Porto Velho (RO) domingo, 18 de agosto de 2019
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Gente de Opinião

Ilmar Esteves

Como botar o time em campo?



O Campeonato Rondoniense de Futebol da 1ª Divisão promovido e realizado pela Federação de Futebol do Estado de Rondônia – FFER, previsto para ser realizado no período de 5 de abril a 14 de julho, como anos anteriores, novamente com seus problemas de início de ano. Isso já faz parte do contexto. Não é exclusividade da federação mais de todos seus entes queridos estão na mesma e, como mãezona, sua sina é padecer no paraíso.

A falta de estádios e o lamentável estado em que se encontram; clubes sem saber o que para onde ir, vão tirando o time de campo; os dirigentes perambulando pelos corredores de repartições públicas se apegando por todos os lados na esperança de arrumar um troco para garantir o campeonato. A saída do Rolim de Moura (este ano e de outros, anteriormente) sempre cria uma tristeza imensa e aumenta a dose de pessimismo.

A federação sempre buscando alternativas motivadoras para assegurar um bom evento sem meter a faça no borderô das partidas e suas mágicas tentando atrair novos investidores, o interesse do torcedor e a divulgação do evento, por mais incrível que parece, os efeitos têm sido poucos pois atua isoladamente sem que os clubes nada ofereçam em contrapartida e logicamente o torcedor enrola sua bandeira.

Quando abordamos assuntos sobre o futebol rondoniense, o de pratica profissional, o que temos vistos são pedras voando no rumo do telhado da federação e seu presidente é o alvo preferido. O assunto geralmente se acentua chegando ao ponto de opinarem contra a profissionalização na modalidade e o sintoma da saudade do período “amador”, nessas horas, bate forte.

A falta de investimento publico (estado e município) no setor e o modelo de gestão dos clubes são dois fatores que destaco pela queda vertiginosa do futebol rondoniense na contramão do que acontece fora daqui. O futebol profissional tomou uma ascensão tão grande no mundo dos negócios, gerando trabalho e renda para muitos e para uma cidade, grandes empreendimentos no setor e maior ainda é a divulgação desse mercado. Leis de incentivo promovem o desenvolvimento da modalidade, um grande investimento e aqui na região norte é cada vez maior a participação estatal nesse mercado.

Mais as coisas por aqui são outras. O desinteresse é tão grande quanto preocupante.  O governo do estado investe muito no “gado do pecuarista” porque sabe que toda sua cadeia produtiva do agronegócio é muito lucrativa. O próprio governo federal criou (mais) um ministério para dar total apoio ao pequeno empresário. O Sebrae capacitando e fornecendo amparo ao empresariado brasileiro. São ações governamentais direcionadas para a iniciativa privada visando aumentar sua própria receita.

O futebol é um grande negócio, dos mais renteáveis em todo mundo, menos aqui. Sem ter de onde tirar os recursos para financiar suas atividades na competição a situação é insuportável. Se for amigo do prefeito a possibilidade de arrumar algum troco é possível. É cruel se ver o raio X dos nossos principais estádios; Paulo Saldanha, Aluízio Ferreira, Gentil Valério, Leal Chapelão, Biancão, Aglair Tonelli, Luizinho Turratti, Luís Alves Athaíde, Angelo Cassol e Portal da Amazônia. Somando tudo não dá Arena da Amazônia no vizinho estado do Acre. O Biancão, maior estádio do estado, fica mais tempo à mercê do tempo do que gerando imposto e agora temos mais um nessa questão que é o Cassolão.

O surpreendente na novela são os alvarás expedidos para funcionamento desses estádios. No meio da necessidade com a qualidade dar-se um jeito. O Estádio Aluízio Ferreira tido pelo próprio Corpo de Bombeiros como “risco de desmoronamento” ainda permanece de pé e funcionando como capacidade de até 700 almas, e como tem risco de cair, estes poderão tornar-se mártir.

A crise continua, com jeitinho as circunstancias vão se adaptando aos problemas enfrentados. Montar um time de futebol profissional não é tarefa fácil. É um enorme desafio e se não tiver dinheiro, termina metendo a mão no próprio bolso e ai começa uma bola de neve, vai se enrolando aos poucos. No mundo atual, “fazer por amor” no profissional não cola mais, e resulta na sofrencia por excesso de amor. Clubes apenas no papel, com diretoria apenas do presidente e relegado ao sacrifício, não lhe resta outra alternativa senão tirar o time de campo. Os próprios clubes, que o elegeram, já procuraram de alguma forma chutar o traseiro do presidente da entidade em busca de alguma justificativa mais é em vão.

Será que realmente é o culpado? Todos envolvidos, possuem enorme parcela de culpa mas querendo um Judas para bater é bom deixar a federação por último. A federação é corretíssima e sua longevidade no cargo não é motivo suficiente para o quadro atual e, como quase todos os presidentes de federações, daqui ou de outros estados, estão no cargo porque foram eleitos, democraticamente, muito embora tenha surgido uma nova lei impedindo a permanência no cargo por mais de dois mandados.

Citar exemplos de outros estados já não surti o efeito desejado considerando que nada avança no plano político para resolver ou eliminar os problemas existentes.  É a cultura do erro que entra em campo quanto pior, politicamente melhor ai o feudo do parlamentar aparece. Esta é a visão que se tem do & 2º art. 217 de nossa constituição que diz “O Poder Público dará tratamento diferenciado para o desporto profissional e não profissional.” Ai está a diferença.


Fonte: Ilmar Esteves de Souza

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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