Porto Velho (RO) terça-feira, 7 de dezembro de 2021
×
Gente de Opinião

Hiram Reis e Silva

A Terceira Margem – Parte CCCLI - Epopeia Acreana 1ª Parte - III Homenagem Especial - II


Diário de Pernambuco n° 144, 01.07.1903.jpg - Gente de Opinião
Diário de Pernambuco n° 144, 01.07.1903.jpg

Bagé, 23.11.2021

 

 

Cartas do Amazonas

 

Vejamos três de algumas das cartas mencionadas no texto anterior, publicadas no Diário de Notícias, da Bahia e reproduzidas no Diário de Pernambuco, n° 144, no Jornal Pequeno, n° 213 e no O Paiz, n° 7.110:

 

Diário de Pernambuco, n° 144 ‒ Recife, PE

Quarta-feira, 01.07.1903

O Acre

 

Das Cartas do Amazonas, inscritas pelo médico e poeta Dr. Francisco Mangabeira para o Diário de Notí­cias, da Bahia, extraímos os seguintes períodos:

 

“Mas o que é certo é que seguem novas forças para o Acre, onde as febres fazem baixar uma média de 50 soldados por dia. Até pouco antes, havia a facilidade do transporte devido às águas, que hoje já impossibilitam a ida dos vapores até lá. Se até ontem a viagem era má, morrendo muitos enfermos – durante ela, na volta, de hoje em diante será péssima. Os vapores conduzindo tropa irão até Cachoeira, uns 2 dias de viagem boa antes de Puerto Alonso, e uns 5 antes de “Volta da Empresa”.

 

De Cachoeira [que fica a uns 10 dias de Manaus] até a sede das operações, o transporte será feito em lanchas e batelões, o que é penosíssimo. Imaginem 400 homens atulhados em um vaporzinho em que viajam 10 dias. Depois disto o vaporzinho, que é dos melhores da flotilha mercante do Amazonas, para. Os soldados mudam-se então para lanchas onde vão misturados, entupindo tudo. Não pode ser de outra maneira a viagem. Agora se se pensar, [o que é muito frequente neste tempo], que o navio ou o lanchão, mesmo sem ser por imperícia do prático, pode enca­lhar, e as forças ficarem muitos dias à espera de que passe outra embarcação para tirar aquele em que vão, do buraco onde a vazante o encrava cada vez mais, vê-se quanto sacrifício há neste negócio do Acre. Nem se fale na abertura de estradas, pois o terreno alagadiço não se oferece para este trabalho. A isto acrescente-se a impressão dos soldados vendo os companheiros que voltam. Mesmo os que ainda não saíram de Manaus, como os do 40°, tem pago um tributo, à febre. Todo dia baixa um número relativamente grande de enfermos. Ontem fui ao Quartel do 40° com meu amigo Dr. Vivaldo Lima, também baiano, que se ofereceu ao Coronel Valadares para auxiliar o serviço médico do exército em Manaus.

 

O Quartel está situado num lugar pantanoso, e quando eu entrei e comecei a assistir à inspeção, fiquei espantado ao ver a quantidade de doentes, cada qual mais amarelo, parecendo desenterrados. Terminada a inspeção, lá foram eles seguindo, escorados às paredes, amparados nos companheiros, arrimados a paus pelas salas, pelos corredores, pelas escadas. O governo estadual tem feito tudo quanto é possível afim de melhorar a situação dos que seguem para o Acre, mas, apesar de sua boa vontade e dos esforços do Governo Federal, os soldados sofrem, sofrem muito.

 

E este sofrimento irradia-se em todos os corações, porque se sente nele a angústia da Pátria, refletindo-a na angústia de seus filhos. Por isto mesmo é que todos: anseiam pelo fim disto, e, a cada boato de partida de forças, paira uma grande tristeza nos semblantes. Espera-se a todo momento, a ordem de partir o 40°. Ainda anteontem eu estive a bordo da “Amazonense”, que o deverá levar até a Cachoeira. O navio está todo pintado de novo, e tem muito carvão a fim da viagem ser a mais rápida possível. Conduz muito gado, mas todos esses cuidados não são coisa alguma para as mil dificuldades da viagem.

 

Embora não haja interrupção no itinerário, talvez não se possa viajar muito durante a noite, devido à vazante. O caminho é longo. São dois dias no Solimões, entrando o vapor no Rio Purus, onde passará, sem tocar, nas Vilas de Canutama e Lábrea, indo até a Cachoeira. Daí em diante talvez a viagem só possa ser feita em lancha, entrando-se no Rio Acre, em cujo começo está a Vila do Antimarí, hoje Floriano Peixoto, seguindo-se Puerto Alonso ou Porto Acre e outros barracões até a Volta da Empresa, que é o Quartel General das Forças em operações. Não se pode marcar ao certo, o tempo que se gastará nisto.

 

Mas o que e lógico é que a demora forçada provocará muitos outros males, mormente se se pensar na impressão que levam os soldados”. (DIÁRIO DE PERNAMBUCO, n° 144)

 

Jornal Pequeno, n° 213 ‒ Recife, PE

Quarta-feira, 23.09.1903

O Acre

Jornal Pequeno n° 213, 23.09.1903.jpg - Gente de Opinião
Jornal Pequeno n° 213, 23.09.1903.jpg

Carta escrita de Pauhury para o “Diário de Notícias” da Baía, em seis de julho:

 

“Fez ontem um mês que desembarcou em Pauhury o 40° Batalhão de Infantaria, e, no entanto, quem contempla hoje a sua soldadesca enferma e sua oficialidade fatigada, tem a sensação dolorosa de estar vendo uma legião anêmica de derrotados, como se eles, oficiais e soldados, tivessem vindo de uma viagem longuíssima, afrontando todas as intempéries imagináveis e, por fim, parassem, cansados, sem saber para onde se dirigir, pois suas pernas trôpegas embalde lhes amparem o corpo que anseia, emagrecido, dentro da farda querida. Há um mês que aqui me acho, sem poder seguir, porque a ausência de outro médico me obrigou a permanecer até agora neste lugar, e, a cada dia, vejo recaírem doentes já em via de restabelecimento, para não falar dos que vão piorando e emagrecem, e tornam-se amarelos e vomitam e afundam os olhos e gemem e morrem. Mas ao lado desta grande tristeza há em todos, principalmente nos soldados uma resignação heroica, mesmo evangélica, que comove e punge ao coração mais frio.

 

Guerreados pela febre, pelo beribéri, pela disenteria, pelos mosquitos, pelo Sol e pelo estômago, sem abrigo, sem dinheiro, e até, pode-se dizer, sem pão, eles ainda riem e cantam. Dir-se-á que de entre o martírio desafiam a natureza pomposa, cheia de matas e de água, que os cerca traidoramente, negando-lhes a todos os aconchegos e perseguindo-os com todas as dores. E, assim, quem passeia pelo acantonamento e o vê ruidoso com ruazinhas e praças cheias de quiosques de palha nas esquinas dos quais, se leem tabuletas com os dísticos ‒ Avenida da Independência, Rua Major Eduardo, Praça Marechal Floriano, e nota, cruzando-se em todas as direções ao peso de armas e cantis, um número inquieto de praças, cujas calças vermelhas parece que foram tintas com o sangue que lhes falta ao rosto, surpreende-se imaginando uma Vila mal assombrada improvisada no mato com toda a população fantasiada de espectros. E então, com a observação mais nítida, convence-se de que eles já nem mesmo são homens mascarados de caveiras e sim cadáveres, irrisoria­mente caracterizados, que fugissem de debaixo da terra, e corressem e, cambaleando e caindo. Já houve quem dissesse ser o soldado brasileiro o mais resignado do Universo. Certifiquei-me ainda uma vez desta verdade. Como que são invencíveis a todo o sofrimento, e a prova é a vida que passam aqui, onde além das suas misérias, assistem de instantes a instantes a de companheiros que descem de viagens penosíssimas, em canoas e lanchas, e vão sendo enterrados pelos barrancos desnudos, sem que ao menos se lhes possa fincar uma cruz piedosa na sepultura humilde, da qual a enchente talvez os desenterre, levando-os pelo Rio abaixo como um troféu pavoroso e errante.

Teatro “O Pauhury”.jpg - Gente de Opinião
Teatro “O Pauhury”.jpg

Eles contemplam tudo isto e não tremem.Pelo contrário, folgam e, por uma santa ironia, fazem do acantonamento uma cidade caricata, com um hebdomadário ([1]) ‒ “O Pauhury”, é um teatro. Nas noites de Lua ‒ esplêndidas noites ‒ dir-se-á que seus corações se enchem de uma doce ternura, misto de saudade e melancolia. Influência talvez, da paisagem que se torna fantástica, com o Rio rolando em caixões de prata, com as ribanceiras revestidas de armaduras de cristal, com as árvores acesas, desabrochando em arminhos e neves como garças encantadas voando pela ramaria tremula, esta saudade, esta melancolia se lhes exala do peito e dos dedos em cantatas e gemidos de viola.

 

São canções repassadas de ternura, com um sabor de beijos e lágrimas, modinhas referentes à terra natal ou dos olhos da amada desmanchando-se brandamente no ar vaporoso, como um incenso de mistério que, saindo da alma, se fosse perder na mata cheirosa e frondente. Alguns oficiais metem-se numa canoa e singram o Rio, levando flautas e violas, a cantar e a gemer. E então, parece de longe, que é uma sereia que vai descendo as águas, onde o plenilúnio agita peixes argentinos a espumas impalpáveis, como mãos divinas.

 

Voltam, saltam no acantonamento e, à sua passagem grupos de soldados acocorados levantam-se espantados, enrolando a colcha no chão. Estavam jogando com o luar e a colcha vermelha era o pano verde. No outro dia novos doentes, novas recaídas.

 

E neste vai e vem correm as semanas, sem que haja uma ordem superior, determinando o destino desta tropa. Anteontem, chegou aqui, vindo da “Empreza”, o médico de 5ª classe Dr. Manoel Secundino de Sá. Veio servir junto ao Batalhão, que eu vou deixar nestes dias, continuando minha viagem. Mas se por um lado me regozijo com isto; por outro sinto saudades destes oficiais e destes soldados, tão cheios de doença e de alegria, que vieram trazer a esta plaga um cheiro de civilização. Diga-o o povo da vizinhança, que aos sábados acorre para aqui, a fim de assistir ao espetáculo. São comédias e cançonetas escritas pelos próprios soldados, que, organizado o teatro, com pano de boca e cenário, se caracterizam com bigodes e cabeleiras feitos do rabo dos poucos bois mortos para o consumo. E o auditório ri-se, enlevado ([2]), por ver estes homens, que mais parecem diabos, metidos em suas fardas com o rosto de fantasmas.

 

No sábado passado houve, porém, ura contratempo. O povo da vizinhança já apinhava em frente ao teatro. Eram homens em mangas de camisa e brilhantes ao dedo, mulheres com argolas caras, meninas cheias de berloques e canoeiros descalços e lavadeiras humildes. Ia-se cantar, entre outras coisas ‒ a cançoneta ‒ “Carapanãs e Piuns”, em que se celebrava a crueldade dos mosquitos implacáveis. A ansiedade crescia. Já se tinha ouvido o toque das 9 horas e nada de teatro. Havia um reboliço no povo que esperava e se impacientava. De repente, levantou-se o pano e um dos atores apareceu dizendo que fora transferido o espetáculo porque o galã estava tremendo, num acesso de febre palustre. E a esta notícia repercutiu uma gargalhada no acantonamento.

Francisco Mangabeira (JP, N° 213)

 

O Paiz, n° 7.110 ‒ Rio de Janeiro, RJ

Domingo, 27.03.1904

Heróis Acreanos

O Paiz n° 7.110, 27.03.1904 - Gente de Opinião
O Paiz n° 7.110, 27.03.1904

O Paiz, n° 7.110 ‒ Rio de Janeiro, RJ

Domingo, 27.03.1904

Heróis Acreanos

 

De um jornal do Norte, transcrevemos a seguinte carta do pranteado poeta Dr. Francisco Mangabeira, escrita de Capatará, acampamento dos expedicionários do Acre:

 

“Sejam estas linhas humildes consagradas à memória dos que morreram com honra e, por modestos, ficam ingratamente esquecidos ‒ às vezes, sem uma lágrima ou flor sobre a sepultura! ‒ à semelhança das folhas levadas para longe pelo vento, e depois confundidas no pó da estrada sob os pés inclementes do viajante que passa, pisa sobre elas, sem as ver, nem procurar depois arrancá-las da bota.

 

Assim são os lutadores sem categoria, confundidos num anonimato glorioso, de blusa simples, em que não reluz um galão, marchando duramente com a espingarda ao ombro, até que, acesa a luta, se despacham no meio dela, entre o fumo e as balas, e avançam e pulam e gritam, formando todos juntos numa grande vaga negra, tragicamente rugidora, a que as baionetas dão um brilho de ardentia, onda fantástica e sublime que se quebra de encontro ao inimigo, coroando-se de uma espuma de sangue.

 

Depois, passado o temporal, canta-se a vitória, os chefes abraçam-se, já sentindo sobre à fronte o peso dos louros, eles ‒ os braços, terríveis da luta ‒ ficam esquecidos, ou numa sepultura sem epitáfio ou num Batalhão e, mais tarde, apenas umas velhinhas inconsoláveis derramam lágrimas sem conta pela memória dos que ficaram e outras abraçam aos que voltam quando os veem à porta do lar vazio e obscuro, pobres de honra e louros como quando foram, mas com outro olhar e outra fisionomia, a indicar-lhes a satisfação íntima de quem cumpriu plenamente um dever sagrado.

 

Num momento como este, eu queria que minha pena fosse como a lâmpada maravilhosa do príncipe asiático, e pudesse despertá-los, um a um, de dentro das covas escuras e trazê-los para fora como eles estivessem, esfarrapados, com a cabeça furada, um olho arrebentado, a língua misturada com pedaços de dentes e sobre toda esta miséria dorida e trágica o fumo e a poeira da batalha que os vitimou, pois não sei de outra auréola mais digna de heróis. Queria ressuscitá-los na sua humildade e na sua grandeza, para que todos os vissem e chorassem quando o Sol lhes batesse em cheio nas faces cavadas, mas ainda com umas linhas nobres e enérgicas de altivez e heroicidade.

 

Depois que entrassem novamente nos seus sepulcros úmidos sem ter outro agasalho a não ser a blusa rota empastada de sangue, e ficassem dormindo tranquila­mente por todos os séculos, pois, de instante, iriam arrancá-los do repouso a imaginação e o sentimento do povo, à semelhança da viração que vai arrancar os perfumes da mata e se espalha cheirosa sobre a terra e as águas, deixando por onde passa um pouco de aroma e um pouco de vida. Nesta guerra do Acre apareceram também, por mais de uma vez, gigantes morais de tamanha altura, que, cada um, por si só, tem luz bastante para ofuscar cem homens.

 

Começo por falar de um que morreu ontem, pacificamente, no meio da estrada. Foi a 21 de outubro, o dia final do “modus vivendi”, que eu pressenti, nesse homem rude a figura de um herói.

Estávamos em Boa Fé, acampados. Desde a manhã pairava com ansiedade em todos, e cada um fazia mil suposições, sobre o desenlace desta questão, conhecida já pelo Brasil inteiro, menos por nós, a quem ela tão profundamente interessa. Nos soldados havia a mesma inquietação. Percebia-se em todos o desejo de atravessar os espaços e sair perguntando aos quatro ventos que resolução tivera a pendência entre o Brasil e a Bolívia. Outros já pensavam em marchar para as avançadas, onde estavam os piquetes inimigos.

 

Ao meio dia, pouco mais ou menos, reunida a oficialidade, resolveu-se mandar imediatamente 100 homens para o “Gavião”. Antes disso, porém, com uma cerimônia tocante, foi lido o hino do Acre. Nesta ocasião eu vi, entre muitos que tinham os olhos molhados, um mulato, muito amarelo, que se erguia frenético, metendo os dedos na cabeça, gesticulando. Dir-se-ia que era continuamente agitado, da cabeça aos pés, por uma pilha elétrica.

 

Olhei-o bem. Era Jerônimo, um rapaz muito doente, que baixara, desde muitos dias, à enfermaria. Tinha-se levantado e, assim pálido e magro, arregalando os olhos cheios de luz, empinando o tronco, Jerônimo estava belo. Lembrava, no seu definhamento e na sua energia um desenterrado que ressuscitasse com uma vida diferente, toda subjetiva. Dirigi-me a ele que, avançando para mim, pedia alta, jurando estar bom e, para provar-me, mostrou-me os braços finos, por onde quase que atravessava a luz.

 

De outros muitos eu poderia falar, mas morreram na guerra e, nestes momentos, o tempo é pouco para celebrar-se a vitória ou remediar a derrota. Contudo, não deixo olvidado o nome de um negro, que foi ferido em Porto Rico e, pouco depois, morreu. Chamava-se Pio Nasário. De tão preto chegava a reluzir este valente. Parecia todo talhado em ônix ([1]), pois nada se distinguia nele, a não ser a pérola dos dentes, o claro dos olhos e o vermelho dos lábios grossos e caídos, como se alguém tivesse num estojo negro pendurado uma joia disforme, modelada em coral.

 

Jamais se abaixara em meio às balas e sempre, no pior da luta, avançava cego e doido, como um gênio negro, a quem as balas temiam. Em Santa Rosa ‒ a batalha perigava para os acreanos, pois o inimigo, entrincheirado em barracões, resistia com vantagem, Pio Nasário, confundindo-se com a noite, chegou lá e botou fogo ‒ ele sozinho! ‒ às trincheiras bolivianas. Isto decidiu a vitória para os acreanos. Em todos os outros combates: sempre se distinguiu imensamente, expondo-se com grande imprudência, até que, em Porto Rico, um dia, tendo voltado de uma excursão, pôs-se em pé na trincheira e gritou para o inimigo:

 

Eu já cheguei!

 

Nisto uma bala feriu-o no fígado, e ele morreu diante dos companheiros, que o olhavam deslumbrados. Em Porto Acre, num combate de 9 dias, que terminou com a tomada da hoje cidade deste nome, morreram também heroicamente o Brigada José Faustino e o Sargento Barros. Queria fazer parte do piquete que ia seguir e todos os meus argumentos e ordens se desfizeram diante da vontade daquele obstinado, que se não rendia à arguição, e pedia, e implorava, e argumentava, falando a mim, aos companheiros, aos oficiais, até que partiu. Partiu... e não voltou ou, por outra, voltou ontem, morto.

 

Quando chegou o cadáver, levantei o pano e vi, dentro da rede, seu rosto. Estava sério, mas inspirado. Dir-se-ia que nele se desenhava uma ideia muito alta e muito nobre, clareando-o, tornando-o mais imponente na majestade fria da morte. O primeiro ia repetir o que tinha feito no combate da “Volta da Empreza”; fincar a bandeira acreana junto do inimigo, quando uma bala o matou. Os que o acompanharam com o olhar deste lance extraordinário viram-no avançar com a Bandeira na mão, alvejado por mil tiros, até que caiu, com o peito furado e o Pavilhão Acreano entre os braços. O Sargento Barros tinha tocado fogo em duas casas bolivianas, quando, ao fazê-lo na terceira, caiu e morreu queimado, entre a apoteose das chamas que, subindo, parecia levarem para o céu, transformada num fogo sagrado, a alma do herói”.

 

A carta continua em outros números do jornal que ainda não vieram. (O PAIZ, N° 7.110)

 

Bibliografia

 

DIÁRIO DE PERNAMBUCO, N° 144. O Acre ‒ Brasil ‒ Recife, PE ‒ Diário de Pernambuco, n° 144, 01.07.1903.

 

JP, n° 213. O Acre ‒ Brasil ‒ Recife, PE ‒ Jornal Pequeno, n° 213, 23.09.1903.

 

O Paiz, n° 7.110. Heróis Acreanos ‒ Brasil ‒ Rio de Janeiro, RJ ‒ O Paiz, n° 7.110, 27.03.1904.

 

Solicito Publicação

 

 

 

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

 

·     Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989)

·     Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA) (2000 a 2012);

·     Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);

·     Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);

·     Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)

·     Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

·     Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

·     Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);

·     Membro da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO)

·     Membro da Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);

·     Comendador da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS)

·     Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).

·     Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).

·     E-mail: [email protected].



[1]   Ônix: variedade semipreciosa de quartzo calcedônia, listrada de preto e branco.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Mais Sobre Hiram Reis e Silva

A Terceira Margem – Parte CCCLX - Epopeia Acreana 1ª Parte - XII  Rio Acre

A Terceira Margem – Parte CCCLX - Epopeia Acreana 1ª Parte - XII Rio Acre

(*), Bagé, 06.12.2021 O Rio Acre nasce na fronteira entre o Brasil e o Peru, nas coordenadas 10°56’05,44” S / 70°31’46,89” O, a uma altitude de 356,5

A Terceira Margem – Parte CCCLVIII - Epopeia Acreana 1ª Parte - X  Mangabeira por Almachio Diniz - III

A Terceira Margem – Parte CCCLVIII - Epopeia Acreana 1ª Parte - X Mangabeira por Almachio Diniz - III

Bagé, 02.12.2021  As grandezas do nosso Brasil, não foram vistas pelo poeta de “Tragédia Épica”, pelo seu lado estático, de formas radiantes de uma n

A Terceira Margem – Parte CCCLVII - Epopeia Acreana 1ª Parte - IX  Mangabeira por Almachio Diniz - II

A Terceira Margem – Parte CCCLVII - Epopeia Acreana 1ª Parte - IX Mangabeira por Almachio Diniz - II

Bagé, 01.12.2021 Ao seu tempo, quando o artista tinha olhos para ver e sentimento para compreender o desabrochamento da alma naquele corpo de mulher,

A Terceira Margem – Parte CCCLVI - Epopeia Acreana 1ª Parte - VIII  Mangabeira por Almachio Diniz - I

A Terceira Margem – Parte CCCLVI - Epopeia Acreana 1ª Parte - VIII Mangabeira por Almachio Diniz - I

Bagé, 30.11.2021  Francisco Mangabeira, por certo, não nasce simplesmente, no dia em que seus olhos para a vida se abrem, mas, fundamentalmente, naq