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Carlos Sperança

O Conjunto Morar Melhor, em de Porto Velho, está se transformando numa bomba relógio prestes a explodir


O Conjunto Morar Melhor, em de Porto Velho, está se transformando numa bomba relógio prestes a explodir - Gente de Opinião

Prender e arrebentar

A ciência está prestes a fazer um acerto de contas entre o passado e o presente amazônico, para assegurar a obtenção do melhor que a floresta pode proporcionar e evitar os acidentes de percurso ocorridos, que levaram uma região rica e próspera à situação de selvageria e pobreza que se tornou um dos freios crônicos ao desenvolvimento do Brasil.

O acerto de contas começa com a catarata de pesquisas feitas nos últimos anos, levando à certeza de que já havia civilização na área há 13 mil anos, com pelo menos 8 mil anos de economia ativa e uma população similar à de Portugal antes que os europeus viessem e causassem o misto de tragédia humana e ambiental que resultou no prolongado e improdutivo domínio ibérico.

As revelações arqueológicas apontam para uma Amazônia pré-colombiana com poderosa agrobiodiversidade e produção abundante, para uso exclusivo do mercado interno, o que significa, no mínimo, uma região sem fome e uma população saudável. Caberá à ciência retomar o melhor ciclo e evitar as causas da ruína e da decadência, sobretudo pelos instrumentos de pesquisa e pela política, que precisa ser a ação superior do gênio humano e não ringue de trogloditas com sede de sangue. O general João Figueiredo prometeu prender e arrebentar quem fosse contra a democracia, mas talvez seja melhor pacificar a sociedade por uma pauta mínima de soluções em benefício de todos.

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Cenário indefinido

Já com a maioria das candidaturas  a prefeitura de Porto Velho postas para as convenções partidárias, algumas lançadas para negociar vices, ainda temos algumas indefinições para compor o quadro do cenário eleitoral. A principal delas é a definição do ex-deputado federal, o atual diretor do Detran Leo Moraes (Podemos) que passa a ser, com a desistência de Fernando Máximo, o nome mais vitaminado para polarizar a eleição com a candidata super chapa branca Mariana Carvalho (União Brasil) nas eleições de outubro. Se ele não sair os governistas acreditam em vitória da ex-deputada ainda em primeiro turno.

As escalações

Com alguns postulantes ficando pelo meio do caminho, como Fernando Máximo e Marcelo Cruz, salvo novas alterações no cenário da capital, já estão acertadas para as convenções de julho os nomes de Vinicius Miguel (PSB), Euma Tourinho (MDB), Ricardo Frota (Novo), Benedito Alves (Solidariedade), Samuel Costa (Rede). Para se definir, Leo Moraes (Podemos). Mas a lista pode ser ampliada com nomes do PSD de Expedito, PT de Fátima Cleide, PL de Marcos Rogério. Ou seja, teremos em 2024 um recorde histórico de candidaturas e com isto a possibilidade ampliada de eleições em dois turnos, mesmo sem Fernando Máximo, tal fragmentação de votos.

Segundo turno

Falo da possibilidade de eleições em dois turnos em Porto Velho em virtude do elevado número de postulantes na peleja, da rejeição do voto evangélico em cima de Mariana e também pelo interesse dos caciques políticos estaduais em sabotar o projeto Hildon Chaves governador e Marcos Rocha senador em 2026. Uma derrota de Mariana deixaria o projeto das duas principais lideranças da capital mais fragilizado e ninguém vai facilitar as coisas para eles. Com certeza, Mariana vai ser bombardeada e tratada a ferro e fogo pelos demais interessados ao CPA e as duas cadeiras ao Senado na eleição 2026.

Bomba relógio

O Complexo Popular Morar Melhor, na Zona Sul de Porto Velho, está se transformando numa bomba relógio prestes a explodir e se tornar um mar de sangue. Com as facções criminosas instalando escritórios do crime, montando julgamentos do tribunal do crime, com acolhimento de presidiários foragidos do Acre e de Ariquemes e mais recentemente os piratas do Rio Madeira oriundos do Amazonas e do Pará, o complexo habitacional acabou virando num inferno para seus moradores, muitos despejados pelos facionados para seus apartamentos serem vendidos ou para serem ocupados por comparsas.

Ocupando o pódio

O conjunto Morar Melhor, com saídas estratégicas em matas próximas já está ocupando o pódio entre as comunidades populares, como do Orgulho Madeira, Porto Madero e Cristal da Calama, igualmente infestados de ladrões de fiação elétrica, motos, negócios de drogas, entre tantos outros malfeitos promovidos pelas organizações criminosas. Logo, logo Porto Velho estará, como o Rio de Janeiro, com grande parte do estado dominado pelas facções e aonde nem governador nem prefeito apitam nadica de nada. É realmente uma situação apavorante, pois os assaltos já acontecem de dia e as dúzias nas várias regiões da cidade.

Interesses dispares

Acompanhando a situação das eleições na capital também é possível verificar o movimento das peças em direção as eleições estaduais em 2026. Temos jogo bruto a caminho. De um lado, o ex-governador Ivo Cassol já mostrando suas garras afiadas, de outro o vice-governador Sergio Gonçalves, com as asas crescidas já entrando em campo. E temos o prefeito de Porto Velho Hildon Chaves já em ritmo de interiorização para a disputa, além do candidato dos bolsonaristas Jayme Bagatolli. Uma peleja sensacional pela frente e os grupos políticos já se organizando tendo as eleições municipais neste momento priorizadas.

Via Direta

*** Dos prefeitos atuais em Rondônia, o nome considerado mais favorito no interior do estado  rumo a reeleição é o talentoso Adailton Furia, em Cacoal que tem pretensões estaduais no pleito 2026 *** Outros prefeitos em condições de se reeleger já cumpriram duas gestões, como Alex Textoni em Ouro Preto do Oeste e Hildon Chaves em Porto Velho e não poderão disputar mais reeleições *** E também temos os casos de prefeitos afastados e dependentes de soluções com a justiça, como em Guajará Mirim para voltarem ao jogo ***As eleições municipais prometem disputas encarniçadas em cidades onde as oposições jogam pesado, casos de Ariquemes, Guajará Mirim e Vilhena. 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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