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Carlos Sperança

A infraestrutura é uma das piores debilidades da Amazônia e Pimenteiras do Oeste o novo campeão


A infraestrutura é uma das piores debilidades da Amazônia e Pimenteiras do Oeste o novo campeão - Gente de Opinião

A infraestrutura

A infraestrutura é uma das piores debilidades da Amazônia. Desde o famoso discurso do Rio Amazonas, pronunciado pelo ditador Getúlio Vargas em 1940, a região é alvo de calorosas manifestações e promessas que se arrastam pelas décadas sem solução. Vargas disse que não podia esquecer os amazônidas, “porque sois a terra do futuro, o vale da promissão na vida do Brasil de amanhã”. Reciclado inúmeras vezes ao longo da história, Vargas acrescentou que “o vosso ingresso definitivo no corpo econômico da Nação, como fator de prosperidade e de energia criadora, vai ser feito sem demora”.

Muitos governos e duas ditaduras depois, a infraestrutura continua a ser um imenso desafio, com muita demora, entraves e obstáculos, atravessando as crises cíclicas como se fosse um ciclo contínuo pairando acima das vontades e dos esforços dos três níveis de governo, milhares de ongs e a população crescente.

Acreditava-se que o desenvolvimento geral traria o ajuste fino da infraestrutura, mas sequer o grosso infraestrutural já foi resolvido, até porque nas condições especiais da região é mais fácil encher o céu de satélites que estender convencionais trilhos e asfalto. Aliás, nem trata de uma só infra, mas de muitas infras. Há pouco foi identificada mais uma: a carência de especialistas em bioeconomia. Como quem faz o pão é o padeiro, não é possível cumprir a agenda bioeconômica sem especialistas no setor.

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Principais polos

Constata-se desde a monumental Operação Exccentric, da Policia Federal, em 1985, que os principais polos do narcotráfico em Rondônia estão localizados em Guajará Mirim, Porto Velho, Cacoal e Vilhena. Naquele ano foram apreendidos caminhões, embarcações e até aviões dos carteis de drogas. De lá para cá, o narcotráfico estendeu seus tentáculos para outros municípios importantes e como resultado o consumo dos entorpecentes se espraiou até para as tribos indígenas e núcleos quilombolas. É realmente uma situação aflitiva que gera elevada criminalidade.

Audiência pública

A deputada estadual Claudia de Jesus (PT-Ji-Paraná) está convocando audiência pública na Assembleia Legislativa, programada para o próximo dia 28, visando discutir e criar alternativas para a regularização fundiária em Porto Velho. Ela pretende que as autoridades atualizem as políticas públicas também referentes a habitação. Na verdade, ela está reforçando ações já desenvolvidas pela prefeitura de Porto Velho – que já começou a legalizar títulos no setor chacareiro – e do governador Marcos Rocha (União Brasil) – que anunciou amplo programa neste sentido ainda em 2023.

Na liderança

O município de Pimenteiras do Oeste, a 90 quilômetros de Vilhena, na fronteira com a Bolívia conhecido pelo seu festival de praia no Rio Guaporé, é o novo campeão na produção de soja em Rondônia, segundo levantamento recente do censo do IBGE. Com suas 173 mil toneladas produzidas, o município superou Vilhena, com colheita de 160 mil toneladas. O Cone Sul rondoniense segue com a maior produção do estado, quase a metade do que foi colhido da oleaginosa em 2021. Em 2023 o plantio da soja está se espalhando também pelo Vale do Guaporé e Ponta do Abunã.

Crise na pecuária

Temos urros e ranger de dentes dos pecuaristas rondonienses que vivenciaram na pandemia seu apogeu de lucros com a carne bovina. Atualmente com a arroba cotada a menos de R$ 200,00, temos o preço da carne nos açougues com retração em até 14 por cento nos açougues. Igualmente tivemos queda nos valores das carnes suína e do frango. Apenas os ovos mantiveram alguns aumentos, mas já se vê ofertas das cartelas de 30 ovos vendidos nos supermercados da capital rondoniense a menos de R$ 20, 00.Endividados, os pecuaristas clamam por socorro do governo estadual.

Aporte de recursos

A Assembleia Legislativa de Rondônia aprovou aporte de recursos em torno de R$ 100 milhões destinados a Secretaria de Estado da Saúde para reduzir o enorme déficit de cirurgias pelos hospitais rondonienses. Em Porto Velho a situação se tornou dramática, com centenas de pacientes aguardando por cirurgias até três anos, inclusive em casos graves. São aflitivos também as dezenas de casos de acidentados com pernas, braços e quadris quebrados gemendo de dor, num sofrimento terrível nos estabelecimentos hospitalares rondonienses no aguardo de providências.

Via Direta

*** De um lado as esferas federais trabalham para reformar aeroportos em Rondônia e no Amazonas, mas em contrapartida temos uma drástica redução de voos *** Teremos aeroportos mais modernos para o uso de onças e pouso de carapanãs? E em Ariquemes, um aeroporto sem voos e passageiros? *** Diante de lideranças políticas frouxas, a ANEEL planeja reajustar em 14 por cento a energia para os rondonienses a partir de dezembro, num presente de Natal às avessas, presente de grego para Rondônia *** Com duas gigantescas hidrelétricas atendendo o País e abastecendo com suas linhas de transmissão até Araraquara, todo o Sudeste, Rondônia segue sendo tratada como colônia.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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