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Perguntar não ofende


Perguntar não ofende - Gente de Opinião

Uma característica marcante do processo eleitoral em uma democracia, como é o caso do Brasil, é a forte atenção dada ao aspecto competitivo das eleições, o que é perfeitamente aceitável, desde que se respeite as regras do jogo. Afinal de contas, a disputa entre concorrentes é uma conquista dessa forma de governo consubstanciada na ideia de que ele emana do povo e em seu nome deve ser exercido. Sempre! Logo, o debate público sobre as propostas e os eventuais projetos políticos requer, de fato, um espaço privilegiado no processo eleitoral.

Mas é isso que realmente ocorre? Você está satisfeito com o que vê e ouvi durante as campanhas eleitorais? Você consegue captar, ainda que de forma sintética, as intenções subjacentes aos discursos dos candidatos? Você acreditar que as questões sociais realmente compõem a galeria das preocupações dos candidatos que ajudou a eleger? Essas e outras perguntas precisam ser feitas não apenas dias antes das eleições, mas desde já, uma vez que o processo eleitoral se desenvolve a pleno vapor. E, como é de conhecimento público, em 2022, haverá eleições para quase tudo, exceto prefeito e vereador.

Eis aí uma leitura clara que você eleitor, sobretudo consciente, precisa fazer antes de ir às urnas em 2022, começando, desde logo, a identificar o que é socialmente imprescindível nos discursos daqueles que buscam um mandato público. Essa é uma tarefa essencial do ponto de vista da cidadania. Lembre-se de que o problema não é a maneira enfática como ocorre a competição eleitoral, mas as bases em que ela se assenta, na maioria das vezes, frágeis quanto às verdadeiras intenções dos postulantes. Depois, não adianta chorar o leite derramado.

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