Domingo, 20 de maio de 2018 - 06h54

A pesquisa CNT/MDA desta semana trouxe um dado mais interessante do que a confirmação de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera, com folga, a sucessão presidencial, mantendo intacta sua força eleitoral, mesmo após uma prisão que já dura mais de quarenta dias. Trata-se da constatação de que, para 90% dos brasileiros, a Justiça não age de forma igual para todos. Ou seja: ela é seletiva, parcial e, nos dias atuais, atua de forma até partidária, perseguindo um campo político, o das forças populares, e protegendo outro, justamente aquele das forças associadas ao golpe de 2016.
Divulgada na segunda-feira, a pesquisa antecedeu fatos que confirmaram seus números. Paulo Vieira de Souza, o operador de propinas do PSDB, que movimentou mais de 120 milhões na Suíça, ganhou a liberdade depois que ameaçou delatar tucanos graúdos. Milton Lyra, que ocupava posição semelhante no MDB, também foi solto. Para completar o quadro, mais um tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, foi condenado à prisão, enquanto o ex-ministro José Dirceu foi sentenciado a uma pena de reclusão superior à de assassinos e estupradores. Como cereja do bolo, o juiz Sergio Moro foi a Nova York confraternizar com o ex-prefeito João Doria, que concorre ao governo de São Paulo pelo PSDB...
Alguns dirão que as decisões de Gilmar Mendes sobre Paulo Preto e Milton Lyra foram acertadas. Afinal, todo cidadão tem direito à presunção de inocência e ao devido processo legal. No entanto, por que os mesmos critérios não se aplicam a representantes de outras forças políticas, acusados de delitos muito menores? Como explicar que a presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, tenha sido responsável, ao mesmo tempo, pela manobra que mandou Lula à prisão e por outra que salvou o mandato do tucano Aécio Neves (PSDB-MG), desmoralizado pelas gravações da JBS?
Sim, os brasileiros começam a se dar conta de que o Poder Judiciário no Brasil tem lado e atende a interesses da classe dominante. O problema, no entanto, é que o projeto dessas elites protegidas pela toga vem destruindo o Brasil. Na semana passada, a pinguela para o passado ruiu, o dólar disparou e saíram dados do IBGE que mostram que nunca houve tantos desempregados no País. Se isso não bastasse, nada menos do que seis líderes europeus condenaram a prisão política de Lula e denunciaram o uso do Poder Judiciário como instrumento de supressão da democracia.
Tudo isso é dramático, surreal e apenas confirma o que foi dito pelo grande profeta do golpe de 2016, o senador Romero Jucá (MDB-RR), flagrado denunciando um "golpe com Supremo, com tudo". Deposta sem crime de responsabilidade, a presidente Dilma Rousseff já alertava que o golpe criaria um País com duas classes: a dos brasileiros abaixo da lei e dos sujeitos acima da lei.
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