Quinta-feira, 4 de junho de 2026 - 13h20

A crise
que se instalou no sistema de saúde de Rondônia é mais antiga do que o Código
de Hamurabi. Lembro-me que, em outubro de 1994, matéria do extinto jornal Alto
Madeira já chamava a atenção das autoridades para o problema. E não somente
para a precariedade dos serviços prestados à população, mas, também, para os
baixos salários e as péssimas condições de trabalho dos profissionais do setor.
Em janeiro de 2003, uma emissora de televisão local mostrou
um homem, deitado em uma maca, num dos corredores do Hospital e Pronto Socorro
João Paulo II, agonizando com um estilhaço de bala no rosto, enquanto alguém
decidia se o seu problema era ou não de urgência. Horas depois, a vítima teria
falecido de parada cardíaca. Na época, o secretário de saúde apareceu na
televisão, indignado, ameaçando abrir uma sindicância para apurar o episódio. Até hoje, porém, não apareceu o culpado.
Não é
preciso ser especialista em nada para saber que os problemas da saúde estadual
não estão relacionados à escassez de recursos, como muitos alardeiam, mas
apenas refletem a falta de competência, de seriedade, de responsabilidade e,
principalmente, a brutal ausência de respeito para com o ser humano.
Além de desumana, a situação por que passa o sistema público
de saúde em Rondônia é vergonhosa. E não se diga, contudo, que a culpa é dos
profissionais do setor, os quais têm ido além de suas possibilidades, mas
daqueles que nos governam. O acesso à saúde de qualidade está garantido
na Constituição Federal, mas parece que nem todo dirigente público a respeita. Por
isso, o cidadão vai morrer criticando a plenos pulmões que tem direito à saúde
que ninguém certamente o escutará.
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