Porto Velho (RO) quinta-feira, 26 de novembro de 2020
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Os EUA deviam bombardear Rondônia


Professor Nazareno*

          
Em discurso feito recentemente, Barack Obama admitiu que os Estados Unidos vão atacar a Síria em represália ao fato de o governo sírio, liderado por Bashar al-Assad, ter usado armas químicas contra a sua população na guerra civil que varre aquele país do Oriente Médio. Serviços de inteligência ocidentais afirmam que mais de 1420 pessoas morreram vítimas desses ataques. Cerca de 450 delas eram crianças. O Protocolo de Genebra de 1925, do qual os sírios são signatários, proíbe o uso deste tipo de armas em qualquer situação. Matar civis inocentes numa guerra ou mesmo em tempos de paz é uma atrocidade sem limites que deve ser punida sob todos os aspectos. Rondônia e o Brasil não estão em guerra, mas aqui já morreram e morrem todo dia muito mais crianças e civis inocentes do que em qualquer guerra conhecida. O mundo dito civilizado ficaria estarrecido se conhecesse a carnificina daqui: nossos hospitais são verdadeiros campos de extermínios.

E a corrupção desenfreada e sem controle em nosso Estado e no país inteiro é a responsável por este genocídio. Sabe-se, por exemplo, quanto em dinheiro, alguns deputados da Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia, em pouco mais de trinta anos desta casa, já roubaram, já desviaram? E na Câmara de Vereadores de Porto Velho, tem-se notícia do quanto já foi surrupiado durante os quase cem anos de sua existência? Dinheiro público, sendo desviado para o bolso de ladrões, políticos desonestos que quase sempre ficam impunes. Quando se desvia verba pública, muitas pessoas, preferencialmente as que são pobres, morrem em filas de hospitais, sem médicos, sem atendimentos, sem remédios e sem esperanças. A corrupção daqui é muito pior do que as armas químicas usadas na Síria e mata muito mais pessoas só que de forma lenta, silenciosa e cruel. E o pior: com a total aceitação das próprias vítimas.

São incontáveis, em Rondônia, as operações “caça corruptos” da Polícia Federal e que quase sempre dão em nada: Operação Dominó, Operação Termópilas, Operação Vórtice, Operação Endemia, Operação Apocalipse, Operação Hygeia dentre tantas outras. Quanto recurso foi desviado do Erário nestas operações que seria empregado em hospitais, escolas, segurança e infraestrutura? Quantas mortes a falta desse dinheiro causou? Quanto sofrimento foi imposto ao povo daqui? Por isso, os Estados Unidos deviam bombardear alguns alvos em Porto Velho e Rondônia para estancar esta sangria. Acabando a corrupção, diminuiria grande parte desse sofrimento. Mísseis Tomahawk deveriam ser lançados contra os infames prédios da Avenida Major Amarantes com Pinheiro Machado e Duque de Caxias bem no centro de Porto Velho e também na Avenida Calama com Rua Belém no Bairro da Embratel. O mundo deveria saber o que acontece em terras karipunas e tomar providências. Por que justiça só lá na Síria?

Há inúmeros outros alvos em Porto Velho e também em Rondônia que deviam receber a visita dos Tomahawk americanos, só que, por enquanto, devem ser poupados: a incompetência de muitos administradores também tem matado muitos inocentes além de causar dor e sofrimento. Armas químicas, corrupção, desmandos e incompetência administrativa são pragas que deviam ser combatidas com a mesma tenacidade. E como os Estados Unidos se consideram “a palmatória do mundo”, poderiam começar a agir imediatamente. Se a Síria, que é acusada de matar numa guerra algumas centenas de inocentes, será punida, então devia ser iminente um ataque a Rondônia, cujas autoridades têm matado muito mais gente e de forma mais cruel e desumana. O problema é o preço destes mísseis: cerca de um milhão de dólares a unidade. Destruir estes malditos prédios gastando tanto dinheiro assim é desperdício. É acender vela para defunto ruim. Tinha que ser com paus e pedras mesmo. Mas cadê a coragem? Aceitamos tudo calados e nem sequer saímos às ruas. E nas próximas eleições, o povo daqui, que se orgulha de ter ancestralidade, reelegerá todos eles para nos administrar.

*É Professor em Porto Velho.

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