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Montezuma Cruz

'Beiradão urbano', a Amazônia dos pobres de Jimmy Christian


'Beiradão urbano', a Amazônia dos pobres de Jimmy Christian - Gente de Opinião
Na periferia de Manaus, a fonte de inspiração que se transformou em obrigação: mostrar a vida dos beiradeiros /ÁLBUM DE JIMMY CHRISTIAN
 
 
MONTEZUMA CRUZ
Amazônias
 
BRASÍLIA – Duas crianças enfiadas em baldes plásticos, a menina ao lado de um cartaz esfarrapado da campanha política de algum candidato, um cão, um casebre. O cenário da cheia é comum em Manaus, mas enche os olhos de qualquer pessoa disposta a deixar por um minuto o mundo globalizado e penetrar na realidade periférica da capital do Estado do Amazonas.
 
Aos 37 anos, Jimmy Christian Pessoa Maciel começou a trabalhar no jornal A Crítica em 2003, sempre captando o cotidiano de Manaus com olhar de quem procura elementos desta cidade cabocla e indígena.
 
“Beiradão urbano”, em preto e branco, foi o nome escolhido para o ensaio fotoetnográfico que apresentará a partir desta quinta-feira, oito de abril, no Centro Cultural Palácio da Justiça. Paralelamente, a Secretaria de Cultura promove a mostra “Anauê”, de Ruth Jucá.
 
“Beiradão Urbano”, de Jimmy Christian foi um dos projetos contemplados no edital de programação 2008. São 15 fotos do cotidiano e toda a peculiaridade de um povo vindo do interior do Estado do Amazonas para a capital.
 
— Investigo os elementos com os quais o homem amazônico beiradeiro que vive nas margens dos principais igarapés no centro da cidade de Manaus constrói os traços de sua identidade — explica Maciel.
 
As características da vida dessa gente, seu modo de sobrevivência e suas percepções de mundo permeado pela água estão bem nítidas no trabalho que “Beiradão urbano” mostrará.
 
Seca, cheia e transformações
 
'Beiradão urbano', a Amazônia dos pobres de Jimmy Christian - Gente de Opinião

Nuvens, correnteza e o salto do menino para apanhar a bola distante dele / JIMMY CHRISTIAN

A baixa e a cheia dos rios impressionam. Em meados de outubro, no período da cheia, o Rio Negro alcança a sua cota mínima e em meados de junho, a máxima. Aí tudo se altera na paisagem ribeirinha.
 
Essas transformações antecedem ou acompanham a fotografia feita por Maciel, cujo interesse pela fotografia vem desde os anos 1990. Seu olhar de nativo chegou ao banco da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas, onde estudou. Nos anos 2000 o trabalho de Maciel começou a ser reconhecido. E premiado também (lista no final do texto).
No vaivém pelo beiradão, Maciel notou uma peculiaridade dessa população é que ela é composta majoritariamente de migrantes vindos do interior do Estado do Amazonas, apresentando fortes característica étnica cultural.
 
Maciel cursou fotografia no Senac e não largou mais. No curso de ciências sociais obteve nota máxima da bancada com a tese de monografia que leva o nome da exposição "Beiradão Urbano".
 
— Apesar das dificuldades, só agora estou conseguindo expor o trabalho que considero o mais profundo: uma visão clássica, porém, marcante de uma sociedade que passa despercebida aos olhos desse mundão cibernético e globalizado — diz, satisfeito.
 

PRÊMIOS 
 
'Beiradão urbano', a Amazônia dos pobres de Jimmy Christian - Gente de Opinião
Pequeno agricultor leva saco de arroz ao barco, numa das margens do Rio Envira. Esta foto não está na Exposição / JIMMY CHRISTIAN
2004 — Fundou o Núcleo de Antropologia Visual do Amazonas (NAVI), por orientação da Doutora Selda Vale.
 
2005 — Foi finalista do 3° Concurso Cultural Fotográfico Leica-Agfa Fotografe, vencendo o 5° Prêmio ONIP (Organização Nacional da Indústria do Petróleo e Gás Natural), com a matéria “Aberta nova frente de exploração em Coari”, em A Crítica.  Ainda em 2005 promoveu a 1ª  exposição no encontro da Associação Brasileira dos Antropólogos Norte e Nordeste, na Universidade Federal do Amazonas com o tema: “Margeando”. Promoveu ainda “Aparas do dia”, na galeria Moacir de Andrade.
 
2006 — Concluiu o curso de Ciências Sociais pela Universidade Federal do Amazonas, com a tese “Beiradão Urbano”: uma fotoetnografia dos igarapés de São Raimundo e Cachoeira Grande. Abordou o cotidiano da comunidade ribeirinha que vive no grande centro urbano de Manaus. Venceu o concurso Assembléia Legislativa do Amazonas. Expôs na 2ª Mostra de filme etnográfico do espaço Ideal Clube com o tema “Ritual da Tukandeira”.  
 
2009 — Venceu o Foto ArteBrasília, na categoria Antropologia e Cultura.
 
2010 — Recebeu homenagem do Clube de fotografia “A escrita da luz”. Foi destaque “Melhor fotógrafo do Amazonas de 2009”.
 
 
SERVIÇO
 
Centro Cultural Palácio da Justiça
Avenida Eduardo Ribeiro nº 833 Manaus (AM)
bpublica@culturamazonas.am.gov.br
Telefone: (92) 3248-1844
 
 
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