Porto Velho (RO) sábado, 17 de agosto de 2019
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Violência sexual que invade nossos lares – E quando ela começa em casa?!?!?


Violência sexual que invade nossos lares – E quando ela começa em casa?!?!? - Gente de Opinião

Viviane V.A. Paes
 

Nesta quarta-feira fui surpreendida com dois posts no meu mundo Facebook: um do El País com a história de uma menina de 12 anos vítima de um especialista em informática de 57 anos, que ela achava ter apenas 17. O contato começou via MSM e culminou com idas para motel, onde o agressor ficava no escuro para não ser identificado, com beijos e terminou depois de algumas semanas no ato sexual. Depois que a vítima descobriu quem era o “namorado virtual”, ele a chantageou com vídeos e material que crackeava – o termo hacker – é apenas para invasão de arquivos sem roubos ou alteração de dados, durante os seis meses de contato. Já fiquei abismada.

Horas depois vejo a indicação do livro Não conte para mamãe! – Diário de uma infância perdida, da inglesa Toni Maguire. Ela relata os abusos sexuais cometidos pelo próprio pai dos sete aos 12 anos. Nesta idade ela fica grávida conta ao médico da família que nunca dormira com ninguém a não ser seu pai. O mesmo a obriga a fazer um aborto. O procedimento que a impediu pelo resto da vida de ser mãe a libertou do flagelo com a prisão do pai por três anos. A reação da mãe dela é o que há de mais interessante – não encontro palavra exata para isto! Ela disse que sempre soube do que acontecia e não acompanhou ou ajudou a filha em nenhum momento das internações decorrentes do aborto.

Fui pesquisar sobre este tema porque seria impossível não falar dele esta semana e descobri que 200 milhões de crianças foram vítimas de violência sexual no mundo, segundo um relatório do Plano Internacional, organização não governamental que propõe uma maior ação dos governos e da sociedade civil para erradicar este problema. Com base nos dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), a organização afirma ainda que "quase metade de todas as agressões sexuais são cometidas contra meninas menores de 16 anos". Entre 500 milhões e 1,5 bilhão de meninos e meninas sofrem algum tipo de violência a cada ano, indica o estudo da ONG presente em 70 países. Pior, muito pior e constatar na mesma fonte que pelo menos 246 milhões de crianças sofrem violência sexual nas escolas a cada ano, segundo os cálculos da organização, por isto o título o relatório é o Direito das meninas e meninos de aprenderem!

Tentei recordar de parte da minha infância em Goiânia (GO) e em Porto Velho (RO) casos de violência sexual e realmente não me lembrei de nenhum. Isto não quer dizer que não existissem há três décadas. O que veio a mente foram comentários de minha mãe com amigas do tipo: “Não deixo o pai de fulana dar banho nela de jeito nenhum, porque homem é homem e o diabo atenta” ou “meu marido é muito bom, mas com três meninas em casa é melhor não facilitar”.

Buscando um pouco mais longe veremos que os casos de meninas e adolescentes sequestradas, violentadas por 20 e até 30 anos em vários países, descobertos nos últimos anos sempre aconteceu. O livro que citei acima mesmo é um relato da autora na década de 50! Não sou a última das conservadoras, no entanto, admitamos - principalmente no Brasil não se encontra meninas ou mesmo meninos de oito anos vestidos conforme sua idade! No auge do sucesso do grupo baiano é o Chan com suas danças pra lá de sensuais o que mais se via eram meninas vestidas iguais às bailarinas do grupo! Claro que a violência sexual em menores não acontece simplesmente porque as meninas de hoje são moças e mulheres no vestir. Até porque pais, vizinhos, amigos e outros que cometem estes crimes são doentes que o fariam mesmo que elas estivessem de burca. Exemplo infeliz ou não, quem diria na vida que uma personalidade como a Xuxa foi vítima de violência sexual quando criança?! E pior o abuso cometido por um conhecido de seu pai de carreira militar?! E os crimes sexuais cometidos por padres, pastores...

Quando minha família e eu nos mudamos a trabalho para Altamira (PA) pesquisei sobre a cidade é a primeira informação que o Google me deu foram os casos de sequestro de meninos de 8 a 14 anos, entre 1989 e 1993 que também foram abusados sexualmente, castrados e mortos em rituais de magia negra!  No primeiro momento pensei – não eu realmente não levarei meu filho para esta região! A questão é que esses tipos de crime acontecem e estão acontecendo neste momento em que escrevo este artigo, nos lares, igrejas e nas escolas onde estas crianças deveriam receber carinho e proteção!

Graças a Deus esta violência não fez parte da minha infância e nem de pessoas com quem convivi. Esta constatação me traz tranquilidade?! De jeito nenhum.  Tenho um casal de filhos e em muitos momentos meu coração disparou por ter visto um olhar que considerei improprio, ou mesmo um gesto vindo de algum amigo ou familiar! Aí nestas horas eu sofro mais, afinal se não me controlar passarei o resto da vida temendo ou vendo atitudes suspeitas de todos que nos cercam!

Sinto calafrios também quando penso e me preparo para falar sobre esta questão com meu filho de oito anos – em casa, com amigos, parentes ele já foi orientado o que podem e não devem jamais fazer com o corpo dele ou obriga-lo ou pedir fazer neles; agora tenho que utilizar o mesmo discurso para preveni-lo no local que deve ser seu segundo lar: o colégio! Dai-me sabedoria senhor para que a doença que infesta à mente de uns se torne o meu martírio e meu filho se torne uma criança temorosa de tudo e todos. O que não posso e ficar sem fazer nada e vocês?!

Meninos com idades entre oito e 14 anos foram sequestrados, castrados e mortos em Altamira (777 km de Belém, PA), entre 1989 e 1993. De acordo com o Ministério Público, os crimes ocorreram em rituais de magia negra.

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