 | Porto Velho (RO)