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Gente de Opinião

Hiram Reis e Silva

A Terceira Margem – Parte CLXXXVIII - -Navegando o Tapajós ‒ Parte VI - Complexo Hidrelétrico do Rio Tapajós


Turbina bulbo - Gente de Opinião
Turbina bulbo

Bagé, 06.04.2021

 

Navegando o Tapajós ‒ Parte VI

 

Complexo Hidrelétrico do Rio Tapajós

 

Foi publicado, no dia 25.05.2009, no Diário Oficial da União, o Estudo de Inventário Hidrelétrico do Rio Tapajós (Pará), que identifica 14,2 mil MW de capacidade instalada no Rio. Isso significa que poderão ser construídas “até 7 pequenas” hidrelétricas no Tapajós. O próximo passo para a implantação das hidrelétricas é a elaboração dos estudos de viabilidade dos sete aproveitamentos indicados no inventário, que também deverão ser aprovados pela ANEEL.

 

 

Diário Oficial da União
N° 97, segunda–feira, 25.05.2009
Superintendência de Gestão e Estudos Hidroenergéticos
Despachos do Superintendente
Em 22.05.2009

 

.............................................................................................................................

 

N° 1.887 – O Superintendente de Gestão e Estudos Hidroenergéticos da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, no uso das atribuições estabelecidas [...] resolve:

 

I      Aprovar os Estudos de Inventário Hidrelétrico do Rio Tapajós, no trecho entre a confluência de seus formadores Juruena e Teles Pires e sua Foz, no Rio Amazonas, com uma área de drenagem total de 492.481km², incluindo também seu afluente pela margem direita, Rio Jamanxim, com área de drenagem de 58.633km², localizados na sub-bacia 17, Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas, nos Estados do Pará e Amazonas, apresentados pelas empresas Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. – Eletronorte e Construções Camargo Corrêa S.A., inscritas no CNPJ sob os nos 00.357.038/0001-16 e 01.098.905/0001-09;

 


II    Os estudos identificaram um potencial total de 14.245 MW, distribuídos em 3 aproveitamentos no Rio Tapajós e 4 no Rio Jamanxim, conforme quadro abaixo:

 

INFORMAÇÕES DE REFERÊNCIA

Coordenadas

Geográficas

Dist. da Foz
(km)

Área de
Drenag.
(km²)

N.A. de
montante
(m)

N.A. de
jusante
(m)

Potência

(MW)

Área do
Reservatório
(km²)

TAPAJÓS

 

 

S. Luiz do
Tapajós

04°34’10”S
56°47’06”O

321

452.783

50,0

14,2

6.133

722,25

Jatobá

05°11’48”S
56°55’11”O

456

386.711

66,0

50,0

2.338

646,30

Chacorão

06°30’08”S
58°18’53”O

699

346.861

96,0

71,9

3.336

616,23

Subtotal

 

1.186.355

 

11.807

1.984,78

JAMANXIM

 

Cachoeira do Caí

05°05’05”S
56°28’05”O

44

56.661

85,0

50,5

802

420,00

Jamanxim

05°38’48”S
55°52’38”O

171

39.888

143,0

85,5

881

74,45

Cachoeira dos Patos

05°54’59”S
55°45’36”O

212

38.758

176,0

143,0

528

116,50

Jardim do
Ouro

06°15’49”S
55°45’53”

259

37.456

190,0

176,0

227

426,06

Subotal

 

172.763

 

2.438

1.037,01


III   As recomendações contidas na Nota Técnica que subsidiou a aprovação do inventário hidrelétrico em tela devem obrigatoriamente ser atendidas na etapa subsequente de estudo.

 

IV    A presente aprovação não exime os autores dos estudos de suas responsabilidades técnicas e correspondente registro perante o CREA, bem como não assegura qualquer direito quanto à obtenção da concessão ou autorização do aproveitamento dos potenciais hidráulicos identificados, devendo as mesmas atenderem às disposições da legislação vigente. (DOU N° 97)

 

 

Hidroeletricidade

 

O Brasil utiliza, preferencialmente, a fonte hidrelétrica para geração de energia. Aproximadamente, 70% de nossa matriz energética provém dessas fontes. Além de possuirmos Bacias passíveis de serem aprovei­tadas, de se tratar de um recurso renovável, o parque industrial nacional é capaz de atender com mais de 90% a necessidade de bens e serviços para a construção de complexos hidrelétricos. O país é detentor de uma das mais exigentes legislações ambientais do mundo e é capaz fazer com que as hidrelétricas sejam construídas atendendo aos ditames do desenvolvimento sustentável. Evidentemente todo tipo de empreendimento doméstico, industrial, ou de qualquer gênero causará impacto ao meio ambiente. O que as legislações vigentes pretendem é minimizá-los já que o aproveitamento destes recursos é inevitável frente ao desenvolvimento e ao crescimento populacional. Volta e meia surgem “ecologistas” estran­geiros apresentando soluções mágicas, menos impac­tantes, como alternativas para a Amazônia baseadas em energia nuclear.

 

Logicamente os países de origem destes “mercenários ecologistas” teriam muito a lucrar considerando a venda de produtos e tecnologia para implantação deste tipo de usina, sem considerar os riscos que as mesmas podem trazer, além da insolucionável questão do transporte e depósito de seus rejeitos nucleares.

 

Recursos Hidrelétricos

 

O Plano Nacional de Energia Elétrica 1987/2010 avaliou que nosso Potencial Hidrelétrico era de 213 mil MW. O inventário hidrelétrico brasileiro evoluiu consideravelmente, não somente do ponto de vista da identificação do potencial, mas também no que diz respeito à metodologia de trabalho, graças a uma nova geração de engenheiros que tem como meta aproveitar esse patrimônio da melhor forma e com o menor impacto possível. A maior parte dos grandes aproveitamentos de potencial hidrelétrico estão na Amazônia. Os aproveitamentos hidrológicos localizados na Bacia Amazônia têm um Potencial Hidrelétrico avaliado em 104 mil MW. Este potencial hídrico se encontra, fundamentalmente, nas Sub-Bacias dos Rios Madeira, Tapajós e Xingu.

 

As Usinas “Verdes” de Zimmermann

 

O Rio Tapajós tem um aproveitamento hidrelétrico muito bom, mas a região ainda é de mata virgem, de difícil acesso, e a intenção de erguer usinas lá gera forte resistência dos ambientalistas. Agora, com o conceito de usina-plataforma, os impactos logísticos causados por uma obra deste tamanho não existirão. O projeto prevê a abertura do canteiro de obras em meio à mata e a concentração dos trabalhos apenas naquele local específico. (João C. Mello)

 

O engenheiro eletricista Márcio Zimmermann assumiu o Ministério das Minas e Energia dia 31.03.2010 e logo enfrentou o polêmico leilão da Hidrelétrica de Belo Monte, no Xingu. Zimmermann, à frente de uma das mais poderosas pastas do governo, que envolve energia elétrica, petróleo e gás, dedica atenção especial tanto às ações de curto prazo, quanto aos investimentos para as próximas três décadas. Zimmermann deverá adotar, para novas hidrelétricas da região amazônica, um conceito que ele próprio criou, o de “usina plataforma”. Segundo o Ministro, o Brasil precisa continuar investindo em hidrelétricas e na Amazônia, onde está o seu grande potencial, e afirma que:

 

a região não precisa de grandes reservatórios, podemos usar usinas mais de fluxo, a fio d’água. E para evitar que nasçam cidades onde são feitas as usinas, eu desenvolvi o modelo plataforma. Quando estão prontas, elas funcionam como uma plataforma de petróleo. Hoje as usinas têm telecontrole e, depois de implantadas, é preciso pouca gente para operar. Então, é possível ter trocas de turno, como se faz nas plataformas. Terminada a implantação da usina, você não deixou nascer uma Cidade, transforma tudo aquilo em reserva florestal. Vamos usar esse conceito em Tapajós. De uma área que vamos inundar, cerca de 2 mil quilômetros quadrados, vão ficar protegidos em torno de 100 mil quilômetros quadrados.

 

Os benefícios ambientais gerados pelo novo conceito aumentarão, substancialmente, o preço de obra das usinas. A polêmica usina de Belo Monte, que terá potência de 11 mil megawatts, semelhante ao do Complexo Energético do Tapajós, irá custar, segundo estimativas do governo federal, R$ 16 bilhões.

 

Hidrelétricas do Bem

 

O conceito das usinas-plataforma harmoniza a construção e a operação de hidrelétricas com a conservação do meio ambiente. Na sua implantação, a população do entorno é 2/3 menor que a de uma hidrelétrica comum. Principais etapas desse projeto:

 

1. Desmatamento Cirúrgico: a preparação da obra começa com a intervenção mínima na natureza, restrita à área da usina. Não haverá grandes canteiros de obras associados às vilas residenciais para os trabalhadores, como no método tradicional.

 

2. Trabalhos por Turnos: ao longo da construção, as equipes de funcionários se revezarão em turnos longos, a exemplo das plataformas de petróleo. O pessoal que estiver no turno ficará acomodado em alojamentos temporários no local da obra.

 

3. Recomposição do local: na conclusão da hidrelétrica, o canteiro de obras será totalmente desmontado. Todos os equipamentos, construções e trabalhadores que não forem essenciais e indispensáveis à operação da usina serão retirados do local.

 

4. Reflorestamento Radical: paralelamente, será iniciada a recuperação do ambiente. A área será reflorestada, voltando quase a ser como era antes. Na operação da usina, o trabalho por turnos continua, com o transporte do pessoal feito, prioritariamente, por helicóptero. (Fonte: www.complexotapajos.com.br)

 

Nova Fronteira Energética

 

O Complexo do Tapajós terá 10.682 MW de potência instalada e irá produzir 50,9 milhões de MW/ano, valor superior ao da energia pertencente ao Brasil gerada pela Usina de Itaipu.

 

A Bacia do Tapajós está localizada, predominantemente, no Estado do Pará e é formada pelos Rios Tapajós e Jamanxim. Os Lagos das usinas do Complexo têm uma relação área alagada/capacidade instalada de 0,18 km²/MW instalado, ante uma média nacional de 0,56 km²/MW instalado. As cinco usinas do Complexo do Tapajós serão equipadas com turbinas de diferentes modelos e potências. A explicação para isso é simples: a escolha do equipamento depende de vários fatores, sendo o principal deles a eficiência da turbina com a combinação às variáveis queda-d’água e vazão do Rio. As turbinas que serão empregadas no Complexo Tapajós são:

 

1. Bulbo: operam em quedas abaixo de 20 m. Possui a turbina similar a uma turbina Kaplan horizontal, porém devido à baixa queda, o gerador hidráulico encontra-se em um bulbo por onde a água flui antes de chegar às pás da Turbina.

 

2. Kaplan: adequadas para operar entre quedas de 20 m até 50 m. A única diferença entre as turbinas Kaplan e a Francis é o rotor. Este assemelha-se a um propulsor de navio [similar a uma hélice] com duas a seis pás móveis. Um sistema de êmbolo e manivelas montado dentro do cubo do rotor é responsável pela variação do ângulo de inclinação das pás. O óleo é injetado por um sistema de bombeamento localizado fora da turbina, e conduzido até o rotor por um conjunto de tubulações rotativas que passam por dentro do eixo. O acionamento das pás é acoplado ao das palhetas do distribuidor, de modo que, para uma determinada abertura do distribuidor, corresponde um determinado valor de inclinação das pás do rotor.

 

3. Francis: adequadas para operar entre quedas de 40 m até 400 m. A Usina hidrelétrica de Itaipu, assim como a Usina hidrelétrica de Tucuruí, Furnas e outras no Brasil funcionam com turbinas tipo Francis, com cerca de 100 m de queda d’água. (Fonte: www.complexotapajos.com.br)

 

Cuidado com a Natureza

 

É um conceito técnico que visa mitigar os impactos socioambientais. (Nivalde de Castro)

 

O Complexo Tapajós está inserido em 200.480 km² de áreas de preservação ambiental, comparados a apenas 1.979 km² de intervenção, 0,99% da área total. Juntas, as áreas conservadas correspondem aos Estados de Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Sergipe e incluem terras indígenas e 22 unidades de preservação. Outra preocupação ecológica do projeto é com os peixes que sobem o Rio para se alimentar ou reproduzir no período da piracema.

 

Por isso, canais artificiais serão construídos junto às hidrelétricas do complexo, ligando o reservatório ao leito do Rio e, assim, permitindo a migração dos peixes. A energia gerada pelo Complexo é suficiente para abastecer duas cidades como São Paulo ou três como o Rio de Janeiro, substituir a queima de 30,5 milhões de barris de petróleo por ano e economizar R$ 9 bilhões de reais por ano com a compra de petróleo. (Fonte: www.complexotapajos.com.br)

 

 

Solicito Publicação

 

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

 

·     Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989)

·     Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA) (2000 a 2012);

·     Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);

·     Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);

·     Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)

·     Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

·     Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

·     Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);

·     Membro da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO)

·     Membro da Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);

·     Comendador da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS)

·     Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).

·     Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).

·     E-mail: [email protected].

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