Quinta-feira, 28 de abril de 2016 - 18h10
Conhecido internacionalmente e hoje imprescindível à saúde pública em Porto Velho pelo modelo e pela eficácia dos seus serviços, o Serviço de Assistência Multidisciplinar Domiciliar (Samd) redobrou o socorro às vítimas de balas de revólver, dependentes químicos e acidentados com moto.
De 180 pacientes atendidos no ano passado, o Samd passou para 235, todos fora de sua sede. Essa unidade da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) não funciona como de saúde, tampouco é um pronto-socorro, mas é procurada por causa do alto índice de violência em Porto Velho.
A cada semana ocorrem, em média, dois a quatro assassinatos na Capital e, a pedido da família ou da direção hospitalar, sobreviventes recebem atendimento em casa.
Não significa que seja essa a função desse órgão da Sesau, porém, a realidade lhe impôs a sobrecarga de trabalho.
Feridas complexas que exigem curativos diários, inclusive nos fins de semana; oxigenoterapia domiciliar; ostomizados que ingerem medicamentos via oral de 15 em 15 dias; pacientes com necessidade de remédios aplicáveis de 12 em 12 horas e carentes de nutrição enteral e suplementos constituem a clientela do Samd, que é mais procurado por pessoas das zonas sul e leste.
Em situações de promiscuidade, quando até a família desconhece a real necessidade de dependentes químicos em abstinência, são os funcionários do Samd que resolvem o problema. “É a situação do fechar e abris os olhos, acordar e dormir, sem que a família saiba o que fazer. A gente entra e aí, nossa presença é fundamental”, explica a enfermeira Maria José Micheletti.
Os Caps [Centro de Atenção Psicossocial] encaminham pacientes ao Samd. E o Centro de Reabilitação de Rondônia [Cero] oferece cadeiras de roda, cadeiras de banho, andadores, muletas canadenses, meios de locomoção utilizados por diversos tipos de pacientes, da vítima de AVC ao infartado, acidentado no trânsito ou de tiroteio.
As equipes que se reúnem diariamente, entre 7h e 7h30, são as mesmas – cada uma com 4 técnicos de enfermagem, um enfermeiro e um médico –, mas os serviços aumentaram até para os motoristas que percorrem cerca de 500 quilômetros por dia.
SEQUELAS NEUROLÓGICAS
“Quando se trata de sequelas neurológicas de baleados, por exemplo, cuidamos dele até a estabilização, ou mesmo até a morte, quando ela vem”, relata a assistente social Sâmia Rocha. Pernambucana de Recife, ela se lembra dos nomes e coleciona fotos das vítimas de ferimentos, entre os quais, provocados por armas de fogo.
Vítimas de tiros amparados pelo Samd, em seguida são entregues aos cuidados do Programa Saúde da Família no âmbito da Prefeitura Municipal de Porto Velho.
Desde o início do programa, a cidade está dividida em quatro bases territoriais atendidas pelas equipes Açaí, Buritis, Jatobá e Samaúma.
Além dos seis integrantes de cada equipe, trabalham na sede do Samd, no Bairro Cidade Nova [zona Sul], três fisioterapeutas, uma assistente social, duas nutricionistas e uma psicóloga. O laboratório usado por esses profissionais é o da Assistência Médica Intensiva, atendido por um técnico nesse mesmo local.
“Duas vezes por semana também visitamos a Casa do Ancião São Vicente de Paulo, aplicando medicamentos antibióticos, anti-hipertensivos, remédios contra diabetes e vitamínicos”, ela informou.
A chamada territorialização não contempla a zona rural, entretanto, a equipes têm atendido pacientes na Estrada da Penal e no Km 13 da rodovia BR-364, sentido Candeias do Jamari.
“Mesmo com dificuldades, sejam quais forem, o Samd não pode parar”, compromete-se Sâmia Rocha.
As equipes incluíram no roteiro diário a Casa da Família Rosetta, onde a paciente mais nova tem três anos de idade e a mais velha, 38.
No ano passado, o médico coordenador do programa, Leonardo Moreira Pinto, já desafogava o Hospital João Paulo II, cumprindo a meta de redução de pacientes da área urbana internados em Porto Velho.
Quatro anos atrás, em 2012, numa das fases críticas de superlotação do João Paulo II, pessoas necessitadas de cirurgias ortopédicas foram transferidos para o Hospital Santa Marcelina, na BR-364. Aqueles em recuperação do pós-operatório aguardavam mutirões sob acompanhamento diário do Samd.
Quando o paciente tem alta prévia e se enquadra dentro dos critérios do Samd, a médica vai até o hospital e o acolhe, dentro da filosofia do programa federal “Melhor em Casa”. “A rotatividade de leitos continua importante, é o ideal”, diz Sâmia Rocha.
Saiba mais:
Equipes do SAMD percorrem 500 quilômetros por dia para desafogar hospitais
Fonte
Texto: Montezuma Cruz
Fotos: Maicon Lemes e Esio Mendes
Secom - Governo de Rondônia
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