Sábado, 7 de fevereiro de 2026 - 08h05

Chega. A
situação está descontrolada. Exigimos respeito e ações reais. Agredidas,
mortas, violentadas, assediadas, torturadas, desrespeitadas e tratadas ainda
como se não fossemos, inclusive, a maioria da população deste país. Nossa voz,
berros e pedidos de socorro necessitam ser ouvidos de verdade. Já.
Às vezes no auge de
minha comoção, tristeza, indignação e horror diante de mais um dos casos de
feminicídio que se intensificam diariamente de forma absurda imagino as
mulheres ameaçadas empunhando o papel da medida protetiva na cara de seus
algozes como se fosse uma (inútil) arma para tentarem se defender antes do
ataque mortal. Sabia que em 2025 foram concedidas em todo o país milhares
delas, cerca de 70 por hora? No Rio Grande do Sul, foram cerca de 70 mil
pedidos e em São Paulo houve aumento de 22,3%? Para ser mais exata: 945.506
medidas protetivas foram emitidas, de acordo com o Conselho Nacional de
Justiça, CNJ. Um número que nos dá claramente a dimensão e urgência do problema
e necessidade de atenção.
Mas quem e como são
cumpridas essas medidas? Quem estará lá para a defesa naquela hora exata? Quem,
aliás, está correndo atrás dos 336 homens na lista de procurados por
feminicídio ou tentativa de feminicídio soltos por aí? Tornozeleiras não
seguram seus pés, nem as suas mãos armadas com revólveres, facas e suas formas
cruéis de dominação de nossas vidas. Foram 1530 vítimas, mulheres mortas, só em
2025. Dez anos antes, 2015, já foram 535. Uma guerra que não pode ser
silenciosa. Temos, graças à Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), um nome a dar
ao crime de morte: feminicídio; lei que abrange com penas mais duras a
violência doméstica contra a mulher em todas as suas formas. Mas é preciso
avançar.
Cansamos de ser
eternamente passadas para trás. Temas que nos são caros eternamente tratados
sempre com irritante superficialidade eleitoreira, vide essa semana o
estrondoso lançamento do tal “Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao
Feminicídio". Nome pomposo. E? E nada. Que sem recursos, ações reais,
mudanças – e aplicação - de leis, as mulheres continuarão a ser mortas, como
estão sendo hora após hora, dia após dia. Enquanto um montinho de gente
“representando os Três Poderes”, além de um monte de desconhecidos enxeridos,
sorria para fotos segurando a assinatura pomposa do presidente, mais mortes
diariamente registradas, quase que como um desafio. Slogan: “Todos por todas”,
superficial e raso. O caro anúncio publicitário já está no ar, devem ter visto.
Nada saiu do lugar. Fora no dia seguinte o assunto ter ido para o rodapé dos
jornais, soterrado pelas tramas do STF, entre outros temas. Minto: ainda está
no noticiário policial, com mais mortes registradas, com seus chocantes
requintes.
Na solenidade - fala-se
que foi a pedido de Janja - o presidente não apresentou nem dinheiro para
bancar projetos, não lançou políticas públicas específicas, nem a contratação
de pessoal ou a criação de um órgão específico para combater o feminicídio. Um
monte de promessas. Palavras e planos que estamos cansadas de ouvir, de um
futuro que muitas nem verão. Informam que produzirão relatórios. E mais
gavetas, assim, estarão cheias deles.
Chega de blábláblá.
_________________________
- MARLI GONÇALVES –
Jornalista, cronista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo,
autora de Feminismo no Cotidiano, Coleção Cotidiano, Editora Contexto. (Na
Editora e na Amazon). Vive em São Paulo, Capital. marligo@uol.com.br /
marli@brickmann.com.br
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Sábado, 7 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)
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