Quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Opinião

Opinião: Semeadores de livros



João Baptista Herkenhoff

Em 14 de março passado comemoramos o Dia do Vendedor de Livros.

A propósito desse profissional, Monteiro Lobato escreveu: “Suprima-se o livreiro e estará morto o livro.”

Ainda Lobato, exaltando o livreiro, doutrinou para a posteridade:

”Embora sua mercadoria seja a base da civilização, pois que é nela que se fixa a experiência humana, o livro não interessa ao nosso estômago nem a nossa vaidade. Não é portanto compulsoriamente adquirido. O pão diz ao homem: ou me compras ou morres de fome. O batom diz à mulher: ou me compras ou te acharão feia. E ambos são ouvidos. Mas se o livro alega que sem ele a ignorância se perpetua, os ignorantes dão de ombros, porque é próprio da ignorância sentir-se feliz em si mesma, como o porco com a lama.”

A meu ver, os três maiores semeadores de livros são os livreiros, os bibliotecários e os professores.

Os três trabalham em comunhão e faltando qualquer deles o livro naufraga. Se o professor indica aos alunos livros que vale a pena ler, mas se não há livreiros para vendê-los ou bibliotecários para colocá-los nas mãos dos leitores, o conselho do professor torna-se inútil. Se uma cidade tem livrarias e bibliotecas mas não tem professores que impulsionem o gosto de ler, ficarão vazias tanto as bibliotecas, quanto as livrarias.

Castro Alves exaltou em versos imortais todos os semeadores de livros:

“Oh! Bendito quem semeia livros, 
Livros à mão cheia, 
E manda o povo pensar! 
O livro caindo n’alma, 
É germe que faz palma, 
É chuva que faz o mar!”.

Confessando sua paixão juvenil pelo livro, poetou Clarice Lispector:

“Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.”

Homenageio todos os livreiros do Espírito Santo e do Brasil relembrando o grande livreiro que foi Nestor Cinelli.

Cinelli não foi um comerciante de livros. Cinelli foi, na verdade, um apóstolo do livro.

Muitos estudantes compraram livros fiado na Livraria Âncora e só saldaram suas contas depois que se tinham tornado profissionais. Advogados, membros do Ministério Público, juízes, médicos, dentistas podem dar este testemunho. Nem juros Nestor cobrava. Devia ser pago o que estava anotado na sua caderneta (eu diria santa caderneta) e a conta estava liquidada. Promissória? Esta palavra não existia no vocabulário desse livreiro ínvulgar.

A exaltação dos bibliotecários e professores fica para um artigo futuro.

 

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 4 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

A nuvem e o altifalante

A nuvem e o altifalante

Enquanto os do Olimpo se alimentam da claridade que fabricam, os da Névoa navegam na bruma que lhes deixam e ambos, sem o saber, são reflexo um do

Marcos Rocha: de volta ao jogo político?

Marcos Rocha: de volta ao jogo político?

Pelo que se tem lido na imprensa, parece que o governador de Rondônia, cel. Marcos Rocha, encontrou um partido para chamar de seu. Trata-se do PSD,

BR-364: pedágio veio para ficar

BR-364: pedágio veio para ficar

A cobrança do pedágio na BR-364 não é uma novela mexicana como muitos, de forma confortável, ainda pensam. Muito menos achar que, de uma hora para o

Mesmo com a redução de repasse, Câmara Municipal segue inchando a folha de pagamento com nomeações

Mesmo com a redução de repasse, Câmara Municipal segue inchando a folha de pagamento com nomeações

A Câmara Municipal de Porto Velho diz que não tem dinheiro para pagar direitos de servidores que se aposentaram há três, quatro anos ou mais, mas, e

Gente de Opinião Quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)