Porto Velho (RO) sábado, 28 de novembro de 2020
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Uma rica nação fracassada



Professor Nazareno*

Se um ex-presidente francês disse que o Brasil não era um país sério, devia ter recebido uma justa homenagem por esta célebre frase, por esta magnífica constatação. Porém, muito pior do que o Brasil somos nós os brasileiros. Com pouco mais de 500 anos de existência, o mundo civilizado nos vê como nativos, analfabetos, imbecis, selvagens e subdesenvolvidos. Até um grande personagem da nossa literatura teria dito que o Brasil visto de fora é grotesco. E não é implicância falar mal do que acontece somente por aqui. Muitos otimistas desinformados dizem que os brasileiros são os primeiros a falar mal do seu país, de sua nação e que isto é um grande e grave defeito entre nós. Não é. É apenas uma visão correta da nossa triste realidade. Como Abaporu, de Tarsila do Amaral, esbanjamos músculos e nos faltam cérebro e inteligência.

Com mais de 200 milhões de habitantes, nunca ganhamos um Prêmio Nobel. A Argentina, com um quinto dessa população, já ganhou cinco vezes a comenda. O Chile, com 16 milhões de pessoas, já ganhou três vezes. Não temos tecnologia de ponta nem somos uma potência na área científica porque não investimos em educação de qualidade. Nossas escolas não funcionam com sistema integral de ensino e a nossa sociedade, de maneira geral, não cobra nada do Poder Público. Sem perna de jogador e bunda de mulher, estaríamos lascados. O Brasil é um fracasso em quase todas as áreas. Tudo por aqui funciona na base da esculhambação e da gambiarra. Dizem que vivemos em uma democracia, mas somos obrigados a votar. Orgulhamo-nos de ter mais de 140 milhões de eleitores, mas destes, menos de 20 por cento votam de forma consciente.

Temos Forças Armadas, mas numa guerra de verdade seríamos surrados até pela Bolívia. O nosso Poder Legislativo é uma piada: da esfera federal até os municípios, grande parte dos nossos legisladores é composta de patifes, canalhas e ladrões do dinheiro público. Seriedade e honestidade nas câmaras e assembleias legislativas é coisa rara. Depois de se envolverem em escândalos e sacanagens, os legisladores dão títulos para calar os eleitores incautos. Quase toda a mídia do país é uma desgraça: parcial e comprada, só divulga notícias de interesses de seus poucos e ricos patrocinadores. O brasileiro comum é roubado, humilhado, sacaneado e ainda assim, feito hiena, aplaude alegremente seus algozes. A nossa Justiça além de lenta e burocrática é acusada de elitista e de só prender ladrões pequenos, humildes e pobres. “Só rico tem embargos”.

No Brasil criam-se dificuldades para se vender facilidades. É a regra. O jogador de futebol Diego Costa que o diga. O que será que o cantor Justin Bieber acha deste país de bananas? Para se medir a nossa mediocridade, não precisamos ir muito longe. É só comparar um brasileiro comum com um sueco, dinamarquês, alemão ou canadense que se percebe a diferença em favor deles. Somos piegas, rústicos, ignorantes, senso-comum, atrasados, interesseiros e brasileiros. Em Porto Velho, por exemplo, a expansão do Shopping Center foi inaugurada pontualmente às 16 horas do dia 07 de novembro de 2013. E já sabíamos disto há quase dois meses. Se os empresários fossem brasileiros ou rondonienses, talvez inauguração só daqui a um século. O Canadá é Primeiro Mundo e por lá tudo parece funcionar. Acho até que a cultura deles é “superior” à nossa. Aliás, quando será mesmo a inauguração dos viadutos e da ponte sobre o rio Madeira? No Brasil é assim: quando um político rouba, geralmente não é investigado. Quando é, a polícia não o prende. Se prende, a Justiça e as leis o soltam imediatamente. Se for condenado, “seus pares” não o cassam. E se for cassado, o povão, ainda assim, continua votando nele. E nada muda por aqui. Vou-me embora para a Bolívia. Ou para o Haiti.


*É Professor em Porto Velho.

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