Sábado, 12 de setembro de 2009 - 11h16
Evo Morales prometeu a Lula manter família as famílias no País, mas jornalistas bolivianos dizem que expulsão é certa
ALEXANDRE LIMA
CHICO ARAÚJO e
MONTEZUMA CRUZ
Agência Amazônia
BRASILÉIA, AC – Mesmo tendo assumido o compromisso o governo brasileiro, o presidente da Bolívia, Evo Morales, não deverá recuar da decisão de expulsar cerca de 1, 5 mil famílias de brasileiros que vivem há mais de 30 anos em seringais do país vizinho na região de fronteira com o Acre e Rondônia. Os indícios do não cumprimento do acordo, firmado há duas semanas no Acre, quando Lula se encontrou com Morales, foram levantados esta semana por jornalista da cidade de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.
Pela segunda vez em dois meses, a Frente Parlamentar Brasil-Bolívia cancelou uma viagem a La Paz, para discutir o atraso na conclusão do censo migratório no Pando. Os deputados Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Fernando Melo (PT-AC) e Sérgio Oliveira "Petecão" (PMN-AC) estavam com malas prontas para a viagem, na quinta-feira, e receberam a comunicação da presidência da Câmara, de que o governo boliviano preferia recebê-los noutra oportunidade. A Âgência Amazônia apurou que Evo Morales pretende eleger dois senadores no Pando, para minar a resistência de seus opositores. Mais preocupado com a representação política que lhe seja favorável, não perderia tempo em receber uma delegação de políticos brasileiros.
Segundo os jornalistas bolivianos, o prazo fixado pelo governo Evo Morales para a saída dos brasileiros é o mês de outubro. As famílias brasileiras alvo de expulsão vivem em seringais e pequenas propriedades da Bolívia, numa faixa de 50 quilômetros na área fronteiriça com o Acre e Rondônia. Esses brasileiros trabalham basicamente na coleta de castanha e na produção de borracha.
Até o final do mês de agosto passado, o clima ficou tenso depois que agentes do governo Evo Morales passaram a 'visitar' os colonos para adverti-los que deveriam sair das localidades levando apenas o que pudessem. Políticos do Acre, principalmente, passaram a cobrar ações enérgicas por parte de autoridades do Brasil. Nas áreas hoje ocupadas por brasileiros, Evo Morales pretende assentar colonos e plantadores de coca vindo de outras regiões bolivianas.
Terras a plantadores de coca
Na última visita de Lula ao Acre, mês passado, parlamentares levaram os problemas até o presidente. A questão foi tratada durante o encontro entre os dois chefes de Estado. Do lado brasileiro, os jornais destacaram que havia sido selado um acordo com a Bolívia e, por conta disso, as expulsões das famílias brasileiras não mais aconteceriam. Conteúdo, segundo jornalistas de Santa Cruz, o governo de Evo Morales continuaria como firme propósito de retirar os brasileiros do território boliviano até outubro.
As terras ocupadas pelas famílias brasileiras serão doadas a camponeses trazidos de regiões centrais da Bolívia, entre as quais o Chapare, principal produtora da planta de coca, que por sua vez, são transformadas em cocaína. Esses camponeses estão sendo jogados no meio da selva e já estão denunciando o descaso por não estarem recebendo nenhuma ajuda.
Com a proximidade da eleição, marcada para dia 6 de dezembro, a intenção de Morales é transferir cerca de quatro mil camponeses para a região de Pando. A transferência acontecerá até novembro. A doação das terras aos camponeses é um trunfo eleitoral para Evo Morales garantir sua reeleição.
► Brasileiros ameaçados de expulsão na Bolívia ganham apoio em Brasília
► Cocaleiros bolivianos ameaçam Acre e Rondônia
Fonte: Montezuma Cruz - A Agênciaamazônia é parceira do Gentedeopinião
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