Quarta-feira, 27 de maio de 2015 - 10h41
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Itamar Ferreira
... pois os fatos são públicos e notórios. De um lado, uma licitação de 180 ônibus para o transporte coletivo urbano de passageiros de Porto Velho, com quase 500 mil habitantes, não despertou o interesse de uma única grande empresa com experiência em operar esse tipo de serviço. Apenas uma pequena empresa de fretamento de Taboão da Serra (SP) teve coragem para encarar a ideia inusitada de uma licitação emergencial...
... inusitada porque o correto seria decretar a caducidade do contrato das atuais empresas de transporte coletivo e já partir para a licitação definitiva, pois nenhuma empresa séria e responsável aceitaria fazer altos investimentos em estrutura de garagem, contratar 1.200 funcionários, desenvolver sistemas, instalar catracas eletrônicas e GPS, para funcionar durante apenas 6 meses de prestação de serviços emergenciais de transporte coletivo, sem garantias (supõe-se que tal garantia não exista) de continuidade...
... com isso, o serviço atual, que é de péssima qualidade e deve ser mesmo substituído, vai se tornar caótico. Veja a opinião abalizada do Tribunal de Contas: "Com efeito, tal situação que se afigura no horizonte como caótico foi, prima facie, criada pela própria Administração Pública, quando decretou a caducidade do Contrato n. 139/PGM/2003, sem adotar as cautelas devidas para que tais serviços não sofressem solução de continuidade”. Veja a matéria sobre a decisão do TC no link: http://www.rondoniadinamica.com/arquivo/prefeitura-diz-que-derrubou-tutela-inibitoria-mas-conselheiro-opta-por-mante-la,92981.shtml ...
... mas o que pensam os vereadores da Capital sobre essa gravíssima situação? Não se sabe, pois reina naquela Casa do Povo um silêncio inquietante e ensurdecedor: "não sei", "não vi" e "não quero saber" parece ser a resposta dos nobres edis...
... na noite desta quarta-feira (26) em diálogo com um dos vereadores, ele afirmou que: "Claro que não. Podem esquecer que alguma empresa grande venha aqui participar de licitação.". E argumentou, ainda: "sabem quando vão conseguir resolver esse problema do transporte coletivo? No dia em que a prefeitura prestar o serviço.". Ou seja, os vereadores estão cientes do problema, mas "não querem meter a mão nessa cumbuca"...
... Se fazem tantas audiências na Câmara dos Vereadores, por que não fazer uma para esta questão tão relevante e importante para a população de Porto Velho? Há muitas perguntas para as quais os edis poderiam buscar respostas visando proteger os usuários do sistema de transporte coletivo...
... quem vai se responsabilizar pelo saldo existente nos atuais cartões “Leva Eu”, estimado em mais de R$ 2.000.000,00, já que as empresas atuais estariam quebradas? A empresa contratada emergencialmente vai operar com catracas eletrônicas e monitoramento por GPS? Como fica a situação dos atuais 1.100 empregados ativos e 120 afastados pelo INSS? Os milhares de usuários que dependem de integração, como os alunos da Unir, como ficarão? Como serão assegurados os direitos de meia passagem de estudantes, gratuidade dos idosos e emissão de vale transporte, se a prefeitura não possui esse banco de dados?...
... os vereadores podem até continuar no silêncio atual, mas quando o transporte coletivo de Porto Velho se tornar um caos (pior do que é hoje) eles serão politicamente responsabilidades pelos eleitores, pela covardia e omissão, pois mesmo tendo conhecimento dos fatos nada fizeram para proteger o povo. Além disso, 2016 está chegando...
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