Porto Velho (RO) domingo, 8 de dezembro de 2019
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Gente de Opinião

Ilmar Esteves

‘Você ouvinte, é a nossa meta’



É sempre bom matar a saudade de Waldir Amaral abrindo os trabalhos para a narração de uma partida de futebol. E continuava - “pensando em você é que procuramos fazer o melhor”. Sem duvidas era de arrepiar qualquer torcedor, nervoso, com a orelha colada no radio.

Ter no torcedor ouvinte das partidas de futebol era um objetivo bem definido que as grandes emissoras de rádios como a Globo-RJ, Tupi-RJ, Bandeirante-SP (por exemplo), alcançassem altos índices de audiências. Estes índices aliado a paixão pelo futebol faziam com que as equipes esportivas das emissoras possuíssem profissionais caríssimos, verdadeiros galãs do rádio no país inteiro. Waldir Amaral, Jorge Cury, Doalcey Bueno de Camargo, Fiori Gigliotti, Armindo Ranzolin, Osmar Santos, José Ribamar, da nossa Radio Caiari.

O segredo desse sucesso radiofônico era o torcedor, sem importar onde ele estava e muito menos se era pobre ou rico. O que interessava era tê-los colado ao rádio. Esse ouvinte é o personagem que me refiro, uma pessoa apaixonadamente pelo futebol e em especial (ou muito especialmente) por um determinado clube. Essa paixão tornou-se coletiva com o surgimento das organizadas, mais numerosos e devido à popularidade do futebol foram rompendo fronteiras com enormes caravanas em dias jogos.

O papel do torcedor ganhou importância nos estádios ao mesmo tempo em que seu clube crescia fora dele. A relação entre o “sócio” e o “torcedor” sempre teve diferença e essa contestação se via claramente entre os maiores clubes de futebol com os genuinamente sociais. Apenas um pequeno número tirava proveito do clube no plano social. Com a chegada dos patrocinadores, os torcedores passaram a representar um terço desse bolo, nada mais que um agente motivador e mantenedor das despesas do dia a dia.

Os clubes foram se endividando e sem ter de onde tirar a receita os problemas foram se agravando e o coitado do torcedor tornou-se o vilão da história, deixando os estádios, repassando aos sócios do clube o pepino nas mãos. Títulos muito caro e sem acesso popular, esse tipo de torcedor também foi sumindo dos clubes. Trazendo a questão para nosso convívio, que restou de nossos clubes? Sumiram os torcedores, sócios e clubes.

Como um toque de mágica surgiu um novo estilo de torcedor. O torcedor que não é avalista da dívida mais uma fonte de receita que estar levando os grandes clubes brasileiros ao delírio e ele também, o Sócio-Torcedor. Os números são impressionantes: o Internacional (RS): 129.488; Palmeiras(SP): 82.260; Grêmio(RS): 80.500; Corinthians(SP): 72.332; Cruzeiro (MG): 67.318; Santos (SP): 57.029; Flamengo(RJ): 53.766 sócio-torcedores. Impressiona pelos números e pela procura cada vez maior. O Flamengo somou 28.622 torcedores no ano de 2013, índice maior que a metade de sócios patrimoniais. O Palmeiras é o clube do momento na questão sócio-torcedores, clube que esteve à beira do rebaixamento ano passado.

O que explica esse fenômeno tão expressivo recente? É o engajamento. “Fanatismo ajuda, mas não basta: é preciso entregar um produto funcional, bem elaborado e vantajoso, sob pena de o torcedor deixar de ser sócio no primeiro insucesso do time. Na prática, o associado é fisgado como torcedor, mas precisa ser mantido como cliente: revista chegando em dia, descontos efetivamente aplicados, tecnologia funcionando na hora de comprar o ingresso, facilidade para pagar a mensalidade.”

E nós como ficamos? Pois é, o engasgo na resposta se resume na complexidade de nossos clubes. Os principais que possuíam grande número de sócios patrimoniais simplesmente desapareceram da sede social e dos gramados restou tão somente a lembrança. Os atuais, que estão disputando o campeonato rondoniense não resta outra alternativa senão a de ser reféns do apoio político.

A falta de iniciativa, a ociosidade esperando que chora na sua horta sem que se perceba essa assombrosa fonte de renda e quando se fala, o assunto esbarra na credibilidade. Lembro que a única iniciativa a favor do torcedor, ao prestigiá-lo, foi dada pela própria federação, premiando carro, tvs, etc. Sem outra alternativa, o torcedor rondoniense deve procurar os amigos pelos bares da cidade ou ser assinante dos canais de tv por assinatura, saboreando sua cervejinha.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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