Terça-feira, 2 de abril de 2013 - 08h05
.jpg)
MONTEZUMA CRUZ
Editor de Amazônias
Percebi no tempo em que trabalhei no Maranhão que sua gente é pacata, mas não foge da raia. Vi na prática uma das leis de Newton: para toda ação sempre há uma reação.
Pertencente à família Maranhão – que coincidência! – o Grupo Pernambucano tinha sede em Recife (PE), era temido na região de Caxias e não tinha dó de ninguém. Liderado por Romero Costa Albuquerque Maranhão, expulsava posseiros com a guarnição da Polícia Militar, mesmo sem mandado judicial, como ocorria em Rondônia, uma década antes. Eles detinham posses de dez, 20 e 35 anos.
Assim ocorreu em fevereiro de 1987 com 42 famílias que viviam em uma parte da Fazenda Caxirimbu, a dez quilômetros da sede daquele município na divisa com o Piauí. O Ministério da Reforma e Desenvolvimento Agrário (Mirad) pretendia desapropriar 2,5 mil hectares, após ouvir a Superintendência do Incra no Maranhão.
Fazendeiros reagiram, despejando famílias à força, dando sequência a uma operação-limpeza iniciada um mês antes pelos jagunços da fazenda e, por incrível que pareça, na presença de uma equipe do próprio Incra, que havia aprovado o levantamento feito pela Comissão Estadual de Reforma Agrária.
Na edição de sábado, 28 de fevereiro de 1987, 1º caderno, pág. 5, o JB estampava o meu relato. Parte dele:

Jagunços expulsam posseiros de fazenda no Maranhão
São Luís –Os coronéis PM Daniel e Xavier, diversos subordinados seus e agentes da Polícia Civil estão envolvidos na expulsão das famílias da Fazenda Caxirimbu. Nas duas Varas Cíveis da Comarca de Caxias, a equipe do Incra constituída por quatro servidores, não encontrou mandados judiciais contra posseiros da região, à exceção de um interdito proibitório da Fazenda Rio Largo, que até 20 de fevereiro não havia sido julgado.
Capangas e policiais arrancaram as portas das casas dos ocupantes de uma parte da Fazenda Caxirimbu, esparramando utensílios e produtos das famílias, para obrigá-las a aceitar irrisórias indenizações, algumas de dez mil cruzados a 12 mil cruzados. E sob ameaças: ou aceitavam, saindo nas datas estipuladas, ou morreriam, conforme revelou ontem um advogado do Incra que esteve no local. Uma mãe despejada chorava com os filhos e netos criados naquelas terras.
Antes do despejo da semana passada houve uma reunião dos capangas da fazenda, policiais militares armados e posseiros informou o diretor de recursos fundiários do Incra, Marcos Kowarick.
Na Agropecuária Rio Largo, os jagunços destruíram o povoado de Quilombo. No povoado conhecido por Central, depois de destruir lavouras de mandioca, melancia, maxixe, milho e feijão, os empregados dos fazendeiros semearam capim, de avião.
Segunda-feira, 26 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)
Direita chama esquerda na USP, e o parto urbanístico de Rondônia saiu muito bem
Saudoso geógrafo Milton Santos, da Universidade de São Paulo (USP), é um personagem pouco conhecido na história de Rondônia. Pudera, ele trabalhava

Da infância à beira do Rio Madeira, Ana Mendes mostra hoje a luta de comunidades tradicionais
Ana Mendes, filha da jornalista Cristina Ávila e do falecido professor Valter Mendes (do Colégio Carmela Dutra), expõe “Quem é pra ser já nasce”, co

Bons ares para 2026 se devem a modelo que deu certo na Biblioteca Francisco Meirelles
A equipe da Biblioteca Municipal Francisco Meirelles ingressou com muito ânimo em 2026. Apesar do avanço voraz das tecnologias digitais, ainda prosp

5º BEC muda Comando consolidando obras e missões amazônicas
O 5º Batalhão de Engenharia de Construção do Exército Brasileiro tem novo comandante desde o início deste mês de dezembro: deixou o posto o coronel
Segunda-feira, 26 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)