Porto Velho (RO) sábado, 26 de maio de 2018
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Montezuma Cruz

Agevisa recomenda máximo de cuidado com o tétano


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Cacique Bernardo recebe a vacina no Barco Walter Bártolo

Busca de socorro imediato e vacinação em dia. Se assim o fizerem, as pessoas evitarão o agravamento do tétano, doença que matou duas pessoas em 2016 e outras duas neste ano, em Rondônia.

O alerta foi dado pela enfermeira Cleidineia Marciana do Amaral, responsável pelo Núcleo de Vigilância Epidemiológica das Infecções Imunopreveníveis na Agência Estadual de Vigilância em Saúde (Agevisa).

O tétano é uma infecção aguda e grave causada pela toxina do bacilo tetânico (Clostridium tetani), que entra no organismo por meio de ferimentos ou lesões de pele, mas não é transmitido de um indivíduo para o outro.

Foi assim com um mecânico ferido nos dedos das mãos, numa oficina de Espigão do Oeste (a 540 quilômetros de Porto Velho). “Ele tinha 57 anos de idade, se despreocupou, continuou trabalhando, e a situação piorou, até vir a óbito”, contou a enfermeira Cleidineia.

Com as notificações de óbitos nas mãos, ela relatou os casos deste ano. A segunda vítima foi uma mulher, também de 57 anos, em Nova Mamoré (a 241 quilômetros da capital). “Ela perfurou o pé e só buscou atendimento depois de piorar o seu estado de saúde”.

No ano passado, as vítimas do tétano foram dois homens, um de 53 anos, em Machadinho do Oeste (325 quilômetros da capital) e outro de 69, de Rolim de Moura (483 quilômetros da capital), ambos trabalhadores rurais.

“Geralmente, os mais expostos à doença são os homens, que se descuidam ao não procurar vacina”, apontou Cleidineia.

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Claudineia Amaral , responsável pelo Núcleo de Vigilância Epidemiológica das Infecções Imunopreveníveis

Nessa faixa etária das vítimas deste ano e do ano passado, geralmente acontece o descuido, segundo ela. “Muitos não acreditam no perigo da doença, deixam de se prevenir para se dedicar ao trabalho”, frisou.

Gestantes atendidas pelo exame pré-natal, bebês e crianças são salvos de maiores consequências pelos cuidados preventivos. “A obrigatoriedade imposta pelo calendário vacinal deixa essas mulheres sempre em dia; o tétano neonatal está sob controle em Rondônia”, garantiu.

A coordenadora estadual do Programa de Vigilância do Tétano na Agevisa, enfermeira Edite Lucena, lembra que a vacina tem validade de dez anos e é fornecida pelo governo estadual, que recebe suprimentos do Ministério da Saúde.

Ela explicou que a mulher que engravidou e tem mais de cinco anos sem receber a vacina, deve procurar reforço no posto de saúde mais próximo.

Revisar a carteira da vacina, guardá-la para consulta sempre necessária, e acreditar na prevenção, aconselha Edite Lucena.

Em agosto do ano passado, Bernardo, 33 anos, cacique indígena Oro Não, sentiu-se confortado com a chegada do barco hospital Walter Bártolo à barranca da Terra Indígena Deolinda, no rio Mamoré, interior do município de Guajará-Mirim. Ele desatolava um garrote, quando perfurou o pé numa tábua com prego. Já infeccionado, socorreu-se na farmácia do barco, onde lhe aplicaram uma dose da vacina antitetânica.

Mais sobre o tétano:

Quem precisa ser vacinado contra o tétano?
Todos. A bactéria causadora do tétano está presente no ambiente (solo, esterco, superfície de objetos sob a forma de esporos, formas de resistência). Como não é possível eliminar os esporos da bactéria causadora do tétano do ambiente, para evitar a doença é essencial que todas as pessoas sejam adequadamente vacinadas.

O risco de tétano existe em qualquer tipo de ferimento?
Existe. Embora o risco de desenvolvimento de tétano seja maior em pessoas não vacinadas com feridas sujas, mal cuidadas ou com corpos estranhos (terra, pó de café, madeira, metais), pode ocorrer tétano até mesmo sem um ferimento aparente (10% a 20% dos casos). Isso torna a vacinação essencial, independente da ocorrência de ferimentos.

Que vacinas existem contra o tétano?
As mais comumente utilizadas são: em crianças, DTP e DTPa (proteção contra difteria, tétano e coqueluche) e DT (proteção contra difteria e tétano). Nos adultos: DT e ATT (proteção contra o tétano).

É melhor ser vacinado com a ATT ou com a DT?
Com a DT, que é a vacina dupla, composta pelo toxóide tetânico e pelo diftérico. É tão segura e eficaz quanto a vacina antitetânica isolada (ATT). A difteria, assim como o tétano, é uma doença grave que pode ocorrer em pessoas de qualquer idade e que pode ser facilmente evitada com o uso da vacina. Desta forma, o ideal é que tanto o esquema básico, quanto os reforços, sejam feitos com DT, mesmo quando a imunização é iniciada em hospitais de emergência.

Qual a composição das vacinas contra o tétano?
Todas as vacinas antitetânicas, além dos componentes contra as outras doenças, são produzidas a partir da toxina tetânica inativada que atua como antígeno que estimula a produção de anticorpos. Além disso, contém timerosal (Mertiolate®) como estabilizador e hidróxido de alumínio como adjuvante vacinal.

Leia mais:
Barco hospital do governo de Rondônia inicia atendimento
a famílias indígenas em Deolinda, na fronteira com a Bolívia


Fonte
Texto: Montezuma Cruz
Fotos: Alex Leite e Jeferson Mota
Secom - Governo de Rondônia

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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