Porto Velho (RO) domingo, 18 de agosto de 2019
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Gente de Opinião

Ilmar Esteves

Vida de super atleta


 

No início de cada ano as expectativas por dias melhores no esporte vão crescendo dentro de cada atleta, muitos entrando firme em suas pré-temporadas para enfrentar os desafios, superarando obstáculos que surgem ao longo de sua trajetória, dentro e fora de sua modalidade esportiva. Muitos vão sozinhos dando seus passos, pois sabem que “o clube” está longe de suas expectativas e os sonhos geralmente caem por terra. Outros extremamente exigidos por seus clubes em busca dos títulos, inclusive financeiro. Falar em preparação sempre nos trás grandes preocupações tendo em vistas a enorme precariedade em que se encontram nossas praças esportivas.

A vida de atleta, muito embora tenha seus encantos, para os que estão em Rondônia é decepcionante, principalmente em Porto Velho, em todos os sentidos, considerando que, seus clubes e entidades aos quais estão vinculados também vivem o desencanto, como um ribeirinho vendo as aguas chegando a seus pés e sem ter para onde ir.

Rondônia um estado jovem, de 33 anos, de riqueza incontestável, fica vendo seus irmãos federativos prosperarem, evoluírem, nesse momento de dificuldades que o país atravessa mais no esporte o pensamento tem se tornado cada vez forte, de alto nível, em total desalinho ao nosso. Porto Velho, tão sofrida ultimamente, como capital de um estado, sua beleza e pujança tem ficado ofuscada pela insensatez de seus governantes.

Falar sobre a falta de investimento no esporte me parece meio sem graça ao lembrarmos-nos dos viadutos, centenas de casa populares e de tantas obras inacabadas, mal feitas, danificadas que nos torna pequenos diante de outras cidades ou estados. No esporte, não é fácil a vida de atleta em Porto Velho. É muito difícil praticar esporte de rendimento, ser atleta de alto nível, local onde um jovem de 18 anos já se pode dizer que é ex-atleta. O ressurgimento dos Jogos Intermunicipais de Rondônia, a partir de 2011, ainda não foi bem assimilado pelo paço municipal e sua participação tem sido no estilo “vai quem quer” e, lógico, os resultados são inconstantes para os atletas portovelhense.

Praticamente toda infraestrutura esportiva na cidade é péssima qualidade ou figura como mais uma obra inacabada, impropria para sediar qualquer competição nacional, numa cidade em que a prefeitura tem o ginásio poliesportivo Dudu, sua maior praça esportiva. A piscina construída atrás da Escola Padrão ainda não justificou seu investimento. O centro esportivo que estavam construindo na Escola Padrão entrou para mais uma obra inacabada, isso sem falar na invasão do terreno e parte da pista virou moradia aos olhos ineficaz de nossos gestores.

O projeto é grandioso no pensamento do político mais pífio para uma capital de estado, na 4ª maior cidade da região, com aproximadamente 500 mil habitantes. Cidades muito menores que Porto Velho já possui instalações esportivas de padrão internacional. Aquele espaço hoje é que um emaranhado de coisas incompreensível no que poderá vir a ser ou dar certo. Numa das maiores áreas populacional da cidade

Olhando para as obras no Ginásio Claudio Coutinho (pertencente ao estado) em andamento, brilha nossos olhos, mais nos traz a dor de vê-lo longo tempo completamente quebrado. Um Ginásio que um dia já ostentou o título de um dos melhores da região hoje encontra-se mudo.

Nunca o Estádio Aluízio Ferreira foi tão desejado quanto recentemente. O calor vivido por multidões de torcedores se acotovelando para assistir partidas de futebol que chegavam a paralisar a cidade. Hoje se encontra a beira do caos e seu gemido não é mais ouvido e, como remota esperança, o governo do estado anuncia uma grande reforma. Quem sabe poderemos ver nossos destemidos atletas de atletismo competindo no Aluízio numa pista sintética e não mais no meio de pedras e lama. Mais o que representa o Estádio Aluízio Ferreira no contexto do esporte de alto nível no país?

Quem sabe o MP e o TCE consiga compreender a ansiedade de tantas pessoas praticando esporte no Espaço Alternativo em meio a uma obra inacabada e desprovida de profissionais. Tal e qual estão os Centros Desportivos e de Lazer – CEDEL, construídos na curtíssima vida da SUDER e que estão à disposição do sol e da chuva. Muito embora os objetivos desses espaços serem fantásticos, eles estão longe dos similares existentes em outras cidades do país, onde o padrão é maior e a qualidade dos serviços são mais eficientes.

Temos os espaços que perderam suas identidades com o público, de templos do esporte, ficando no ostracismo, como uma joia que um dia teve valor. O Ginásio da Escola Rio Branco, do Ferroviário, Flamengo e o Fidoca. O Fidoca, que nunca foi joia, por exemplo, tem mais vida em desuso do que a serviço do esporte e já sofreu uma reforma por ter sido completamente deteriorado sem sequer ter sido um dia utilizado pela comunidade.

As competições cada vez mais envolventes, as oportunidades surgindo mais, continuamos com a sofrida vida de atleta. Tivemos a Copa do Mundo e ficamos no meio de duas sedes sem que isso tenha se percebido do impacto em nossas vidas. Agora vem ai os Jogos Olímpicos, o maior evento esportivo do planeta e ao que nos parece não será no Brasil. O Governo e Prefeitura de Porto Velho, desde a criação do estado, pós Teixeirão, caminham para lados opostos, de vez enquanto, entre tapas e pontapés, e assim vão levando o destino de quem não tem como intervir.

A vida de atleta não é fácil. Querer ser um atleta de alto nível aqui em Porto Velho é uma missão árdua como a de qualquer desbravador. Nesse pacote de incompetência, de má gestão, nossa capital vai se perdendo no tempo, vivendo a sombra do passado.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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