Porto Velho (RO) segunda-feira, 26 de agosto de 2019
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Vem, Espírito Santo, Vem!


Dom Caetano Ferrari
Bispo de Bauru

Nesta solenidade de Pentecostes a Igreja toda celebra o Espírito Santo derramado sobre seus filhos e filhas, e a Igreja diocesana de Bauru celebra, jubilosamente, o seu Divino Padroeiro. 

Então, hoje, como povo de Deus, em festa, elevamos nossos corações e mentes, suplicando: “Vem, Espírito Santo, vem renovar a face da terra, fazer novas todas as coisas. Vem, pai dos pobres, consolo que acalma, doce alívio. Vem, descanso no labor, remanso na aflição, aragem no calor. Vem, luz bendita, encher o íntimo de nós. Vem, luz que acode, fazer o bem.  Vem lavar ao sujo, regar ao seco, curar o doente. Vem dobrar o que é duro, guiar no escuro, aquecer o frio.  Vem conceder à vossa Igreja vossos sete dons. Vem dar em prêmio ao forte uma santa morte, alegria eterna. Amém!”

O Evangelho da Missa - Jo 20, 19-23 - conta que Jesus entra misteriosamente no lugar onde os discípulos se encontram, estando fechadas as portas por medo dos judeus, sauda-os com a paz e mostra-lhes as mãos e o lado perfurados. De novo repete a saudação: “A paz esteja convosco”. E prossegue falando: “Como o Pai me enviou, também Eu vos envio. E depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: ‘Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”. 

Venho dizendo aqui que da nossa santa Igreja Católica só se pode falar bem, por inúmeros motivos, inclusive, pelo conjunto de sua sábia doutrina em matéria de fé e moral. E que precisamos trazer à agenda do nosso cotidiano os ensinamentos clássicos do Catecismo, os quais a modernidade iluminista pós-cristã relativiza, despreza e rejeita, em nome da ciência, da técnica, da razão, do progresso, da emancipação do homem que quer ser respeitado no direito de pensar e decidir, livremente, sobre o que fazer da vida e na vida. Neste aspecto todos concordam, e inclusive ninguém duvida que a liberdade é um direito fundamental. No entanto, não se pode ignorar que a liberdade tenha limites quando diante da verdade, da moral, da ética, das leis. Ainda que num mundo de incertezas a fé cristã com as suas exigências e verdades deva ser aplicada com misericórdia, sobretudo aos “feridos” da sociedade, como pede o Papa Francisco, jamais se dispensará de que seja pregada e, quando o for, nunca será demais. 

Ainda nesta semana li do filósofo brasileiro de origem judaica, do qual falei no domingo passado que aprecio, essa definição, com viés de deboche: “O relativismo é o seguinte: a verdade depende do ponto de vista, do momento histórico, do contexto geográfico, dos traumas psicológicos de cada um, da vontade do freguês, enfim, da cultura”. Que digo eu? Legal, não? Gente desse tipo pensa e fala, por exemplo, assim: Não é verdade que família é relação entre homem e mulher que se amam para gerar e criar vida; não é verdade que desde a fecundação haja vida humana, que é um dado biológico, nem pessoa, que é um conceito jurídico, nem alma, que é uma crença dos católicos. A conclusão você sabe: relação homoafetiva seria também família e o aborto seria também legal. Basta a gente mudar os conceitos que a gente mudaria a realidade e, por conseguinte, a verdade, num passo de mágica. Isso é que é ciência e sabedoria!!!

Os que acham legal falar mal da Igreja Católica apontam para os pecados dos católicos praticados ao longo dos tempos. Todos nós sabemos desses pecados, dos males humanos operados pelos cristãos. A Igreja enquanto feita de homens é pecadora e não nega, mas enquanto divina, é corpo místico santo pela graça de Deus. Para não mais pecar nem ser acusada de pecadora a Igreja não faz como esses "inteligentinhos" querem fazer que é negar o pecado.

Voltando ao nosso filósofo, que nem é católico, não é que li dele uma extraordinária defesa da Igreja Católica, não só por causa do Papa Francisco, que é uma unanimidade, mas por causa da sua tradicional doutrina e moral! Ele até satiriza os tais dos “inteligentinhos” ou “doces relativistas”, como costuma chamá-los, por seus preconceitos contra a Igreja, os quais, segundo diz, gostam de atribuir à Igreja a pecha de opressora, machista, medieval... Segundo diz “A maioria das pessoas quer apenas comprar, divertir-se, ter uma autoestima alta, gozar livremente, não sentir culpa alguma; enfim, ter uma vida moral de criança de dez anos de idade”. Conclusão: A contemporaneidade não gosta da Igreja Católica, porque ela trata as pessoas como gente grande a quem ministra o conteúdo sólido de toda a verdade da fé e da moral, que é de sua missão fazê-lo, sem se importar em agradar o seu eleitorado. Defendendo a Igreja, ele arremata dizendo que não se pode negar “o enorme papel civilizador da Igreja e do cristianismo como um todo no mundo”. De fato, você há de concordar, a Igreja Católica não prima por fazer campanhas populistas e marqueteiras de evangelização acomodando a sua mensagem ao gosto da plateia. 

Pois, o Apóstolo já dizia que a fé cristã é paradoxal. Na cruz de Cristo, que é loucura na perspectiva da sabedoria do mundo, revela-se o poder de Deus até onde os olhos alcançam a sabedoria divina. Este é o segredo da Páscoa de Cristo, a vitória que surge de uma derrota absurda. Nem por isso a pregação do núcleo paradoxal do Evangelho deve ser acomodada para agradar. Por isso, explica ele que recebeu de Jesus mesmo a missão “para anunciar o Evangelho, sem recorrer à sabedoria da linguagem, a fim de que não se torne inútil a cruz de Cristo. Com efeito, a linguagem da cruz é loucura para aqueles que se perdem, mas para aqueles que se salvam, para nós, é poder de Deus” (1Cor 1, 17-18). 

Fonte: CNBB
 

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