Domingo, 25 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Montezuma Cruz

Mesmo com acordo, Bolívia pode expulsar brasileiros


 
Evo Morales prometeu a Lula manter família as famílias no País, mas jornalistas bolivianos dizem que expulsão é certa 


ALEXANDRE LIMA
CHICO ARAÚJO
e
MONTEZUMA CRUZ
Agência Amazônia



BRASILÉIA, AC – Mesmo tendo assumido o compromisso o governo brasileiro, o presidente da Bolívia, Evo Morales, não deverá recuar da decisão de expulsar cerca de 1, 5 mil famílias de brasileiros que vivem há mais de 30 anos em seringais do país vizinho na região de fronteira com o Acre e Rondônia. Os indícios do não cumprimento do acordo, firmado há duas semanas no Acre, quando Lula se encontrou com Morales, foram levantados esta semana por jornalista da cidade de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.

Pela segunda vez em dois meses, a Frente Parlamentar Brasil-Bolívia cancelou uma viagem a La Paz, para discutir o atraso na conclusão do censo migratório no Pando. Os deputados Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Fernando Melo (PT-AC) e Sérgio Oliveira "Petecão" (PMN-AC) estavam com malas prontas para a viagem, na quinta-feira, e receberam a comunicação da presidência da Câmara, de que o governo boliviano preferia recebê-los noutra oportunidade. A Âgência Amazônia apurou que Evo Morales pretende eleger dois senadores no Pando, para minar a resistência de seus opositores. Mais preocupado com a representação política que lhe seja favorável, não perderia tempo em receber uma delegação de políticos brasileiros.

Segundo os jornalistas bolivianos, o prazo fixado pelo governo Evo Morales para a saída dos brasileiros é o mês de outubro. As famílias brasileiras alvo de expulsão vivem em seringais e pequenas propriedades da Bolívia, numa faixa de 50 quilômetros na área fronteiriça com o Acre e Rondônia. Esses brasileiros trabalham basicamente na coleta de castanha e na produção de borracha.

Até o final do mês de agosto passado, o clima ficou tenso depois que agentes do governo Evo Morales passaram a 'visitar' os colonos para adverti-los que deveriam sair das localidades levando apenas o que pudessem. Políticos do Acre, principalmente, passaram a cobrar ações enérgicas por parte de autoridades do Brasil. Nas áreas hoje ocupadas por brasileiros, Evo Morales pretende assentar colonos e plantadores de coca vindo de outras regiões bolivianas. 


Terras a plantadores de coca


Na última visita de Lula ao Acre, mês passado, parlamentares levaram os problemas até o presidente. A questão foi tratada durante o encontro entre os dois chefes de Estado. Do lado brasileiro, os jornais destacaram que havia sido selado um acordo com a Bolívia e, por conta disso, as expulsões das famílias brasileiras não mais aconteceriam. Conteúdo, segundo jornalistas de Santa Cruz, o governo de Evo Morales continuaria como firme propósito de retirar os brasileiros do território boliviano até outubro.

As terras ocupadas pelas famílias brasileiras serão doadas a camponeses trazidos de regiões centrais da Bolívia, entre as quais o Chapare, principal produtora da planta de coca, que por sua vez, são transformadas em cocaína. Esses camponeses estão sendo jogados no meio da selva e já estão denunciando o descaso por não estarem recebendo nenhuma ajuda.

Com a proximidade da eleição, marcada para dia 6 de dezembro, a intenção de Morales é transferir cerca de quatro mil camponeses para a região de Pando. A transferência acontecerá até novembro. A doação das terras aos camponeses é um trunfo eleitoral para Evo Morales garantir sua reeleição. 

Brasileiros ameaçados de expulsão na Bolívia ganham apoio em Brasília

► Cocaleiros bolivianos ameaçam Acre e Rondônia 

Fonte: Montezuma Cruz - A Agênciaamazônia é parceira do Gentedeopinião

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Gente de OpiniãoDomingo, 25 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Direita chama esquerda na USP, e o parto urbanístico de Rondônia saiu muito bem

Direita chama esquerda na USP, e o parto urbanístico de Rondônia saiu muito bem

Saudoso geógrafo Milton Santos, da Universidade de São Paulo (USP), é um personagem pouco conhecido na história de Rondônia. Pudera, ele trabalhava

Da infância à beira do Rio Madeira, Ana Mendes mostra hoje a luta de comunidades tradicionais

Da infância à beira do Rio Madeira, Ana Mendes mostra hoje a luta de comunidades tradicionais

Ana Mendes, filha da jornalista Cristina Ávila e do falecido professor Valter Mendes (do Colégio Carmela Dutra), expõe “Quem é pra ser já nasce”, co

Bons ares para 2026 se devem a modelo  que deu certo na Biblioteca Francisco Meirelles

Bons ares para 2026 se devem a modelo que deu certo na Biblioteca Francisco Meirelles

A equipe da Biblioteca Municipal Francisco Meirelles ingressou com muito ânimo em 2026. Apesar do avanço voraz das tecnologias digitais, ainda prosp

5º BEC muda Comando consolidando obras e missões amazônicas

5º BEC muda Comando consolidando obras e missões amazônicas

O 5º Batalhão de Engenharia de Construção do Exército Brasileiro tem novo comandante desde o início deste mês de dezembro: deixou o posto o coronel

Gente de Opinião Domingo, 25 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)