Porto Velho (RO) quinta-feira, 26 de novembro de 2020
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Triste fim de Confúcio Moura...



Triste fim de Confúcio Moura... - Gente de Opinião
  Prof. Victoria Angelo Bacon

 

Assim como em Policarpo Quaresma, do grande escritor Lima Barreto, que sonhava em mudar o cenário brasileiro do início do século XX mergulhado em crises e decepções da República, que se instalava aos trancos e barrancos, o governador de Rondônia, Confúcio Moura, sonha em transformar nossa amada e sofrida Rondônia em um estado onde a educação e a preparação do jovem para o futuro incerto se tornaram uma utopia. O que se esperar de vós, Confúcio Moura!

Começo este artigo denunciador, invocando à Assembléia Legislativa, através de seus 24 deputados a cobrarem do senhor governador o que de fato é seu dever constitucional: Zelar pela educação e fornecer ensino de qualidade a todos que necessitam. Onde estão os nobres deputados? Seus filhos e familiares não dependem deste sistema falido chamado ensino público por isto, talvez, não se preocupem em cobrar de tal autoridade.

Nesta última segunda-feira, recebi e-mail de um aluno do interior de Rondônia, município de Machadinho do Oeste, lamentando a falta de professores em sua escola e de sua irmã. Na semana passada, conversando com alguns professores, os mesmos me relataram que há escolas onde existe o revezamento, pois a falta de professores é tão gritante que este é o critério adotado por alguns diretores de escola afim de que os alunos não fiquem sem aula ou fazem de conta. O aluno me relatou que faltam professores de todas as áreas e, em pleno ensino médio, ás vésperas de realizar a prova do ENEM 2013, ainda não fora lhe concedido aulas de Redação, Química, Física e Biologia. “Prometem-nos que virão professores assim que o concurso público que está em andamento for realizado”, relata o aluno. A SEDUC através de sua secretária Isabel Luz, de sua gerente de RH Rita Ramalho e de sua equipe amadora não tiveram capacidade de diagnosticar com antecedência a falta de professores? Por que as escolas particulares não faltam professores? Por que as ditas “escolas modelos do governador” têm professores e a maioria esmagadora não. Fica ai a questão, Policarpo Quaresma.

Acabei, intencionalmente, realizando um pequeno levantamento quantitativo e me assustei. Das 40 escolas que pesquisei junto a amigos professores e alunos, faltam professores nas 40 escolas. Há municípios como Costa Marques, Santa Luzia e São Miguel que técnicos em enfermagem, por exemplo, estão lecionando Química e Biologia. A gerente de RH da SEDUC, Rita Ramalho, que permite nomear como professor emergencial, portador de diploma de ensino médio sem conhecimento acadêmico nenhum, sem a formação mínima exigida para ser professor junto á secretária de educação são as responsáveis por este caos que já foi denunciado semana passada pelo portal G1 da Rede Amazônica de Televisão, filial de Ji-Paraná, mostrando a falta de professores e o caos na região central do estado. Estas senhoras são um atentado a moralização da educação pública.

Mas por que em meu artigo faço um paralelo ao livro imortal Triste Fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto? Um governador que sequer consegue manter professores em sala de aula, que destrói veemente o sistema educacional criando métodos elucidativos de avaliação para diagnosticar o que todos já sabemos; que a educação rondoniense está mergulhada no caos e, que nomeia uma ditadora psicótica no cargo de secretária de educação, merece nosso respeito? Realmente o senhor governador se afunda em seus próprios sonhos e desejos que lhe consumirão e lhe tornarão como o governador que destruirá nossas ilusões de acreditar em dias melhores a maioria da população que é composta por jovem e, está totalmente perdida e desorientada por falta de políticas educacionais. A educação é a base para que um jovem possa vencer este preconceituoso sistema de seleção que existe no Brasil, onde quem tem poder e dinheiro consegue mais e pode mais.

A desmotivação dos jovens que dependem da escola pública em Rondônia é gritante. Vejo e ouço em todos os cantos do nosso sofrido estado à máxima: Vou à escola para passar tempo, por obrigação familiar ou por querer aprender mesmo sabendo que pouco aprenderei, pois os professores adentram a sala de aula sem vontade de ensinar, sem estímulos e sem valor moral. O governador Confúcio Moura, cria slogans de sucesso na educação, porém, um sistema de avaliação que ele contratou a um valor altíssimo chamado SAERO, mostrou a ele a incapacidade de sua pupila Isabel Luz, mas, mesmo assim, o pseudo-intelectual governador teima em mantê-la ao cargo, mesmo sabendo que isto lhe custará a cabeça política e entrará para a História de Rondônia como o governador que nadou e morreu na praia em seus sonhos e desejos.

Senhor Governador, vale a pena tanto sacrifício em vão por um capricho pessoal? Onde está o Confúcio Moura que conheci em 2010 que fulgorosamente os olhos e as pupilas aceleravam-se com o seu coração cheio de bons propósitos para a nossa educação e para os nossos milhares de jovens a espera de dias melhores.

Os filhos de Rondônia não merecem isto. Somos um estado novo, cheio de vida e com a maior população percentualmente jovem do país. Somos a mistura de raças e falares dos quatro cantos deste imenso Brasil. Se faltam professores quem será prejudicado? Se os professores são desmotivados pela falta de interesse da SEDUC e do governo quem será prejudicado? Se temos escolas que parecem penitenciárias quem será prejudicado? Se o jovem rondoniense não tem a oportunidade de sonhar com um futuro melhor, pois a escola pública não lhe oferece preparo e dignamente formação para este sonho, quem será prejudicado? O verdadeiro plano futuro, senhor governador, começa na escola e não dando esmola. Quem cuida do futuro cuida da educação. Escute o clamor deste artigo e faça as mudanças necessárias para que quatro anos de seu governo não nos custem anos de tempestade social e econômica, onde teremos mais bandidos, mais analfabetos, menos empregos, menos investimentos e um futuro perdido.

Governador visite as escolas públicas. Vá á Coordenadoria Regional de Educação de Porto Velho, a sua chefona, Irany Moraes, trata professores, funcionários de escolas, diretores e pais de alunos com total descaso. Procure conhecer as escolas que clama pelo governo. Não as que são referência aos olhos da senhora Isabel Luz e de sua equipe amadora. Visite a maioria das escolas que estão lá no interior, isoladas geograficamente e politicamente. Caminhe pelas escolas da periferia de Porto Velho e ouça os alunos e os professores e verá o quão nosso clamor não é vão. Porto Velho está se tornando uma cidade do medo e das incertezas. Os jovens estão perdidos e se afundando na criminalidade e no universo do tráfico de drogas. A prostituição caminha a passas de tigre. A falta de oportunidades, de emprego e de inserção social são fatores ligados à falta de investimentos em educação e ensino público. Nosso analfabetismo é gritante chegando a 200 mil cidadãos. Os jovens não tem perspectiva por que a escola não o traz isto.

Palavras de Policarpo Quaresma a Confúcio Ayres Moura: “O grande inconveniente da vida real e o que a torna insuportável ao homem superior é que, se se transferirem para ela os princípios do ideal, as qualidades tornam-se defeitos, de modo que, muito frequentemente, o homem completo tem bem menos sucesso na vida do que aquele que se move pelo egoísmo ou pela rotina vulgar.”

Somos reféns de um sistema chamado Escola Pública. Até o Mangabeira Unger seu guru desistiu de assistir as atrocidades cometidas na educação pública. Até quando, meu Deus, até quando!

Prof. Victoria Angelo Bacon

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