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Montezuma Cruz

Muito antes do Abunã ser Amazônia, preguiças gigantes habitavam cavernas


Muito antes do Abunã ser Amazônia, preguiças gigantes habitavam cavernas - Gente de Opinião

Preguiças gigantes teriam também habitado a região amazônica ocidental brasileira /Varievo.com

Montezuma Cruz
 

Preguiças gigantes teriam vivido na região que veio ser a Ponta do Abunã. Ainda neste semestre, o Serviço Geológico do Brasil – Companhia de Pesquisas em Recursos Minerais (CPRM) – irá pesquisar possíveis paleotocas, fenômenos encontrados em diversos estados brasileiros.
 

Muito antes do Abunã ser Amazônia, preguiças gigantes habitavam cavernas - Gente de Opinião
Amilcar Adamy: mais uma viagem para resgatar a realidade milenar do Abunã /Admilson Knightz

“Se o resultado for convincente, Rondônia será a primeira referência amazônica no assunto. Nossa expectativa é grande”, diz o geólogo Amilcar Adamy, 64 anos. Ele se dedica à pesquisa mineral e geológica em Rondônia desde 1972 e agora contará com o apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
 

Paleotocas são tocas cavadas por animais extintos que também viviam em abrigos subterrâneos. Preguiças gigantes alcançavam até seis metros de altura e viveram há mais de 30 milhões de anos.
 

A programação de Adamy para este ano inclui novidades: ao mesmo tempo em que procurar vestígios de preguiças gigantes a cinco quilômetros de Vista Alegre do Abunã e a 250 Km de Porto Velho, ele estudará ocorrências da pedra-jacaré (rocha ferruginosa) em cavernas. Muito comum em algumas áreas da região amazônica, essa pedra é usada para fazer alicerces de casas em Porto Velho.
 

A região em estudo é antiga, conhecida da CPRM. Conforme cadernetas de campo de Adamy, datadas de 1988, o Projeto Porto Velho-Abunã chegou à Serra da Muralha. Desta vez, o serviço geológico poderá revelar vestígios da presença de animais extintos. “Lá estive, acompanhado por dois braçais. Percorremos o local, observamos o muro de pedra circundando as elevações desprovidas de vegetação”, conta.
 

A Serra da Muralha situa-se a 140 metros acima do nível do mar, está edificada com lajotas circulares em uma aérea de 11,3 mil m². Acredita-se que na região tenha existido avançada civilização pré-colombiana ou mesmo pré-diluviana.
 

A pesquisa de possíveis paleotocas unirá os saberes gaúchos nas áreas geológica, paleontológica e arqueológica em estados amazônicos, notadamente Acre e Rondônia. A UFRGS desenvolve há algum tempo o Projeto Paleotocas, que estuda minuciosamente restos de abrigos subterrâneos de animais pré-históricos.

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Paleocas: restos de abrigos subterrâneos de animais pré-históricos /Foto UFRGS

Abrigo subterrâneo é um complexo de túneis e câmaras interconectados, desenvolvendo-se em vários ‘andares’, com várias entradas e saídas para a superfície. Os túneis sobem e descem dentro da montanha. Os túneis individuais podem alcançar 100 metros de comprimento e o abrigo, como um todo, tem um raio de pelo menos 100 metros.
 

Segundo estudos da UFRGS, quando uma escavação expõe restos de um abrigo subterrâneo, alguns túneis são encontrados abertos (e chamados de paleotocas) enquanto a maioria dos túneis é encontrada preenchida por areias e argilas que foram lavadas para dentro pelas águas da chuva (e que serão chamadas de crotovinas).
 

Em Santa Catarina, alguns túneis apresentam um terceiro tamanho, de apenas 80 centímetros. Somando os comprimentos individuais dos túneis que compõem um abrigo subterrâneo, chega-se facilmente a 100 ou 200 metros. Nos estados de São Paulo e Paraná elas são muito raras.

PARAÍSO DE MAMÍFEROS
 

❶Rondônia é riquíssima em macacos. No início dos anos 2000, o Parque Estadual de Corumbiara revelou, revestidos pela vegetação natural, 57 espécies de mamíferos e 173 espécies de aves.
 

❷Na zona de transição entre os cerrados do Pantanal mato-grossense e a floresta amazônica, vivem nesse parque oito espécies de primatas, incluindo o barrigudo (Lagothrix lagotricha), o cuxiú (Chiropotes albinasus) e o quatá (Ateles chamek); duas de guaribas, uma das quais, a última característica de cerradões e florestas semidecíduas.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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