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Mendonça vs. Dino


Valdemir Caldas - Gente de Opinião
Valdemir Caldas

Está formado o cabo de guerra entre André Mendonça e Flávio Dino, ambos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Mendonça mandou a Polícia Federal fazer busca na casa do senador Weverton Rocha (PDT-MA), como parte da “Operação Sem Desconto”. O parlamentar é suspeito de participar de um esquema de corrupção que desviou bilhões de reais de contas de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Weverton é aliado e conterrâneo de Flávio Dino.

No dia seguinte, Dino mandou a Polícia Federal realizar operação contra desvio de recursos públicos vinculados às cotas parlamentares. Coincidência ou não, acertou, em cheio, o deputado federal Sóstenes Cavalcante, líder do PL e aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. André Mendonça foi indicado para o STF pelo então presidente Bolsonaro em 7 de julho de 2021 na vaga de Marcos Aurélio de Mello. Flávio Dino foi indicado pelo presidente Lula em 27 de novembro de 2023, para o lugar da ministra Rosa Weber.

É como se Dino dissesse assim para Mendonça; “não mexa com os meus amigos, que eu não mexo com os seus”. Essa medição de forças entre duas importantes autoridades da magistratura brasileira é péssima, tanto para a imagem do STF, cuja credibilidade anda em queda no conceito de significativa parcela da sociedade, quanto para a democracia brasileira, na qual muitos dizem não mais acreditar. Para alguns, atitudes como essas só contribuem para esvaziar cada vez mais o princípio da justiça, pilar fundamental que busca a equidade, imparcialidade e equilíbrio na distribuição de direitos.

Não é só a população que está perplexa com o que vem acontecendo com a mais alta corte do país, baluarte da democracia. Em suas frequentes aparições televisivas, o ex-ministro Marcos Aurélio de Mello não consegue disfarçar o constrangimento no que se refere à conduta de membros da instituição na qual atuou por mais de 31 anos. Apesar de tudo isso que vem acontecendo, insisto que não podemos perder a confiança nas nossas instituições, pois elas são a base de uma sociedade saudável e funcional, conquanto respeito os que pensam diferente. 

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