Porto Velho (RO) quinta-feira, 28 de outubro de 2021
×
Gente de Opinião

Léo Ladeia

Vai faltar ventilador: Panamá Pappers é o começo de toda (*)erda que virá, por Léo Ladeia


 

FRASE DE HOJE:

“Nem a militância do partido repele as denúncias. No máximo, argumenta que todos os partidos assim procedem ou procederam. Nem menciona o governo.''  Ricardo Noblat

Vai faltar ventilador: Panamá Pappers é o começo de toda (*)erda que virá, por Léo Ladeia - Gente de Opinião01-Encruzilhada macabra I

Simples: fica tudo assim com Dilma. E o país parado. Cai Dilma e entra Temer via impeachment e fica tudo como está. E o país parado. Caem Dilma e Temer por decisão do TSE e fica pior do que está. E o Brasil mais parado, com o agravante dos infindáveis recursos para manter os dois nos cargos para os quais foram eleitos – não importa por quantos votos – além do corre-corre de processos para evitar que Cunha ou Renan assumam a vaga. O pior dos mundos: Dilma e Temer renunciam como defende abertamente a Folha em editorial e a vaga fica entre Cunha, Renan, Lewandowsky ou creiam, Tiririca como deputado mais votado e aí fica tudo muito pior do que está ou esteve. E o Brasil parado. Mas, e com Tiririca? Será que pior do que está, fica?

02- Encruzilhada macabra II

Noutra situação: via bem elaborada ação judicial decorrente da Lava Jato, retira-se de Renan e Cunha a possibilidade de assumirem eventual vacância de Dilma e Temer em caso de cassação da chapa pelo TSE. Entre marolas e tsunamis recursais, o presidente do STF convocaria novas eleições específicas para o cargo de presidente e vice num prazo de 90 dias e, nesse interregno o Brasil fica como está: crescendo como rabo de cavalo e com um futuro de curto prazo mais turvo que as águas do Madeirão. E nesse deserto de ideias e líderes, quem vai domar a onça?  A escolha do menos pior será pela urna, cara- ou coroa, cobrança de pênaltis ou “porrinha”? 

03-O Bob está de volta

“Nevercomplain, neverexplain,neverapologize” (nunca se queixe, nunca se explique, nunca se desculpe). A frase do premier inglês Benjamin Disaraeli, muito usada por Ulisses Guimarães, foi repetida pelo delator do mensalão Roberto Jefferson, logo após a condenação de 7 anos e 14 dias de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Fora da prisão Bob abriu o bico e puxou a ponta de um fio e o passado está de volta. Mensalão e petrolão de forma atemporal estão em Curitiba e seguem em frente para um passado esquecido lá no ABC de Celso Daniel. É hora de pensarmos sobre a origem dos nossos males e de como domá-los ou erradicá-los.

04-Para velhos males, novos remédios? 

Gente de Opinião

Esta semana o STF decidirá se é possível migrar do presidencialismo para o parlamentarismo via emenda constitucional. A ação está no STF desde 1997 e alguns ministros comentam que é ela pode ajudar o Congresso Nacional a encontrar uma solução para a crise política do país. “Não há óbice constitucional para o debate da matéria”, diz Renan.  Ora, que se abra o debate. É democrático e pluralista. Tentemos outra fórmula já que reforma político-eleitoral a partir do executivo ou legislativo não resolve nossos males. No labirinto em que estamos tanto faz virar à esquerda ou à direita e cá pra nós, o que é um minotauro para quem mora com o dragão?

05-Panama Pappers

Acabar com paraísos fiscais, criar controles sobre a riqueza mundial, regular operações entre nações? O total revelado até agora no caso Panama Papers é quase nada perto do que Gabriel Zucman, chamou de “A riqueza oculta das nações”, o livro sobre paraísos fiscais. A estimativa é que US$ 7,6 trilhões, ou 8% de toda a riqueza global estejam distribuídos 50% na Rússia, 57% nos países do Golfo e 22% na América Latina gerando uma sonegação de US$ 190 bilhões/ano. Um susto nos ricos pelas patifarias reveladas e o silêncio. Semelhante ao do tetraneto ao saber que a herança que recebeu da família originou-se da atividade da sua tetravó num bordel. 

06-Vai faltar ventilador

Pensei que após as escaramuças verbais e coloridas contra a imprensa, PF, Moro, Teori, Lula, Dilma, nós, eles, pato e pixuleco, a Lava Jato sairia de fininho de cena deixando aos canastrões de sempre promover o riso, o pão, o circo, a sangria, a alegria, o quem quer dinheiro, o eu fiz mais, o eu roubei menos e nada. As contas, dados e sacanagens de todo tipo e da pior espécie mostrou o pequeno Brasil: 1% da roubalheira é nossa, mas estamos na lista sim. E se perdemos em valor, vamos bem em quantidade. Panamá Pappers é o começo de toda (*)erda que virá.

07-Mais dúvidas sobre outras tantas

Do jornalista Faveco Corrêa recolhi partes do texto “day after”e trago-os para adir e complicar suas dúvidas. “Se o Congresso for mesmo o valhacouto dos mais de 300 picaretas como parece que é, não se pode cantar vitória antes do tempo(...) É bom lembrar que dezenas de partidos estão representados na Câmara dos Deputados, muitos dos quais não temos a menor ideia do que sejam. É por isso que todos os dias somos invadidos pela verborreia(...) de figuras patéticas fazendo propaganda eleitoral gratuita – uma excrecência que um dia via ter que acabar. Passando o impeachment ou não, a grande pergunta é: como será o “day after”? “

08-Feira do rolo oficial

Elas existem pelos rincões do Brasil. Informais e suspeitas, sem garantias para o comprador nem certificado de procedência do vendedor. Nota fiscal, validade, manual, nada é exigido por qualquer das partes. São as feiras do rolo. Nelas é possível trocar o urinol em bom estado pelo canário cantador, a colher de pau zerada pelo celular desbloqueado desde que haja uma compensação ou “volta”. Nelas tudo se troca e a única garantia é que a polícia não aparece. Com semelhanças e diferenças, o governo tem também sua feira do rolo que sempre existiu e que nesses dias está num azougue do cão. “Um cargo por um voto. Vai aí macho véio?”

Vai faltar ventilador: Panamá Pappers é o começo de toda (*)erda que virá, por Léo Ladeia - Gente de Opinião

09-Chapa quente

Enquanto a chapa esquenta para Dilma Roussef, Michel Temer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha - titulares do Executivo e do Legislativo - no Judiciário o clima se não chega a ser glacial está muitos graus abaixo. A única alteração de temperatura ocorre quando os ministros abrem os seus votos ou falam extra-autos. Aí gela a sociedade como um todo e as partes beligerantes com o crepitar de labaredas nas fogueiras das vaidades. Juiz é como chefe, não erra. É induzido a erro por culpa do assessor, estagiário, meirinho ou em casos extremos pode se equivocar por um lapso de memoria. E nessa quadra em que vivemos os lapsos e as labaredas estão altos.

     

10-Zé de Nana tá de volta

Depois de ouvir dois advogados falando sobre impeachment Zé de Nana vaticinou: “Advogado é que nem véi que masca fumo. Pra defender ou acusar não escolhe: qualquer banda da boca serve”.


[email protected]

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Mais Sobre Léo Ladeia

Política & Murupi - Quando o patrão manda abrir a porteira é porque a boiada foi vendida e o dono já é outro

Política & Murupi - Quando o patrão manda abrir a porteira é porque a boiada foi vendida e o dono já é outro

Recomendo vigorosamente àqueles que gostam das entranhas da vida partidária a leitura do livro “COMO MORREM AS DEMOCRACIAS”, um mergulho profundo no

Política & Murupi - Não, o Brasil do pobre faminto não é uma invenção da pandemia e não nasceu hoje

Política & Murupi - Não, o Brasil do pobre faminto não é uma invenção da pandemia e não nasceu hoje

As reportagens sobre pessoas em busca de restos de comida no lixo ou comprando ossos estão proliferando pelas TVS e redes de internet como algo novo

Política & Murupi - Quando tentei entender como funciona o “face”

Política & Murupi - Quando tentei entender como funciona o “face”

Começo com a frase muito difundida no mundo cibernético: se você acha que é um cliente que recebe um produto de graça via internet, acredite: você é

Política & Murupi - O setor da construção civil fechou maio com 2,43 milhões de trabalhadores com carteira assinada

Política & Murupi - O setor da construção civil fechou maio com 2,43 milhões de trabalhadores com carteira assinada

Disse o presidente da poderosa CBIC-Câmara Brasileira da Construção Civil que o setor está operando “como se fosse uma Ferrari andando com o freio d