Porto Velho (RO) quarta-feira, 25 de novembro de 2020
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Por que abandonam a igreja?



Por Humberto Pinho da Silva

Eis a pergunta que crentes e sacerdotes interrogam, e não encontram resposta.

Será porque os cultos não são atrativos? Ou será que os ministros de Deus pregam com palavras, que saem da boca, mas não as sentem no coração?

Estando em Roma, a conversar com franciscano, que veraneava em Itália, este declarou-me: “O padre católico, alicerça as homilias com vocábulos vernáculos, recheadas de erudição”.

Podem ser belas, agradáveis ao ouvido dos cultos, mas incompreensíveis para o homem comum. Será, por isso, que o povo se afastou do templo e da doutrina de Cristo?

Ouço dizer, e com razão, que o melhor evangelista é o que pratica, o que diz acreditar.

Quem assim assevera, pensa que o abandono da prática religiosa deve-se ao facto de alguns pastores seguirem o conselho do famoso Frei Tomás, que escreveu na porta do gabinete:

“ Faz o que ele diz e não o que ele faz”.

Outros, queixam-se que os pais deixarem de rezar com os filhos, e as famílias já não são, como eram antigamente: cumpridoras dos seus deveres morais, o que esmorece a fé, mormente das crianças.

Sabemos – crentes ou não, – que a prática da doutrina de Jesus, viver o cristianismo é muito difícil, principalmente para jovens, que se julgam imortais.

Algumas vezes, também, escuto – que os nossos templos são “frios”.

Muitos gostariam de encontrar, na Igreja, refugio para a solidão. - os velhos para conviverem; os novos para conhecerem outros jovens.

As comunidades são grandes. Ao sacerdote é humanamente impossível ser omnipresente. A maioria dos fiéis permanece na Igreja, como solitário em ilha deserta, em pleno Pacifico.

Por último: há os que frequentam o templo para aproveitarem oportunidades… e  o mau exemplo só serve para desacreditar a Igreja.

Há, também, os que pensam: se a Igreja fosse mais “ maleável”; se plasmasse à vida moderna; se desse acesso ao sacerdócio à mulher; ou pelo menos, os padres fossem casados, tudo seria diferente.

Que seria diferente, acredito, mas se seria melhor, duvido: porque cristianismos não são: palavras, eventos, congressos, nem cerimónias, mas conduta para pautarem a vida.

Conduta difícil….até quase impossível, para muitos….mas modo de estar na vida, para se poder entrar na outra Vida.

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