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Um bom sinal


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Tornou-se praticamente impossível abrir os sites de notícias, ouvir ou assistir ao noticiário pelos meios de comunicação (rádio e tv) e não se deparar com uma denúncia sobre o mau uso dos recursos públicos. Há quem diga que nunca se roubou tanto dinheiro da sociedade como nos últimos dezenove anos.

De lá para cá, muitas foram as formas usadas para dar destinação ilegal e ilegítima às verbas públicas. Mensalão (o escândalo consistia nos repasses de fundos de empresas, por meio de doações, para um partido político, que, por sua vez, comprava o apoio de parlamentares). Petrolão (esquema bilionário de desvio de dinheiro público da maior estatal brasileira, a Petrobrás). Tivemos também dinheiro escondido em cueca ou, então, sendo transportado em saco de lixo, caixa de sapato, caixa de uísque, sendo a rachadinha o arranjo preferido de alguns políticos, apenas para citar esses exemplos, mas há outros, como o financiamento de atos que nada têm que ver com a administração do bem coletivo, até a rotineira dispensa de procedimentos legais em atos oficiais.

A situação chegou a tal ponto que, no seio da sociedade, vai-se disseminando a ideia de que, no Brasil, nada acontece aos que metem as mãos sujas no patrimônio público. O descrédito que ronda as atividades de alguns poderes da República impulsiona ainda mais a desesperança de muitos segmentos sociais.

Decisões recentes de órgãos de controle e judicantes, aqui e alhures, porém, oferecem um bom sinal de que as coisas podem (e precisam) mudar. Ontem foram as obras dos viadutos. Hoje foi o desvio do dinheiro da saúde durante o pico da pandemia. Li que a Justiça do Maranhão afastou servidores da Câmara Municipal de Imperatriz por suspeita de rachadinha. Hoje, vejo que uma juíza de Corumbá, a 425 quilômetros de Campo Grande, enquadrou um ex-secretário municipal, dois ex-comandantes da Guarda Municipal, um ex-diretor e um ex-presidente da Agência Municipal de Trânsito e Transporte, pelo pagamento irregular de horas extras e outros benefícios, o que não deixa de ser, repita-se, um bom sinal. 

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