Quarta-feira, 4 de abril de 2018 - 07h06

Por Fernando Brito, no Tijolaço - A triste manifestação do General Eduardo Villas Boas pressionando o STF, infelizmente, mostra um comandante acuado, tentando fazer um gesto que se trata, evidentemente, de uma tentativa de se por à frente de uma pressão crescente da alta oficialidade cada vez mais próxima do golpismo.
Trata-se, óbvio, de um ponto incongruente com a trajetória do Comandante do Exército, e não vem ao acaso.
O golpismo civil, político, judiciário e midiáticonão pode pretender que sua semeadura autoritária não brote também no terreno militar.
Não adianta Merval Pereira verberar contra isso na Globonews, assustado.
O golpismo militar é sempre uma condição latente nas Forças Armadas, mas só germina com o golpismo civil a adubá-lo.
O mais incrível é que altos oficiais das FFAA se deixem levar para o caudal de um ex-oficial inferior, indisciplinado, capaz de atentar contra algo que é sagrado das estruturas militares, a disciplina e a hierarquia.
Deveriam aprender com o Judiciário: ao deixar Sergio Moro assumir a liderança política, concordando com seus abusos, o STF perdeu sua autoridade e retomá-la, mesmo ainda como possibilidade, provoca seu desgaste e desmoralização.
O comando do Exército, se está fazendo um movimento preventivo para conter seus "radicais", está se metendo numa sinuca. Se admite que se uma Força Armada chantageie uma autoridade civil, não se tem mais argumentos para que um militar possa atacar a ordem civil.
Ou as de seus próprios superiores.
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