Segunda-feira, 2 de agosto de 2021 - 08h55

A inconsequência parece mesmo não ter limites na conduta de
dirigentes e autoridades públicas. Falar em retorno das aulas presencias na
rede pública e privada - suspensas desde março do ano passado, em virtude da
pandemia do novo coronavírus -, nesse momento complicado da vida nacional, com o
aparecimento de variantes letais como a Delta, é quase um suicídio.
Chega a ser até difícil encontrar adjetivos para qualificar
esse tipo de comportamento. A impressão é de que essa gente vive noutro
planeta, indiferente a grave crise sanitária e hospitalar que o país atravessa,
quando mais de meio milhão de pessoas perderam suas vidas para a covid-19 e
outras tantas estão lutando para sobrevirem.
O que é mais importante, salvar o ano letivo ou evitar que mais
vida sejam ceifadas por esse vírus maldito? Não fui consultado sobre o retorno
das aulas presenciais. Nem poderia. Afinal, não tenho filho estudando na rede
pública de ensino, mas tenho um neto, de 15 anos, porém, tivesse eu sido
questionado, a minha resposta seria um sonoro não. Por quê? De tão óbvia, a justificativa
parece-me desnecessária. E não adianta vir com essa conversa mole de que os
trabalhadores em educação já foram vacinados. E os alunos, como fica a situação
deles? A menos que as autoridades os considerem imunes ao vírus e suas
variantes. E a situação das famílias dos alunos, não ficariam elas ainda mais
vulneráveis à contaminação?
É inconcebível falar em retorno das aulas quando uma ínfima parcela da população foi imunizada. É preciso avançar mais rapidamente no processo de vacinação. É preciso vacinar todo mundo, e não apenas os grupos prioritários, antes de se falar na volta às aulas. Saúde é coisa séria, apesar de muita gente relegar esse bem tão preciso dado por Deus.
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