Segunda-feira, 21 de dezembro de 2015 - 09h48
Na preparação para o Natal, destacam-se várias figuras bíblicas. O Profeta Isaías é uma das mais importantes, com seus textos de clarividência impressionante, sejam os do Profeta em pessoa, sejam os do chamado pseudo-Isaías, sejam os do Trito-Isaías. Tal distinção indica que nos escritos bíblicos chamados de Profecias de Isaías, encontramos três modelos literários: os da pena do referido Profeta, e outras duas versões que teriam sido escritas não propriamente por ele, mas por pessoas de ‘sua escola’, acrescentados a serviço da comunidade em tempos posteriores.
Uma das características dos relatos proféticos é a coincidência das interpretações imediatas e as futuras. Quando o Profeta, ou alguém de sua escola escreve, o faz, em geral, a respeito de fatos que estão acontecendo no seu próprio tempo, buscando oferecer esperança para a solução de grandes problemas sociais, políticos ou religiosos. Porém, todos estes textos, lidos depois da Encarnação do Verbo, do nascimento de Jesus, são percebidos como verdadeira inspiração do Espírito Santo, trazendo sentido novo, muito mais profundo, perfeitamente adequado à realização da promessa messiânica. Certamente, o Profeta nunca terá tido intenção de adivinhar situações, fazer previsões mágicas ou algo que o pareça, mas sua abertura a Deus dá-lhe condições de criar palavras tão acertadas que nem mesmo ele poderia imaginar.
Os evangelistas mais tarde, sobretudo Mateus, muitas vezes citarão tais escritos antigos como algo sobrenatural em previsão da vinda do Salvador. Isto encontramos, por exemplo, na narrativa do natal do Senhor, quando cita Isaías literalmente: “Eis que uma Virgem conceberá e dará à luz um filho; Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa Deus está conosco” (Mt 1, 23).
Também Jeremias tem palavras de impressionante realização, ao dizer “Eis que virão dias, diz o Senhor, em que farei nascer um descendente de Davi, reinará como rei e será sábio, fará valer a justiça e a retidão na terra” (Jr 23, 5).
Outra figura que vai aparecer com muita evidência no tempo do Advento é João Batista, o Precursor que, mais que todos, prega com a palavra e com a vida, sendo homem inteiramente de Deus, desapegado de qualquer interesse material ou de qualquer preocupação com sua própria pessoa. Jesus vai elogiá-lo mais tarde, dizendo que entre os nascidos de mulher, nunca surgira pessoa humana maior do ele.
Porém se destacam com muito mais evidência e importância as figuras de Maria e de José; ela como a mulher prometida pelo Pai, já no Gênesis, cuja descendência esmagará a cabeça da serpente. Maria é Mãe, Rainha e Vencedora contra o mal. José é apresentado como homem justo, que garantirá ao Menino de Belém a descendência de Davi, não por consanguinidade, mas por via espiritual. José é modelo de integralidade na fé, de total disposição para cumprir a vontade de Deus, sem mesmo procurar entendê-la, não demonstrando hesitação ou medo, mas entregando-se inteiramente à franca obediência a Deus.
O Natal se aproxima. É muito bom procurar nas figuras bíblicas o que nos ilumina para bem celebrá-lo. Ali de fato está a luz para nosso caminho, a força para nossa estrada.
Fonte: CNBB
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