Sábado, 9 de agosto de 2025 - 07h50
Parece até brincadeira,
mas a famosa Casa da Mãe Joana já há algum tempo instalada no país está
sofrendo inúmeras e seguidas tentativas de arrombamento. Lembra a história dos
Três Porquinhos na luta contra o Lobo Mau, mas tem muito mais seres estranhos,
estranhíssimos, participando dessa fábula da vida real.
É tanta taxação, lacração, negação, ocupação,
confusão, paralisação, “problematização” (urghhh!) que até fica difícil não só
acalmar os nervos, como manter um certo bom humor. Todo dia uma novidade, tipo
uns seres com esparadrapo na boca e um coitado de um bebê mamando que acabaram
mesmo chegando à primeira página dos jornais e ainda pensam que estão abafando,
tumultuando. O que querem? A pauta mistura o alho e o bugalho, a justiça e a
injustiça que acreditam está sendo cometida contra aqueles lobos maus que
tentaram botar abaixo inclusive a Casa de onde protestam agora, e defender
aquele a quem chamam líder. Tanto horror que a gente - olha só que terrível -
sente até uma certa saudade dos antigos malufistas, janistas, etc. para vocês
verem o quão brava está a situação. Ou melhor, a oposição atual, inclusive com
uns incrustrados no governo.
O Lobo Mau daqui se junta ao Lobo Mau lá
daquele país, o agente laranja, irascível, insano, que faz cara feia e sopra
mais forte com taxas e ameaças quando não é atendido em seus desejos, e que vem
semeando a discórdia até lá no terreno dele, além de em boa parte do planeta.
Parece mesmo pretender subjugar o mundo inteiro às suas patas e ordens. Anda
cantando de galo por aqui, na Casa da Mãe Joana, especialmente mandando um
tarifaço absurdo em cima dos produtos que exportamos para lá, muitos dos quais
os americanos logo logo sentirão falta ou ardor nos bolsos - e dinheiro, vocês
sabem, move o mundo, faz mexer traseiros.
Claro que lembram da base da história dos Três
Porquinhos, Prático, Heitor e Cícero (parece que lá em Minas Gerais chamam
Palhaço, Palito e Pedrito, mas eu nunca tinha ouvido essa história, e que
nenhum palmeirense ache que se trata de futebol essa fábula). Pois bem, a uma
certa altura da vida eles resolvem sair de casa e vão construir as suas
casinhas. O preguiçoso Cícero, mais novo, usa palha; o outro, Heitor, até usa
madeira, mas não usa pregos. O mais velho, o Prático, esperto que só, constrói
uma casa sólida, com tijolos. O Lobo vem catá-los. Derruba as duas primeiras
casas com sopro violento. Os desabrigados correm para a casa mais segura, o
Lobo tenta invadir pela chaminé e acaba se queimando e fugindo, segundo uns;
frito e comido, segundo outros. Moral da História: tem de ser previdente, se
preparar para desafios; perseverante, não desistir; inteligente, para encontrar
soluções; e especialmente, unidos: só assim podemos nos proteger uns aos
outros.
Agora é só juntar tudo para pensar direito e
ver como estamos vivendo ainda numa atrapalhada e desorientada Casa da Mãe
Joana, onde ninguém sabe exatamente o que fazer para manter nossa soberania,
atacada com tentativas de sopros e golpes, e como poderemos nos livrar e vez do
Lobo Mau de lá e o daqui, e da alcateia que acabou se criando ao redor,
soprando ventos envenenados. E atrás, ainda, de trocar nossas florestas e
riquezas, os nossos chapeuzinhos vermelhos, por horrorosos bonés amarelos.
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MARLI GONÇALVES – Jornalista, cronista,
consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no
Cotidiano - Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. (Na
Editora e na Amazon). Vive em São Paulo. marligo@uol.com.br /
marli@brickmann.com.br
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