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Quando os maus exemplos prosperam


Quando os maus exemplos prosperam - Gente de Opinião

Sempre se soube que a maçã podre leva as demais maças do cesto a apodrecer; a reciproca, contudo, não é verdadeira, ou seja, a maça boa jamais poderá fazer com que maças podres se regenerem. Se essa é uma verdade ainda não desmentida na esfera biológica, as situações sociais também podem apresentar símiles.

Quando os maus exemplos se multiplicam, torna-se difícil obter das pessoas conduta elogiável, motivo pelo qual o enorme poder da corrupção, que vem se alastrando pelos quatro cantos do país e minando os mais profundos alicerces da sociedade. E, quando isso acontece, o individuo perde o sentimento de cidadania, tolera os mais abjetos atos de seus semelhantes e, consequentemente, acaba por repeti-los.

É mais ou menos isso o que vem acontecendo no Brasil. Parece que chegamos mesmo aquela situação em que a virtude envergonha os que a praticam, enquanto os bandidos escarnecem dos outros, tranquilos na impunidade protetora, como cunhou Ruy Barbosa.

Se os assaltos aos cofres públicos, pelos que têm a obrigação legal de zelar por eles, merece a mais veemente condenação, que dizer de atos que dilapidam o patrimônio comum mais visível? Os cofres públicos, pela distância que guardam das pessoas comuns, fogem à percepção de que são patrimônio de todos. Bens materiais, contudo, são diferentes. Que dizer, pois, de indivíduos que furtam cabos da rede elétrica que alimentam o sistema de iluminação pública, deixando as ruas e os locais de lazer às escuras?

A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano (EMDUR) vem realizando um excelente trabalho de iluminação pública na cidade de Porto Velho, a despeito dos predadores do patrimônio público, que insistem na prática do crime, exigindo, portanto, severa punição das autoridades judiciais. E não apenas aos agentes imediatos do ilícito precisa ser imputada a responsabilidade total do crime, mas, principalmente, aos que, assegurando a compra dos cabos retirados das ruas de Porto Velho, estimulam a ilicitude.  

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