Terça-feira, 23 de dezembro de 2025 - 13h17

Festas de fim de ano estão
associadas a alegria, celebração, encontros familiares e renovação de
esperanças, luzes, músicas, confraternizações, votos de prosperidade dominando
o ambiente social, mas por trás do clima festivo, há pessoas que oscilam com sentimentos
contraditórios: euforia intensa junto a ansiedade, angústia e até tristeza. É
um paradoxo, mas não incomum. As festas de fim de ano amplificam emocionalmente
tudo o que foi vivido nos meses que antecedem dezembro de forma intensa, num
curtíssimo período quando a euforia está presente quase que como exigência
social. Há uma sensação de que é preciso viver em sua totalidade a ruidosa,
alegre e indescritível “felicidade natalina”.
Dezembro traz a quase
obrigação coletiva de estar feliz. Uma psicoterapeuta diz que é a “dezembrite”.
A ideia de que o ano precisa ter um grand finale com celebração e isto cria uma
pressão silenciosa. Reuniões familiares, troca de presentes festas corporativas
e postagens nas redes sociais levam a narrativa de felicidade contínua, que não
correspondem às realidades individuais. A atmosfera é de euforia, a excitação
emocional suprida por estímulos, expectativas elevadas e sensação de fim de um ciclo.
Mas há um senão. A euforia não espontânea tende a uma tentativa de corresponder
ao desejo social que passa longe da verdade emocional legítima.
Dezembro é tempo de balanços
pessoais. Questões como “o que fiz”, o que ganhei”, “onde eu queria estar”, surgem
e somadas a comparações com parentes, amigos ou influenciadores tonificam a inadequação.
E existe o lado financeiro. Gastos extras, compromissos e sonhos de consumo elevam
o nível de estresse e se junto estiverem um luto, conflitos familiares ou a solidão,
o clima de festa irá reforçar ausências e feridas emocionais impactando o humor
e prejudicando interação social. Mesmo pessoas bem sociáveis podem se desgastar.
A mente não encontra pausas para processar as emoções, a irritabilidade, a insônia
e as crises de ansiedade se juntam a uma euforia exagerada que tem ares de fuga
emocional ou tentativa inconsciente de evitar sensações desagradáveis que
emergem quando o ritmo cai. E não há uma explicação padrão para as diferentes
reações. A forma como cada um vivencia a “dezembrite” está ligada à sua
história pessoal, experiências familiares, saúde mental, momento atual e rede
de apoio. Para uns é tempo de recomeço e para outros, sinal de objetivo não
realizado. Reconhecer essa diversidade é fundamental para reduzir os próprios julgamentos
e expectativas irreais. Buscar caminhos é imprescindível. A festa acaba com ou
sem final feliz, mas a vida continua.
Terapeutas apontam atitudes
práticas para ultrapassar esse período com equilíbrio emocional, respeitando os
seus próprios limites, aprendendo a dizer não a compromissos excessivos, reduzir
ou eliminar as comparações e muito especialmente nas redes sociais, manter
rotinas básicas, como sono e alimentação adequados, criar momentos de pausa e de
silêncio mesmo em meio às celebrações e validar sentimentos, pois não existe a obrigação
de ser feliz o tempo todo. Fale às pessoas certas sobre seus sentimentos como
suporte para o seu conforto. Ter ansiedade ou ambivalência emocional no fim de
ano é comum, mas crises frequentes, sensação persistente de vazio, exaustão
extrema, alterações intensas de humor ou isolamento prolongado indicam que é
hora de buscar apoio profissional. As festas passam, mas sua saúde emocional
precisa de cuidado contínuo.
Busque um fim de ano mais
humano e talvez o maior desafio seja ressignificar o período. Em vez da utopia
da felicidade plena pense sobre o fim de ano como o seu momento de honestidade
emocional que implica em reconhecer as suas conquistas, ganhos, limites, perdas
e aprendizados. Faça um balanço honesto e anote. Entre a euforia e a ansiedade,
há espaço para algo bem realista: aceitação, cuidado e gentileza consigo mesmo.
Este artigo substitui a última
coluna de 2025. Vou aproveitar o fim de ano para olhar para dentro de mim e
findo desejando a todos um bom natal e um abençoado ano novo. Sejamos felizes. Todos
nós merecemos.
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