Quinta-feira, 19 de março de 2026 - 15h50

Na antevéspera das
eleições gerais no País, o Governo de Rondônia fará a primeira arrecadação “sumária
e administrativa” de terras devolutas após a consolidação de projetos
fundiários e de colonização iniciados em 1970 e concluídos no início da década
de 1980 pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).
Para esse serviço inédito,
a Secretaria Estadual de Patrimônio e Regularização Fundiária (Sepat)
constituiu uma comissão de oito servidores técnicos*.
Desde 2022, o governo
estadual mantém convênio com o INCRA, para cuja superintendência estadual cede
funcionários da Sepat que trabalham no reconhecimento da atual situação
fundiária no estado.
16,1 MILHÕES DE HECTARES
Levantamento preliminar da
Inteligência Territorial sobre as Terras da União no estado indica a existência
de aproximadamente 16,1 milhões de hectares de glebas. O diagnóstico aponta 79
glebas, das quais, 65 com georreferenciamento de perímetro e 14 sem, abrangendo
áreas arrecadadas.
Até então, a maior
arrecadação de terras devolutas em Rondônia ocorreu no período territorial.
Conforme lembra o advogado Amadeu Matzembacher Machado, o INCRA, onde
trabalhou, arrecadou 1 milhão e 200 mil hectares de antigos seringalistas. Esse
volume pertencia ao total de 22 milhões e 800 mil de terras devolutas que
Rondônia possuía até 1976.
INSTITUTO DE TERRAS SEGUE
MISTERIOSO
Em nenhuma linha, a Portaria
nº 64, de 10 de março de 2026, publicada no Diário Oficial Eletrônico menciona
o Instituto de Terras do Estado de Rondônia (Iteron), que, embora criado com
aprovação da Assembleia Legislativa, nunca prestou contas do que fez, nem são
conhecidos seus diretores.
Assinado pelo diretor
executivo da Sepat, Davi Machado Alencar, o documento assinala que a Lei
Estadual nº 214, de 30 de novembro de 1988 dispõe sobre terras públicas,
disciplinando sua ocupação. Informa, ainda, que o Decreto nº 30.746, de 7 de
outubro de 2025, dá outras providências; e a Instrução Normativa nº 1, de9 de
março de 2026 estabelece procedimento para arrecadação.
A Sepat não estima o atual
volume de terras públicas, nem o custo desses levantamentos. Legalmente, o
governo deverá iniciar a arrecadação, matricular as terras no regime de
imóveis, e em seguida regularizar posses antigas.
“Promover assentamentos
com políticas públicas”
Estranhamente, o Portal da
Transparência do Governo de Rondônia não inclui o Iteron entre os órgãos
públicos (Governadoria, Casas Civil e Militar, Secretarias, Superintendências,
Fundações e institutos) que prestam contas de seus atos.
Outros dois institutos
figuram nos atos do DIOF: Instituto Estadual de Desenvolvimento da Educação
Profissional (Idep) e Instituto de Pesos e Medidas (Ipem)
Em 2025, um decreto
orçamentário em setembro mencionou a abertura de um crédito adicional
suplementar no valor de R$ 57,3 mil “para reforço de dotações.”
Até 2024, o Ministério
Público Federal trabalhava em 67 procedimentos relacionados à reforma agrária e
questões fundiárias de ocupação e grilagem de terras públicas em Rondônia.
A Lei 1.180 de 14 de março
de 2023 criou o ITERON com a seguinte Redação:
Subseção I
Do Instituto de Terras do
Estado de Rondônia – ITERON
Art. 111-B. Fica criado o
Instituto de Terras do Estado de Rondônia – ITERON, autarquia estadual
vinculada à Secretaria de Estado de Patrimônio e Regularização Fundiária –
SEPAT, dotado de autonomia administrativa e financeira, regido por esta
Lei Complementar e por seu regimento interno, aprovado mediante Decreto do
Poder Executivo, competindo-lhe:
I – Promover a
discriminação administrativa das terras localizadas na área rural de seu
território;
II – Reconhecer as pessoas
legítimas e destinar as terras apuradas, arrecadadas e incorporadas ao
patrimônio imobiliário do Estado de Rondônia, de forma a promover a
democratização do acesso à terra e fixação do homem no campo;
III – realizar,
bienalmente, a avaliação das terras devolutas e do patrimônio do Estado,
agrupadas nas respectivas regiões, atribuindo valoração uniforme a cada lote,
respeitando as especificidades;
IV – Promover a
formalização e tramitação, em tempo razoável, de processos administrativos que
visem à expedição de licenças de ocupação, títulos provisórios e definitivos,
com chancela do Governador do estado de Rondônia;
V – Coordenar a elaboração
e a implementação dos planos de regularização fundiária rural por meio de
convênio e/ou outros instrumentos;
VI – Promover, em conjunto
com demais órgãos ou entidades, apoio técnico, social e ambiental aos
assentados nos programas do Estado, para implementação de políticas públicas de
desenvolvimento agrícola e preservação ambiental; e nacionais ou
internacionais, para execução de suas finalidades e competências.
____
* São integrantes da Comissão Permanente de Arrecadação de
Terras: Ilenon Reis Barroso Ribeiro, presidente da Comissão, membro da
Coordenadoria de Regularização Fundiária Rural na Sepat; Felipe Costa Andrighi
e Tâmara Katiele Soares Oliveira, da mesma Coordenadoria; Carlos Alexandre
Lourenço, Guiherme Lira Souto e Clebson Vasconcelos Pinheiro, todos da Gerência
de Sensoreamento e Cartografia; Caroline Braga de Almeida, da Gerência de
Obtenção e Acervo Fundiário; e Márcio Fábio Alves da Silva Júnior, da Assessoria
Técnica.
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