Porto Velho (RO) terça-feira, 1 de dezembro de 2020
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Uma análise tupiniquim


 
Uma análise tupiniquim - Gente de Opinião 
HELDER CALDEIRA
Estudante de Direito
Petrópolis – RJ
 
O saudoso senador Jefferson Péres sempre afirmava em seus discursos que havia um “empobrecimento intelectual no Brasil”, principalmente entre os mandatários e majoritários políticos da nação. Absoluta verdade. Infelizmente essa decadência também tem afetado nossos escritores e “especialistas”. Não podemos levar em consideração boa parte do que os nossos “pseudo-intelectuais” escrevem nos principais veículos de comunicação e com ampla divulgação nacional. “Yes, nós temos bananas!”
 
O grande assunto do momento é a indicação de Barack Obama como candidato à Presidência dos EUA pelo Partido Democrata. Eis que nossos intelectuais tupiniquins disparam a escrever toda sorte (ou azar) de tolices sobre a mais nova piada dos norte-americanos. A grande maioria está achando o máximo a ascensão de um inexperiente político ao posto de favorito pleiteante ao cargo de maior poder no Mundo.
 
Engarrafados na mofada ideologia antiamericana (numa antitética imagem de Coca-Cola), bradam fervorosos sua simpatia pela possibilidade de ver, pela primeira vez na História, um político negro chegar à Casa Branca. Ao mesmo tempo, escorregam em seus próprios “pré-conceitos” e revelam suas verdades à conta-gotas nas entrelinhas. Como Obama tornou-se uma febre de proporções mundiais e a ordem do dia no Brasil é dizer apenas o que as pessoas querem ouvir (verdades ou não), não sei se nossos intelectuais realmente acreditam na “change” da grande potência ou estão, na realidade, festejando a possibilidade de assistirmos o “declínio do império americano”.
 
Foi assim na eleição do ator Ronald Reagan. Repetiram a dose quando uma estagiária de vasto poder labial decidiu profanar o fecho éclair do estadista Bill e acabou comprometendo a atual campanha da leoa Hillary. É assim com Bush e seu ideal de entrincheirar em seus países os terroristas e as fanáticas civilizações assoladas por suas próprias crenças fundamentalistas e medievais. A “grande sacada” de nossos “especialistas” é transformar Reagan num fantoche, Clinton num pervertido e Bush num retardado menino mimado. Fácil assim.
 
Enquanto isso, esquecemos nossas próprias agruras e mazelas. Não seria diferente com Barack Obama. Enquanto nos divertimos com a corrida presidencial norte-americana e todas as suas nuances, Lula desenvolve uma assintosa pré-campanha sucessória, patrocina com dinheiro público (sob a máscara do PAC) campanhas municipais de seus aliados e segue em busca da criação de novos impostos para aumentar a receita do cofre onde estão metendo a mão como “nunca antes nesse País”. Com bananas na cabeça, vamos dançando essa tétrica valsa do “tico-tico no fubá” e com o milho cada vez mais caro.
 
A grande verdade é que, pela primeira vez, fomos mais rápidos no gatilho do que nosso vizinho rico: cometemos em 2002 o erro que só agora os EUA estão prestes a realizar. Barack Obama é a versão enlatada do nosso Luiz Inácio. Inexperientes, sensacionalistas, estandartes de uma mudança sob a égide de uma ética subjetiva, fiéis ao discurso do “excluído” que chega ao poder e são verdadeiros bailarinos quando o assunto é o “fogo-amigo” no petit comité dos “companheiros”. Ou seja, as gargalhadas dos “obamistas” soam como uma compreensão atrasada de piada para os brasileiros mais sensatos, já tão acostumados com a folgança lulista.
 
Destarte, não há surpresa no artigo ambíguo do ensaísta Roberto Pompeu de Toledo para revista Veja, onde pretendia responder questões sobre Obama como: “ele ganhou por que é negro?” ou “ele ganhou apesar de ser negro?”. Mesmo comparando Barack Obama a um “risco de cometa no céu” e enaltecendo sua biografia como um “caso de vitória sobre suas circunstâncias” (qualquer semelhança com Lula não é mera coincidência), Pompeu de Toledo reafirma os preconceitos de sempre a cada 5 palavras e encerra seu ensaio afirmando que “a maior 'mudança' de todas será a presença de um negro na Casa Branca, os braços negros apoiados na mesa do Salão Oval, a mão negra estendida aos visitantes estrangeiros, o dedo negro ao alcance dos comandos do dispositivo nuclear”. Sua última linha: “É uma mudança de causar assombro” (TOLEDO, Roberto Pompeu de. Obama: questões mais freqüentes. Revista Veja, São Paulo, edição 2064, ano 41, nº 23, p. 158, jun. 2008).
 
Quando Lula foi eleito pela primeira vez, esse era o discurso de nossos “intelectuais”, vislumbrando o caloroso abraço do presidente pobre e semi-analfabeto em seu povo e nos estadistas do planeta. Ao nos aproximarmos do cerrar das cortinas, tudo o que vemos é a imagem triste de um homem que comanda uma nação ao sabor de metáforas futebolísticas, de ações populistas disfarçadas de programas sociais e da condescendência com os desvios éticos de seus “companheiros”. Os norte-americanos correm o risco de cair nessa mesma arapuca.
 
A lenda atual é que os EUA estão promovendo a reinvenção da democracia (como se isso fosse possível) só porque um negro de descendência queniana e com o nome de Barack Houssein Obama está prestes a eleger-se presidente do país mais poderoso do Mundo. Dizer que isso é espantoso ou absurdo é o maior de todos os preconceitos e pior ainda é quando percebemos que ele pode ser eleito apenas por esses motes (já que não há registros de que tenha exercido sequer o cargo síndico do condomínio onde mora). Resta aos “intelectuais”, conjecturar sobre a “change” da melanina e da Ku Klux Klan.
 
Aqui, em terras tupiniquins, seguimos escondendo nossos problemas sob a passarela do samba, atrás da máscara do boi-bumbá, viciando nossas gerações com Bolsa Família e guardados em nossas casas pelas milícias das policias e do tráfico. E nossos “intelectuais” seguem bailando suas verdades sobre terras estrangeiras, tal qual Carmem Miranda. Mas e o Brasil? Ah, aqui tudo é festa! “Yes, nós temos bananas!”

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