Terça-feira, 16 de abril de 2024 - 14h56

Os críticos do comportamento dos
homens públicos brasileiros estão certos quando dizem que a muitos deles falta,
em essência, o espírito público da renúncia, sentimento, diga-se de passagem, cada
vez mais em desuso por parte daqueles que estão segurando o timão da nau
chamado Brasil. O nosso país vai caminhando para o fundo do poço e, pelo visto,
parece que só uma minúscula parcela da sociedade se deu conta disso, enquanto a
maioria dos representantes do povo não quer abrir mão de seus privilégios em
proveito dos interesses supremos da Nação.
Pode parecer utopia, mas,
imagine, por exemplo, se cada um dos que nos representa, nos mais diferentes
escalões do poder, dissesse a si próprio: “Não, o que está em jogo, agora, é o
destino de milhões e milhões de irmãos. Não se trata, neste momento, de pensar
apenas nos meus mesquinhos privilégios, ou na minha permanência na vida
pública, mas sim na importância que tem, sob todos os aspectos, a necessidade
urgente que o nosso país saia do cipoal de dificuldades no qual está
mergulhado, a ponto de ameaça até mesmo a existência de seu povo. A partir de
hoje, vou colocar o Brasil acima de mim e procurar fazer o melhor pelo meu
país”.
Infelizmente, não é isso o que
estamos vendo. Prevalece, acima de tudo, o festival de vaidades, de presunção e
de busca de vantagens a qualquer preço, não importa os meios. Na briga pelo
melhor lugar na plateia, vale tudo, até mesmo passar por cima de princípios cristãos
e éticos. Quando esperávamos que depois da eleição presidencial houvesse um
somatório de forças, um ajuntar de mãos para uma tomada de consciência da
brutal realidade pela qual nosso país atravessa, o que assistimos é um torneio
de vaidosas posturas, cada qual procurando mostrar importância maior que os
legítimos interesses da Nação. Enquanto isso, o Brasil vai caminhando para o
abismo e só suas excelências não veem o caos.
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