Sábado, 23 de agosto de 2025 - 08h03
Admitam. A
gente bem gosta de uma fofoca, de revelações interessantes e surpreendentes,
especialmente quando são recheadas de sons, imagens e, na versão desta semana,
também de palavrões. Mais ainda quando mostram a verdadeira face de “certas
pessoas”.
Você acorda e dá de
cara com noticias de que vazou alguma coisa, e não era, pelo menos desta vez, a
água dos canos, mas sim imagens “íntimas”, como são descritas algumas, ou de
transas quentes ou de nudes mandados que, digamos, foram reenviados para o
mundo, geralmente por vingança. Gente famosa atrai mais do que açúcar atrai
formigas. As redes sociais ficam insanas, aquilo viraliza, o noticiário se
espalha, aproveitam para ganhar dinheiro, a tal monetização (ô palavrinha
antipática!).
Pois não é que o tal
Silas Malafaia também está faturando alto com as suas reveladoras gravações
divulgadas pela Polícia Federal em inquérito, de conversas dele com o
ex-presidente, aquele que pensou até em ir comprar uma roupa de couro reforçado
lá na Argentina? Aliás, que classe a dessa turma, hein? Só vi gente falando dos
palavrões claros e em bom som, ditos ou escritos, parte do que levou a mais um
indiciamento para a coleção do ex-presidente, agora acompanhado do filho 03, o
indigitado e indigesto Eduardo que resolveu, para livrar a cara do pai, fazer a
cabeça do cada dia mais maluco Trump. De lá, e com bom dinheiro, festeja
maldades, o tarifaço e as desgraças que já traz ao país, com o fechamento de
empresas e perda de empregos.
De camarote, sentados
balançando as perninhas, agora assistimos ao noticiário e lemos com gosto os
detalhes da tal estratégia nos jornais. Inclusive o “líder religioso” falando
duas vezes em fazer “sentar no colinho” o governo (e o país) com os atos
engendrados apenas para conseguir a anistia do líder que levou aqueles coitados
a tentar um golpe em janeiro de 2023, e que só conseguiram mesmo foi derrubar
relógios, quadros, bustos, cadeiras, quebrar vidros, pichar estátua com batom –
mas estão presos ou com tornozeleiras adornando seus corpos. Fora as várias
conjugações do verbo arrombar que o tal pastor usou nas conversas.
Confesso: sempre quis
saber a real identificação que as pessoas usam em seus telefones quando querem
ou sacanear ou esconder alguém, tipo amante, fornecedor de algo, ou mesmo os
apelidos que definem quem liga, os registrados na agenda de maneira grosseira,
dedicados a chefes, pessoas que detesta da família, e por aí afora. O que
veríamos se esses registros caíssem em nossas mãos? Sempre quis saber,
inclusive, como fui ou sou identificada por uns aí. Curiosa que sou.
Assim, tive a pachorra
de ler toda a lista de transmissão do Bolsonaro no WhatsApp, aquela recheada de
militares, pastores, além de deputados e senadores aos quais apela. Toda a
turma dele está lá, mas não pude deixar de gargalhar com a “Negona do
Bolsonaro”, “Neguinho Michele”, “Japa Eduardo Torres” e “José Alves
Ivermectina”. É a cara dele. A lista também mostra contatos com pessoas que não
sabíamos serem tão próximas, mas isso deixa para lá por enquanto.
Esse zap! O WhatsApp
garante que as conversas são criptografadas, mas se você se meter em encrencas,
olha aí, textos e áudios aparecem para a galera mesmo depois de apagados. Não
precisa ficar vermelho ou preocupado se você não anda por aí planejando golpes
de Estado ou derrubar governos. Já basta - são bastante reveladoras - as
conversas em grupos onde desaforos são trocados entre amigos que viram
inimigos, entre famílias onde um espeta o outro e não convida nem mais para o
churrasco.
Acima de tudo isso, no
entanto, a luta para garantir nossa privacidade e intimidade deve continuar
forte e viva, porque se a moda pega vai ser uma fofoca que a gente não vai
gostar nem um pouquinho.
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MARLI GONÇALVES –
Jornalista, cronista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo,
autora de Feminismo no Cotidiano - Bom para mulheres. E para homens também,
pela Editora Contexto. (Na Editora e na Amazon). Vive em São Paulo.
marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br
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