Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026 - 07h54

Bagé, RS, 21.01.2026
Vamos
continuar reproduzindo as reportagens da Revista Manchete:
Manchete n° 877, Rio de Janeiro, RJ
Sábado, 08.02.1969
Um
Governo Forte Para Defender os Fracos
(Entrevista
a Edson Cabral)
O Governador Jeremias Fontes Coloca-se
ao Lado do Marechal Costa e Silva Para, Livre de Compromissos Políticos,
Realizar no Estado do Rio a Arrancada do Desenvolvimento
Há cerca de um ano, o Governador
Jeremias Fontes deixou boquiabertos os repórteres políticos da Guanabara ao
defender as eleições indiretas para 1971, a candidatura de um militar à
Presidência da República e a instituição de um Governo Forte no País. Os fatos
vieram provar a coerência de sua tese: era preciso:
Eliminar determinados
procedimentos da vida pública brasileira contrários ao desenvolvimento
mas que
jamais se pensou
pudessem ser
extirpados.
A Revolução deveria ser:
A abertura
para o
Brasil que
sempre
sonhamos, de
estabilidade financeira, de emprego para todos,
de moralidade na administração e de realizações públicas
que propiciem a
prosperidade
da população.
Agora, em entrevista à MANCHETE, o
Governador do Estado do Rio reafirma sua posição e aponta consequências, já sem provocar o
escandalizado espanto de há doze meses:
Ecoam mais
do que
nunca como
verdadeiras as
palavras do sociólogo Alberto
Torres, que
profetizava um
governo forte para defender o interesse
dos fracos.
O povo
está acreditando no Governo Revolucionário e
nas medidas
que estão
sendo tomadas.
O Sr. Jeremias Fontes considera a
edição do Ato Institucional Número 5 proveitosa não só para seu Estado mas para
todo o Brasil: o ato deu aos administradores as condições necessárias para uma
tomada de consciência, permitiu a concretização de medidas de interesse público
há muito reclamadas e foi necessário para conter o desgaste do objetivo
desenvolvimentista da Revolução.
Reporto-me à opção
que tive que fazer em 1964: ARENA ou MDB. Preferi a ARENA porque integraria o
esquema político que tinha por dever a defesa do Programa Revolucionário, em
boa hora implantado no País, adormecido e desestimulado pela
onda de
pregoeiros
da insinceridade
que tudo
anunciavam e
nada realizavam
em proveito
da população. O revigoramento da Revolução, através do
Ato Institucional Número 5, veio reacender nossa esperança e reanimar nossas
forças, pois estava temeroso de que fosse para as calendas gregas ([1]) a luta travada contra os vícios políticos
enraizados, pela modificação dos costumes e pela implantação de uma nova
mentalidade político-administrativa no Estado do Rio.
O Governador lembra que os fluminenses
pagavam alto preço pela anormalidade política nacional. Em dez anos, dez
administradores sucederam-se no Palácio do Ingá; mal os mandatos começavam,
surgiam os acordos políticos antecipados e os problemas sucessórios, deixando
em plano secundário obras essenciais ao desenvolvimento. Obras de fachada, o empreguismo e as facilidades
à clientela
política abalaram
o conceito
do Estado:
Felizmente, já
antevejo a vitória. O povo está
aplaudindo
as medidas
revolucionárias porque sabe que elas são a
seu favor, especialmente a classe trabalhadora. Com o incentivo dos
fluminenses, haveremos de dar ao Brasil, ao término de nosso mandato, uma
imagem verdadeira de trabalho e desenvolvimento.
As condições criadas pelo Ato Institucional
permitiram ao Sr. Jeremias Fontes desvincular-se de compromissos políticos.
Livre desse entrave, ele se dispõe a realizar obras de infraestrutura. Para dar
uma ideia das necessidades do Estado nesse setor, lembra que a rede de esgotos
de Niterói continua a mesma desde 1926, embora a população tenha aumentado
quatro vezes. E apresenta alguns de de seus planos imediatos:
Procuro dar condições
de velocidade à máquina administrativa, a fim de que as obras catalogadas no
plano de Governo em todos os municípios não deixem de ser realizadas por falta
de tempo. Estou cogitando de criar a Secretaria de Serviços Públicos, que
englobará os órgãos estaduais de características empresariais. Pretendo dar ao
Departamento de Engenharia estrutura de Superintendência, nos moldes da SURSAN.
Paralelamente, determinei enérgico programa de contenção de despesas à equipe
do Governo e a concentração de todos os recursos materiais e funcionais de cada
secretaria no cumprimento dos planos prioritários.
A ponte Rio-Niterói, atraindo um fluxo
inesperado de progresso à Capital do Estado e cidades vizinhas, representa um
desafio suplementar ao Governo fluminense. Duas comissões, designadas pelo
Governador, elaboram um plano de urbanização destinado a permitir o crescimento
horizontal de Niterói; estudam o aproveitamento de áreas disponíveis no
perímetro urbano, melhoria dos serviços públicos, vias de acesso e meios de
comunicação. Estudos similares serão feitos em Maricá, Itaboraí, São Gonçalo e
Magé. As iniciativas do Governo Jeremias Fontes abarcam, no entanto, campo bem
mais vasto:
Dentro da programação
prioritária, estamos dando ênfase aos setores da educação, agricultura, saúde,
energia e abastecimento de água. Preocupado com as realizações básicas e
obtendo valiosa ajuda do Governo Federal, deixaremos atendidas, até o final
deste ano, todas as necessidades fluminenses no setor de energia elétrica. De
Resende ao extremo Norte, o Estado será cortado pelas linhas de transmissão e
abastecido por 17 novas subestações, que atenderão também aos municípios
turísticos da Região dos Lagos e da Região Serrana. A garantia de suprimento
normal resulta da interligação dos sistemas da Light, de Furnas e da Usina
Termoelétrica de Campos. Em 26 municípios, o Governo executou ou está executando
serviços de abastecimento de água. Antecipando-se ao crescimento demográfico
que resultará da ponte sobre a Baía da Guanabara, programou a construção, em
Niterói, de um centro de abastecimento, um mercado de peixe e um terminal
pesqueiro. Outro centro de abastecimento, na Baixada, e uma Usina de Leite, com
capacidade para industrialização de 200 mil litros diários, complementam o
programa mínimo. Para a assistência ao agricultor, foram criadas as patrulhas
motomecanizadas, que funcionam presentemente com duas perfuratrizes e 30
tratores de roda, aos quais se somarão, em mais 30 dias, 50 tratores comprados
na Iugoslávia. O Banco do Estado oferece crédito fácil aos lavradores,
enquanto, no setor de saúde, 20 ambulâncias do Serviço Médico Volante prestam
auxílio à população rural. Dentro de cinco meses, esse serviço se estenderá a
todos os municípios do Estado. Um manicômio judiciário está em construção, três
hospitais sofrem ampliação (Heitor Carrilho, Ari Parreira e Hospital
Psiquiátrico) e os demais receberam novos equipamentos. No setor do ensino, um
recorde foi batido: a construção de mil salas de aula em 20 meses. Outras 600
salas estão em construção, sobretudo na Baixada Fluminense. Esse esforço não
impediu o desenvolvimento de programas de estímulo à alfabetização de adultos
(50 mil foram alfabetizados em um ano pela Cruzada ABC), de criação de novos
ginásios, escolas vocacionais e ajuda à Campanha de Educandários Gratuitos. No
setor rodoviário, os maiores investimentos destinam-se às rodovias Angra dos Reis-Parati,
Friburgo-Teresópolis e Rio Bonito-Araruama. Esta deverá ficar pronta em março.
O Estado do Rio dispõe de grande
potencialidade econômica. As reservas calcárias de Cordeiro e Cantagalo, onde
já se instala uma grande fábrica de cimento, bastariam para o consumo nacional
nos próximos 30 anos. Há reservas importantes de quartzo, feldspato, mica e
outros recursos minerais. O Governo pretende implantar em Campos um Distrito
Industrial destinado a fixar a mão-de-obra, combater o desemprego e estimular o
progresso do Norte fluminense, hoje dependente da agroindústria do açúcar.
Facilidades serão oferecidas igualmente à industrialização da Baixada
Fluminense e aos investimentos agropecuários, em todo o Estado. O turismo,
finalmente, oferece perspectivas ilimitadas:
Vamos adotar nesse
campo uma política agressiva. Para isso, criaremos a Secretaria de Turismo, com
a necessária elasticidade administrativa. Recebemos proposta de um grupo
italiano que quer financiar a construção de motéis e vilas turísticas. Vamos
apreciá-la e oferecer condições à iniciativa privada para que ajude o Estado
nessa tarefa. Primeiro, queremos dotar de água, energia, acesso adequado e
meios de comunicação a todas as cidades de turismo. As obras estão programadas
e a maioria em fase de realização.
Na opinião do Governador Fluminense, a
fusão do Estado do Rio com a Guanabara é inevitável. Se realizada agora, porém,
se ressentiria do desnível existente:
O Estado do Rio
precisa primeiro equilibrar-se com a Guanabara. A ponte Rio-Niterói resultará
na fusão de fato. Resta esperar que as nossas possibilidades permitam a fusão
de direito. É este um dos motivos que me leva à obsessão de concretizar as
obras de infraestrutura que alicercem o desenvolvimento fluminense. (MANCHETE N° 877)
(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de
Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor
e Colunista;
YYY
Coletânea de Vídeos das Náuticas Jornadas YYY
https://www.youtube.com/user/HiramReiseSilva/videos
Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso
do Sul (1989);
Ex-Vice-Presidente da Federação de Canoagem de
Mato Grosso do Sul;
Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre
(CMPA);
Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e
Cultura do Exército (DECEx);
Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do
Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando
Militar do Sul (CMS);
Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia
Brasileira (SAMBRAS);
Membro da Academia de História Militar Terrestre
do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
Membro do Instituto de História e Tradições do
Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);
[1] A frase “deixar
para as calendas gregas” significa deixar para um tempo que nunca há de
vir; adiar a solução de alguma coisa para um tempo remoto. No calendário romano
o primeiro dia de cada mês se chamava calendas. O calendário grego não
comportava dia análogo. Por isso, quando os romanos falavam jocosamente das “calendas gregas”, queriam referir-se a
uma data que não existia ou que não poderia mais ocorrer. E com esse sentido a
expressão se conserva nas línguas modernas. (recantociasletras.com.br)

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